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Quando fala-se em Turquia, a imagem que vem à mente da maioria das
pessoas é a de um sultão, com seu harém e seus músicos, num enorme e
fantasioso palácio otomano. Outros evocam Istanbul e suas mil maravilhas, com
seus monumentos e mesquitas, os barcos atravessando diariamente o Estreito de
Bosforo. Há ainda quem lembre dos derviches que giram, num tipo de dança mística...
Se essas diferentes facetas turcas vêm à tona quando um olhar
estrangeiro se dirige a elas, nos podemos imaginar que para os próprios turcos
também deve ser complicado se identificar à multiplicidade de culturas que
existem dentro desta nação cuja coesão interna baseia-se na diversidade em si
mesma. A Turquia é, e aliás sempre foi, um enorme e intrincado “mosaico”
cultural, e isso pode ser verificado se nos tomarmos por base toda e qualquer
característica da vida cotidiana turca.
Aliás, na vida do dia-a-dia turca, uma coisa é básica : tem musica em
todo lugar !! E o barato é que são musicas de diferentes tipos e ritmos, de
várias
épocas e que refletem diferentes ideologias ao longo dos anos (e mesmo séculos
!) passados. Entre o Ocidente e o Oriente, a alma da Turquia oscila desde
tempos imemoriais, sempre mantendo um equilíbrio próprio que faz a sua diferença.
Junho de 2002, Copa do Mundo de futebol : Turquia em festa comemorando o terceiro lugar no podium. E
como não poderia deixar de ser, um país que se preze, tem que ter nessas ocasiões uma musica “grito de guerra”,
senão não teria graça... Pois
bem, a da Turquia não somente embalou o pais inteiro durante mais de um mês,
mas também refletiu a importância da união que faz a força nessas ocasiões
: Bir Oluruz Yolunda (“Nos seremos um so no caminho”) do
Tarkan combinou arranjos modernos, eletrônicos e vozes de torcedores gritando
e cantando nos estádios pra motivar os jogadores aos mais antigos
instrumentos musicais turcos, e mais típicos também, ou seja, o davul
(um tambor grandão) e a zurna (tipo de flauta mizmar). Assim, os turcos
sempre procuram aliar o presente ao passado, revalorizando as tradições
antigas e os costumes, para que nada seja esquecido. Isso também porque ao
longo da historia da Turquia teve tanta coisa que rolou, que seria pena deixar
de lado. E felizmente, os jovens têm consciência disso, pois afinal, faz
parte deles também !
Uma outra coisa também muito recente e até de certa forma inesperada,
é a retomada de interesse das jovens turcas à dança do ventre. Há uns dois
anos, escolas e academias proliferam nas grandes cidades e centros urbanos, e
Istanbul conta com vários exemplos. A fim de parecerem “modernas”, as
jovens turcas buscam na dança oriental um jeito de se destacar pela
sensualidade e retomar algumas tradições que foram banidas do pais durante
muitos anos ; antes tarde do que nunca !!
Na verdade, desde 1923 (ano da Proclamação da Republica) foi feito de
tudo para tentar desvincular ao máximo a Turquia da imagem dos últimos anos
do Império Otomano, muito ligado à comunidade muçulmana (e que não
distinguia propriamente árabes de turcos de curdos, pois todos tinham a mesma
religião, o que prevalecia). O primeiro presidente, Mustafa Kemal (Atatürk)
procurou estimular ao máximo a reaproximação da Turquia à Europa e ao
Ocidente, para que o pais pudesse se desenvolver em vários setores (economia,
social, etc); em conseqüência disso, e para “legitimar” aos olhos
ocidentais o interesse de comercializar e manter relações com a Turquia, o
pais teve que abdicar da maioria dos costumes e praticas ligados à cultura árabe
: a identidade puramente “turca” , do termo türkçülük utilizado
pelo intelectual Ziya Gökalp (que muito influenciou Mustafa Kemal)
sobre o qual a construção
da nação se baseava, deveria se fazer mais forte.
