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Jade |
"Coisas da Paixão"
Em minha incursão no meio da Dança, tenho me surpreendido cada vez mais com os caminhos que a paixão por essa dança tem nos levado.Percebo que, muito comumente, a Mulher que se aproxima da DV, por alguma razão, ainda quando quer, não consegue "se livrar" mais dela.
Durante muito tempo convivi com essas mulheres, convivo com algumas até hoje. Dentre elas, algumas já se tornaram bailarinas, poucas, depois de se tornarem profissionais, desistiram e outras que jamais se profissionalizaram estão por aí. Umas, pesquisam e investem seriamente na dança, apesar de não ter mais o intuito de se profissionalizarem. Outras, permanecem "enchendo os cantis", apenas, sem mergulhar... Fazem uma aula aqui, outra ali, assistem a Shows, vão às "Baladas Árabes" e só.Algumas (poucas, para nossa sorte) se sentindo "excluídas do Mercado de DV" resolveram montar "exércitos de artilharia". Isso tem, de certa forma, "atiçado severamente" minha curiosidade... Passei um tempo observando e me perguntando "por que?" até que, dia desses, tive um "insight": Paixão! A paixão é assim!
Traz consigo, ao mesmo tempo uma sensação de "poder enfrentar o Mundo inteiro" e suas "loucuras naturais": a raiva, o melindre, o desdém...
Coisas da paixão. Paixão por Dança do Ventre. E isso fica, quase que completamente, "entre nós", mulheres. Aliás, ficava...Esses vinte e tantos anos de Dança do Ventre no Brasil foram tempo suficiente para formação de "Clãs", o que é naturalíssimo em qualquer meio.
Nos últimos anos, um novo "Clã" se formou. Este é o mais democrático de todos: o de
"Críticos de Dança do Ventre"
.
Todos
são bem-vindos!!! (homens, senhoras e até crianças). Este Clã é formado, em sua
maioria por três grupos básicos:
1) "Anexos" (mães, filhos, parceiros),
2) "Simpatizantes" (alunas, fãs e afins) e
3) "Exes" (plural, criado por mim mesma da palavra
"ex": ex marido e ex namorado
de bailarina, ex bailarina, ex aluna, etc...).
Tem um outro, formado, em sua maioria pelos "Anexos" que vestem a camisa do "anexador e de seus ídolos" e só! Estes têm uma certa resistência a "aceitar bailarinas novas" e sua referência é sempre o "anexador" e suas preferências. São uma espécie de "Torcida Organizada" (ui! torcida pra Arte? Precisa?).
Há outro que é como alguns Críticos de Música, que são pessoas que estudaram música à exaustão, até chegarem à conclusão que não seriam músicos profissionais (por falta de tempo ou talento ou outras opções profissionais mais rentáveis que a arte - aliás, um imenso leque de possibilidades!) mas, ao mesmo tempo, não tinham "o que fazer" com todo aquele conhecimento. Este grupo se subdivide em dois:1) Os "Do Bem": Observam, criticam, participam, vão aos Shows, quando gostam, contam pra todo mundo e quando não gostam, contam pra todo mundo e mais uma meia dúzia, reclamam do mercado, dos "caminhos pra onde está indo a dança", são críticos de verdade e estão sempre de olho! .
2) A outra "metade" é a "Do Mal", a "Melindrada", mesmo... Duro de admitir (eu resisti por anos!!) mas, sim, existe uma turminha (coisas da paixão, lembra?) que tem "tolerância zero" com quem trabalha aqui ou ali, ou desde o ano "X", ou na cidade "Y". Esta turminha, quando pertence a um Clã (um nome, uma escola, um espaço ou uma "casa de chá") passa boa parte de seu precioso tempo de olho na "concorrência" esperando um erro, ou alguma coisa que pareça um erro pra, de certa forma se realizar, se deliciar e pôr seu discurso, seu conhecimento a disposição! Me dá um certo "medo", mas, ao mesmo tempo, penso em uma coisa maravilhosa que li certa vez: "todas as pessoas estão, ou oferecendo amor, ou suplicando ajuda" e é onde acabo "chegando" quando não entendo uma "coisa", quando, por mais que pense, que tente, não consigo entender "o que essa pessoa tá fazendo?" daí me pergunto se é "oferecendo amor" e descubro, em pouco tempo que é alguém precisando de ajuda... Tento me aproximar, "dialogar", normalmente dá errado, mas já tive experiências maravilhosas que começaram com um e-mail (meu) dizendo "você pensa que está falando com quem?" e, algumas gotas de suor e lágrimas depois, acabaram em "te entendo", "você tem razão" "estava num dia ruim" "você me interpretou mal" dos dois lados (meu e "delas") e eu me sinto muito vitoriosa, muito "ensinando alguma coisa". (Soa meio prepotente isso, não? Imagino que sim... Acho que isso é "instinto de professora", sou professora de alguma coisa desde os 14 anos de idade, queria ser professora antes, quando criança, tenho esse instinto, essa "obrigação", de ensinar o que estiver a meu alcance).
Eu não sei o que vai acontecer com a Dança do Ventre no Egito (lá, além de arte é uma forma de "Resistência" de "afirmação" do espaço feminino, da sensualidade, coisa que aqui "a gente não precisa", já fizemos isso nos anos 60 com a minissaia, mas isso é outro assunto...) mas aqui no Brasil, me arrisco a dizer que não acaba mais... Teve uma subdivisão muito clara do estilo que se dança no Egito e no Brasil (a "ousadia" das egípcias, o exagero de interpretação são inviáveis no mercado brasileiro, pela ausência de sentido aqui, na nossa cultura, nosso humor e nosso "sonho" com relação ao Oriente) e a Dança do Ventre Brasileira (sim! há uma! e mundialmente conhecida!) já tem sua personalidade, seu caminho autônomo. Às vezes, tenho a impressão que daqui há alguns séculos, alguém vai escrever uma tese de Pós em Dança que será "O Movimento Migratório da Dança do Ventre para o Brasil" rs... Já pensou? Eu já!
Ou, mesmo antes de "alguns séculos", em alguns anos, mais gente
(além da gente) vai querer entender como é que essa dança, simplesmente,
"aconteceu" no Brasil? Daí, se eu estiver viva, já estarei engajada em algum clã
de Críticos e, prá quem está começando agora, já vai um aviso:
estarei de olho
em vocês!
rs!
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| Opinião
sobre Jade El Jabel
Jorge Sabongi - Khan el Khalili - Egypt |
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