O que é a Shisha ou o Narguilé?
(Shisha/Hookah/Arguile/Nargilé)

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ARGUILE  (NARGUILÉ) ou SHISHA

História

Arguile (Narguilé como alguns falam) ou "shisha" ou goza, como é conhecido no Egito ou países do Norte da África, é um cachimbo de água.

Além desse nome, de origem árabe, também é chamado de hookah (na Índia e outros países que falam inglês), narguilê, narguila, nakla etc. Há diferenças regionais no formato e no funcionamento, mas o princípio comum é o fato de a fumaça passar pela água antes de chegar ao fumante. É tradicionalmente utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia.

Há um fumo especial para arguiles, usualmente feito com tabaco, melaço (um subproduto do açúcar) e frutas ou aromatizantes. Os aromas são bastante variados; encontra-se de frutas (como pêssego, maçã verde, coco), flores, mel, e até mesmo Coca-Cola. Embora também seja possível encontrar fumos não-aromatizados, estes progressivamente perderam espaço para os aromatizados, que hoje são muito mais populares.

Quando se aspira o ar pelo tubo, reduz-se a pressão no interior da base; isso faz com que ar aquecido pelo carvão passe pelo tabaco, produzindo a fumaça. Ela desce pelo corpo até a base, onde é resfriada e filtrada pela água, que retém partículas sólidas. A fumaça segue pelo tubo até ser aspirada pelo usuário. O mais usual é que a fumaça não seja tragada.

O arguile tem como origem o Oriente. Uma das versões é a de que o arguile teria sido inventado na Índia do século XVII, pelo médico Hakim Abul Fath, como um método para retirar as impurezas da fumaça. Quando chegou à China, passou a ser utilizado para fumar o ópio, e assim permaneceu até a revolução comunista, no fim da década de 40. Na mão dos árabes, o cachimbo de água foi rapidamente incorporado para ser apreciado em grupo, acompanhado de café e prosa. Existem evidências históricas de arguiles na Pérsia (atual Irã) e na Mesopotâmia (região entre os Rios Tigre e Eufrates - atual Iraque). As peças mais primitivas eram feitas com madeira e um coco que fazia o lugar do corpo (o nome origina-se do persa nārgil, que significa "coco"). Com o desenvolvimento das civilizações e as expansões territoriais (principalmente dos países europeus), o arguile, já similar ao que conhecemos hoje (com base de cerâmica ou porcelana e corpo de metal), começou a ser divulgado, e trazido junto com especiarias como cravo e canela.

As cruzadas também auxiliaram a espalhar o arguile pelo mundo, quando os guerreiros sobreviventes traziam-no para seus países. No Brasil, o arguile foi trazido por alguns imigrantes europeus, e divulgado pelas colônias turca, libanesa e judaica.

 

 

Partes

O arguile é formado pelas seguintes peças:

Funcionamento

Quando se aspira o ar pela mangueira, reduz-se a pressão no interior da base; isso faz com que ar aquecido pelo carvão passe pelo tabaco, produzindo a fumaça. Ela desce pelo corpo até a base, passa pela água, onde é resfriada e filtrada, que retém partículas sólidas. A fumaça segue pela mangueira até ser aspirada pelo usuário e expirada logo em seguida.

Fumo

Há um fumo especial para narguilés, usualmente feito com tabaco, melaço (um subproduto do açúcar) e frutas ou aromatizantes. Os aromas são bastante variados; encontra-se de frutas (como pêssego, maçã-verde, coco), flores, mel, e até mesmo Coca-Cola e Red-Bull. Embora também seja possível encontrar fumos não-aromatizados, estes progressivamente perderam espaço para os aromatizados, que hoje são muito mais populares.

Saúde

Os efeitos à saúde causados pelo fumo do tabaco são largamente conhecidos e se aplicam também ao uso do arguile, contrariando a crença popular de que a água ajudaria a filtrar as impurezas do fumo, tornando-o menos nocivo à saúde. Recentes estudos, inclusive, indicam que seu uso pode ser ainda pior para a saúde do que o cigarro.

Além do mais, a Organização Mundial de Saúde alerta que a fumaça do arguile contém inúmeras toxinas que podem causar câncer de pulmão, câncer exofaríngeo, enfisema (causa a perda de capacidade respiratória e uma oxigenação insuficiente), doenças cardíacas, problemas dentais entre outras. E que, em uma sessão de arguile - que pode durar de vinte minutos a uma hora – a quantidade de fumaça inalada corresponde a mesma inalada ao se fumar 100 cigarros comuns.

A Academia Estadunidense de Periodontologia afirma que o uso do arguile é comparável ao cigarro, em relação aos riscos de doenças da gengiva.

George Loffredo, professor da universidade de Georgetown que conduziu estudo sobre o uso do arguile no Egito acredita que, comparado ao fumante típico de cigarros, o fumante de arguile expõe-se mais a toxinas como nicotina e monóxido de carbono.

A Realidade dos Arguiles...

