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“A Escassez de Definições e Informações Sobre A Dança  Oriental - Uma Relfexão Necessária 
por Luciana Arruda
 
          “Começo esse artigo partindo de um ponto de vista particular (que estou expondo à você, e não impondo) de que  a Dança Oriental é uma unanimidade em termos de impacto, beleza e dúvidas. Dentre muitas modalidades de dança, somente esta tem esse fascínio imediato para quem assiste ou pratica essa arte; e é também uma  das modalidades mais cerceada de dúvidas  e indefinições em torno de suas origens, nomenclatura e direcionamentos.
       A Dança Oriental ainda precisa nortear o seu histórico perante a expansiva diversidade de movimentos e adaptações culturais existentes e, assistimos ansiosos, a crescente busca de informações  e pesquisas sobre suas nuances rítmicas, folclóricas, modernas e nomenclatura dos passos. Se voltarmos aos primórdios dessa Arte - lembrando que até hoje não há um consenso das origens da Dança Oriental - é possível constatar que paira uma aura de questionamentos em torno dessa Dança a começar pelo seu próprio nome: Raqs Sharki; Dança do Leste; Dança Árabe, Dança do Ventre até culminar em Dança Oriental, definição essa mais aceita mundialmente por abranger a região que abarca as suas raízes e difusão.
     Ao tentar definir a Dança Oriental percebe-se que a dificuldade maior é tentar elaborar um ‘consenso teórico’ em torno da exata origem, dos significados e da nomenclatura da dança. Os poucos materiais de pesquisa publicados no Brasil definem a  “dança com origens no Egito, difundida por Árabes e ainda com nuances culturais turcas, libanesas e americanizadas”. E isso não é uma crítica, mas é uma resenha de material pesquisado no exterior e que vem até nós com todos os problemas de tradução e minimalismos perante uma Arte antiga, que merece o respeito e que ainda não foi devidamente elaborada como deveria do ponto de vista teórico e cultural.
     A questão da nomenclatura é ainda mais difícil, pois como definir e registrar passos que são executados mundialmente, mas cada um com um nome ou associação específicos? No Ballet, por exemplo, um plie é sempre um plie em qualquer parte do mundo, já na dança oriental será que um oito maia é para mim o mesmo que para uma bailarina americana?
      É claro que existem profissionais sérias que tentam suprir essa carência literal e fazem um excelente trabalho de pesquisa, mas coloco para refletir uma outra questão: até que ponto é importante essa definição e nomenclatura, será que um aparato de nomes e ritmos pré-definidos não iria diminuir a espontaneidade na Dança Oriental? Ou seria apenas um referencial?
      Na crescente busca por definições passamos por constrangimentos acerca da nossa Arte ao nos depararmos com páginas e páginas de sites que simplesmente compilam traduções errôneas e jogam ao acaso informações sobre rituais sagrados e danças folclóricas inexistentes. Como nos proteger dessa intervenção? A resposta a essa pergunta cabe a nós, devemos questionar toda fonte de informações e pautar nosso conhecimento em pesquisas e fontes fundamentadas e confiáveis.
       Essa iniciativa da Khan El Khalili em abrir um espaço para artigos fundamentados sobre a dança pode ser um início, assim como o esperado livro de Lulu sobre a Dança, o qual acredito que será recheado de resultados significativos de suas pesquisas em suas viagens pelo exterior e encontros com quem realmente entende de Dança. Uma conquista que também deve ser mencionada foi a criação do Código de Ética da Dança do Ventre (disponivel no site www.orienteencantoemagia.com.br) que delimitou a relação entre Arte e Bailarina e dispõe sobre os cuidados com a imagem e respeito a dança.
        Espero que esse artigo que seja um estímulo para estudo e pesquisa e, para quem quiser começar com um pouco de teoria sociológica e antropológica, sugiro o livro “Dance e Recrie o Mundo” da Psicóloga Lucy Penna, é um bom começo. Após ler esse artigo, dê uma pesquisada nas páginas da KK, de Lulu e nos links sugeridos para pesquisa. É partindo do conhecimento que é possível expressar a sensação.
“ A bailarina que nada conhece não dança, apenas se movimenta”.

Luciana Arruda - Guararapes-SP


Luciana Arruda