Foram feitas então várias pesquisas e coletas de musicas, danças e
línguas regionais, etc. em várias regiões do pais, principalmente nos
vilarejos e cidadezinhas do centro da Anatolia (região central da Turquia), a
fim de “redescobrir” o que era tipicamente “turco”, para que a
“verdadeira” cultura do pais pudesse então ser transmitida aos jovens e
crianças. Ai então entrou o “veto” ao ensino de tudo que tinha alguma
coisa a ver com a cultura árabe : a língua árabe saiu do currículo escolar,
bem como a obrigação das mulheres de usar o shador em lugares públicos
(aliás uma outra base da Republica recém-nascida e até hoje é o fato de
ser laica, e o exército do pais tem uma função muito importante para
garanti-la e evitar todo extremismo religioso). E a dança oriental também
foi “banida”, como resquício de um passado otomano misturado a elementos
árabes, do qual era preciso se distanciar temporariamente para assegurar a
consolidaçao do Estado-naçao turco.
Porém, em meados dos anos 40, começou na Turquia o que se chamou de
cultura dos gazino. Mas os gazino nao eram cassinos, como pode
parecer, e sim cabarés onde se tocava e escutava musicas orientais,
principalmente nos moldes egípcios (em grande parte graças à difusão dos
filmes e rádios egípcias em todo Oriente Médio na época). Era proibido
segundo a lei, mas todo mundo meio que sabia onde ir e quando ir... E tinha
também vários tipos de gazino : dos mais conviviais, chamados aile
gazinosu (literalmente “cabaré de família”), aos mal-afamados paviyon
(principalmente nos subúrbios de grandes aglomerações urbanas, onde era
melhor nao dizer que se ia por várias razoes...). Mas o que importa é que em
todos os gazino o que chamava a atençao e que fazia juntar o publico
todo era a musica e a dança oriental. Pode-se dizer que os gazino
tiveram um papel importante na manutenção da dança oriental na Turquia,
mesmo em tempos onde tudo que era considerado como vindo de influência
cultural árabe era diretamente visto (oficialmente) como “sujo” e “desagradável”.
Mas a “onda” oriental que viria sacudir a Turquia e espevitar os
cabelos dos kemalistas (seguidores da doutrina sócio-políica de Mustafa Kemal
“à risca”) começaria mais tarde, lá pelos anos 80. Vários fatores
concorreram para tal “revoluçao” cultural do pais, entre eles o aumento
do êxodo rural em direção às grandes cidades e as dificuldades para se
adaptar ao contexto urbano dos recém chegados (um pouco como os nordestinos
que vêm para São Paulo ou Rio), etc... E também tem o seguinte, que uma
grande parte da população já estava meio com as “orelhas cansadas” de
escutar o mesmo tipo de musicas ditas “tipicamente turcas” (türk halk
müziği) desde 1923... Então apareceu uma nova geração de cantores
como principalmente Orhan Gencebay e Ibrahim Tatlises, com arranjos musicais
lembrando os makam árabes, mas literalmente arranjados alaturka.
E o barato foi ver com que velocidade e intensidade as fitas k-7 deles começou
a tocar sem parar em todo lugar no pais, e principalmente nos dolmuş
(tipo de táxis coletivos) de um ponto a outro da Turquia, reivindicando uma
musica composta pelo próprio povo e que fosse de seu agrado, independentemente
das prescrições do governo e do Ministério da Cultura.
E nos últimos tempos, fim dos anos 90 e começo desta década, veio a
“pop music”… é, a Turquia também foi tomada pela mesma febre musical
!! Mas como sempre de um modo particular, pois as grandes “stars” pop
turcas foram projetadas internacionalmente, como Sezen Aksu, Mustafa Sandal e
Tarkan. Este ultimo ficou conhecido, todo mundo sabe, pelo seu felino olhar
sensual e seu “beijinho” mundialmente cobiçado desde seu “hit” Şımarık,
em 1995.

Há alguns dias, Sertab Erener ganhou o concurso Eurovision 2003 (com a
musica Sen üzülme diye / Everyway that i can) em nome da Turquia,
suplantando todos os outros paises do leste e oeste europeus. Prova de uma
nova redescoberta de antigos ritmos e instrumentos típicos, a musica pop turca
também teve sua parte de influência no relance à moda da dança do ventre
na Turquia, pois ela retoma vários elementos da musica árabe que,
finalmente, também faz parte da complexa identidade musical turca.