Organização Mundial de Saúde (OMS)
alerta para perigos do "tabagismo  alternativo" - 31/05/2006

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) desfez a crença de que os cachimbos de água, o fumo para mascar e o cigarro indiano conhecido como "bidi" são mais saudáveis do que os cigarros normais, porque seriam menos prejudiciais.

Por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco, nesta quarta-feira, OMS defendeu a necessidade de conscientizar a população de que todos os produtos relacionados ao tabaco são altamente viciadores e prejudiciais para a saúde.

"O problema desses produtos é que as pessoas não os conhecem bem. A cultura popular diz que eles têm menos efeitos nocivos, mas não existem estudos que nos permitam ter números globais", disse a diretora da Iniciativa Livre de Tabaco da OMS, Yumiko Mochizuki, em entrevista coletiva ontem.

Um claro exemplo é o cachimbo de água - arguile - que, embora seja muito tradicional no Sudeste Asiático e no Oriente Médio, está sendo usado em outras partes do mundo, segundo Douglas Bettcher, coordenador da mesma iniciativa da OMS.

"[O cachimbo de água] está cada vez mais em moda no Ocidente, especialmente entre os jovens, que, como seus pais, acham que seus efeitos não são tão nocivos como o cigarro comum", explicou Bettcher.

No entanto, o coordenador advertiu que uma pessoa que fuma o cachimbo de água - conhecida como shisha e narguilé- durante uma hora inala fumo equivalente entre 100 e 200 cigarros.

Ao contrário da crença popular, esses cachimbos de água têm nicotina suficiente para criar dependência, mas, por estar menos concentrada, reduz as náuseas e permite que o consumidor consiga ficar mais tempo exposto às substâncias cancerígenas do tabaco e a gases perigosos, como o monóxido de carbono. Além disso, esses cachimbos de água geralmente são compartilhados com desconhecidos, o que aumenta o risco de se contrair outras doenças como herpes, hepatite ou até tuberculose (transmitidas pela saliva contaminada).

Em relação ao fumo de mascar, os analistas advertem que essa versão pode causar câncer no cérebro, no pescoço, na garganta e no esôfago, assim como várias doenças bucais e dentais muito graves. O fumo de mascar causa 90% de todos os casos de morte por câncer na Índia, segundo a OMS, que relata que outros produtos como os "kreteks" (cigarros doces que misturam fumo e cravo) e os "bidis", feitos à mão e com aromas exóticos, típicos da Índia, são erroneamente considerados mais saudáveis.

Para fumar esse tipo de cigarro, é necessário que se trague mais rapidamente, o que significa maior absorção de nicotina, enquanto a de alcatrão chega a triplicar.Sobre os puros, a OMS adverte que alguns possuem tabaco suficiente para 20 cigarros e que, inclusive os que não tragam, têm entre duas e cinco vezes mais chances de ter câncer de pulmão.

O problema desse tipo de produtos relacionados ao tabaco é que mal estão regulamentados, e não existem estudos globais que reflitam como prejudicam a saúde da população. Além disso, como têm "melhor reputação" do que os cigarros, "a indústria do fumo reforça a comercialização deste tipo de produto para atingir um novo público, que de outra forma poderia escapar", disse Bettcher.

Esse é o caso, por exemplo, das mulheres de certos países, muitos deles árabes, onde "é errado que fumem cigarros, mas não que usem shishas (cachimbos de água)".

Por isso, os especialistas advertem que os números sobre os efeitos nocivos do fumo (que mata uma pessoa a cada 6,5 segundos) são relativos apenas aos fumantes de cigarros, e não às milhões de pessoas que consomem o fumo de outras formas.

A OMS calcula que, dos 1,3 bilhão de pessoas que fumam cigarro no mundo, pelo menos a metade morrerá por causa da dependência.

Fonte: www.folha.com.br

 


Loja do mercado Khan el Khalili  (Cairo-Egito)

Extraído do site da
Presidência da República Federativa do Brasil

(Conselho Nacional de Política Sobre Drogas - CONAD)

Tão perigoso quanto o cigarro

  • O narguilê, narguilé ou arguile está se popularizando no Brasil e virando moda, principalmente entre os jovens, em festinhas de fim de semana ou reunião entre amigos. Muitos pais e até mesmo os próprios usuários não sabem que este produto consegue ser bem mais tóxico que o maléfico cigarro.

    Para quem não está se recordando do assunto, o narguilê é uma espécie de cachimbo largamente usado pelos turcos, hindus e persas, composto de um fornilho, um tubo, um vaso cheio de água ou algum outro líquido (vodka, arak, licor, etc) por onde o tabaco passa antes de chegar à boca. É denominado por alguns adolescentes de ´´cachimbo da paz´´, pois trata-se de um fumo coletivo, passando de boca em boca.

    O economista e comerciante, proprietário da Casa de Chá e Café Árabe Khan el Khalili de São Paulo, Jorge Sabongi, conhece o assunto, uma vez que seu Café o faz pesquisar diversos costumes árabes. Ele conta que o nome narguilê vem do Persa ´´narguil´´, que quer dizer ´´coco´´ porque as primeiras bases encontradas na Pérsia e na Mesopotâmia eram redondas de côco ou madeira. ´´É conhecido pelos povos árabes como Arguile ou Shisha. E como Hookah na Índia e Turquia´´, diz.

    ´´No Brasil, acredito que pelo desconhecimento dos efeitos que ele possa causar, o narguilê tornou-se um modismo entre os jovens. Tornou-se in. Na verdade, públicos de todas as idades embarcaram, do ano 2000 para cá, nesta aventura de fumar arguile com a simplicidade como se toma um suco natural nos bares. Só que os efeitos de um suco e o fumo são diametralmente opostos´´, alerta.

    O fato é que muitas pessoas justificam que o narguilê seria inofensivo porque a água ou outro líquido dentro do vaso supostamente filtraria os malefícios do tabaco. Mas isso não é verdade. Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) mostrou que uma sessão de arguile equivale a nada menos do que fumar 100 cigarros. A quantidade de fumaça e substâncias tóxicas inaladas nos dois casos é a mesma.

    O pneumologista Carlos Alberto Viegas, autor do estudo, conta que a água ou líquido aquecido filtra apenas 5% das impurezas. Outra falsa informação é a de que o produto não vicia. As altas concentrações de nicotina denunciam o engano. Também se deve levar em consideração que o ato de compartilhar a biqueira com outras pessoas pode transmitir doenças como herpes, hepatite e até tuberculose.

    Sabongi conta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca que a fumaça do arguile contém inúmeras toxinas que podem causar câncer de pulmão, doenças cardíacas entre outras. ´´Ao contrário da crença popular, esses cachimbos de água têm nicotina suficiente para criar dependência, mas, por estar menos concentrada, reduz as náuseas e permite que o consumidor consiga ficar mais tempo exposto às substâncias cancerígenas do tabaco e a gases perigosos, como o monóxido de carbono´´, explica.

    O pior de tudo é que o narguilê está servindo para experiências ´´espetaculares´´ à diversas pessoas. Muitos grupos de amigos resolvem colocar bebidas com alto teor alcoólico onde deveria ir água, misturam balas de menta moídas com o fumo e usam inclusive para fumar maconha de uma forma diferente. ´´Isso é real. Infelizmente entre os jovens da atualidade existe um modismo e uma apologia ao uso da droga. Tudo isso é fruto de má formação emocional nos lares, onde a auto-estima não é cultivada desde a tenra idade. Mas este seria um estudo de sociologia amplo para discussão´´, observa Sabongi.

    O que vale deixar bem claro é que o narguilê em si, sendo utilizado da maneira correta com fumo com aroma de frutas, melaço e aromatizantes, já é prejudicial à saúde. Portanto, a utilização com qualquer produto que não seja o usual é pior ainda. ´´O Ministério da Saúde, acredito eu, foi pego de surpresa com um produto que é totalmente novidade nos laboratórios de estudos aqui do Ocidente. Então não existe legislação que fale sobre o uso de arguiles, pois as pesquisas começaram a apresentar seus resultados recentemente através dos alertas da OMS. Enquanto isso, todos os dias surgem diversas novas receitas, feitas de forma desmensurada e inconsequente no que se refere ao uso de arguiles. O resultado disso, iremos constatar nos próximos anos´´, afirma.

    Sabongi explica que o arguile tem como origem o Oriente. Uma das versões é a de que teria sido inventado na Índia do século 17, pelo médico Hakim Abul Fath, como um método para retirar as impurezas da fumaça. Quando chegou à China, passou a ser utilizado para fumar o ópio, e assim permaneceu até a revolução comunista, no fim da década de 40. Na mão dos árabes, o cachimbo de água foi rapidamente incorporado para ser apreciado em grupo, acompanhado de café e prosa.

    As peças mais primitivas eram feitas com madeira e um coco que fazia o lugar do corpo. Com o desenvolvimento das civilizações e as expansões territoriais, o arguile, já similar ao que conhecemos hoje com base de cerâmica ou porcelana e corpo de metal, começou a ser divulgado, e trazido junto com especiarias como cravo e canela.

    Existem diversos tamanhos de arguile e os preços variam de R$70 a R$100. Os mais sofisticados variam muito de preço. ´´É bom lembrar que no início deste modismo todo, um arguile comum custava em média R$400 no Brasil. Após a chegada de tantos containers desta mercadoria e seus apetrechos, o custo caiu sensivelmente´´, revela.

    ´´É conveniente ressaltar que os hábitos dos povos orientais são completamente diferentes dos nossos. O que pode ser bom para eles, não necessáriamente se encaixa para nós. Fumar arguile nos países árabes é comum nas ruas, nos bares, nas casas e em ocasiões especiais. A preocupação governamental com a saúde nestes países não leva ao grande público, dados importantes para a sua manutenção e consequências da falta de cuidado´´, argumenta. ´´A força da comunicação e da mídia nestes países é infinitamente menor do que no Ocidente. Você não encontra anúncios de prevenção contra muitas doenças e a infra-estrutura sanitária de todos eles deixa muito a desejar. Logo, negligencia-se muito o que diz respeito aos cuidados com a saúde´´, conclui.

     

  • Autor: Khadine Novaczyk

  • Fonte: A Gazeta
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