A dança oriental turca, ou göbek dans (literalmente “dança do
umbigo”) é bastante diferente da egípcia, síria ou libanesa. Os ritmos não
são sempre os mesmos, e a sonoridade também não é igual. Os movimentos lânguidos
e serpenteados são privilegiados, assim que aqueles que necessitam de um
controle intenso e impecável da respiração e da contração e distensão cíclicas dos
orgãos internos do baixo ventre (“camelo”, oitos laterais,
etc.). Tais movimentos podem ser longos e prolongados de propósito, pois a
bailarina faz questão de realiza-los com extrema precisão. Alias, na Turquia
em quase todas as danças dá-se muita atenção à respiração (nefes),
segundo antigas tradições anatolianas e correntes do Islam que exaltam o
“ar” que Deus soprou em Adão para fazê-lo viver...
Por outro lado, a posição e os desenhos no ar dos braços e
mãos da
bailarina parecem não ser tão importantes e codificados, ficando à livre
interpretação individual.
Na Turquia, é muito comum dançar com “alguma coisa na
mão”. E incrível a variedade de utensílios que podem ser utilizados nas danças
folclóricas : de jarros e taças, passando por espelhos e sabres, a escudos e
outras coisas. Na dança do ventre tipicamente turca, as bailarinas freqüentemente com o
bastão ; por outro lado, se uma bailarina entra para dançar
com um véu significa diretamente que sua dança será tipicamente nos moldes
egípcios “importados”…
Mas para dançar, antes tem que ter musica ; na Turquia, digamos que
existem três instrumentos “carro-chefe” incontornáveis em qualquer ocasião :
são eles o saz, o davul e a zurna.
-- Atenção, existem inúmeros outros instrumentos importantes também,
como o tanbûr e outros, mas aqui vamos nos interessar somente aos mais
comuns no cotidiano. --
O saz é um nome genérico para todos os tipos de
alaúde, e um dos
nomes particulares dele também muito freqüente é bağlama ;
é o instrumento mais apreciado no pais inteiro e que se tornou ao
longo dos anos um símbolo da liberdade criativa e poética dos músicos (todo
mundo que entra num conservatório vai querer aprender a toca-lo em primeiro
lugar !!).
O davul é um tipo de caixa enorme (maior e um pouco mais profundo
que a tabla baladi egípcia para se ter uma idéia), e que se toca de um
lado com uma baqueta fina (sons agudos rápidos) e de outro lado com um utensílio recoberto de pele (para sair um som grave e forte).
A zurna é um oboé (tipo de flauta mizmar), que o musico toca sem
parar e respirando ao mesmo tempo, o que faz com que suas bochechas infladas
sejam uma constante.

Costuma-se falar do “casal” davul-zurna, pois os dois
instrumentos nunca são tocados um sem o outro, e os dois aliás vêm da
tradição
das orquestras militares otomanas, os mehter, que iam na frente dos
soldados tocando e fazendo barulho para “avisar” quem estivesse à frente
que eles estavam chegando… Dai pode-se imaginar a escolha desses dois
instrumentos, bastante sonoros e que se pode ouvir à distância. Quanto ao saz,
em geral ele sempre foi um instrumento ligado ao palácio e à corte, ou por
outro lado às reuniões (sobretudo masculinas) em cafés e lugares próprios no
centro da Anatolia desde tempos imemoriais, ou seja a tradição de bardos
itinerantes e trovadores, os aşık, desde o século XV.
davul
Ao som do casal davul-zurna pode-se dançar de tudo na Turquia;
praticamente todas as danças folclóricas têm esses dois instrumentos por
fundo musical. E existem tantas danças folclóricas… Há mesmo quem fale em
mais de mil tipos diferentes… Assim, é difícil de classificá-las
corretamente; é preferível então considerar seis principais “familias” de
danças folclóricas turcas, que são o zeybek, halay, horon, bar, karşılama
e kaşık.
As danças zeybek são características da
região oeste da
Turquia (Izmit, Denizli, Eskişehir...), e pode-se dizer que elas são
unicamente masculinas. Elas são solitárias e lentas, e se distingüem das
outras danças por seu tema principal : a luta entre guerreiros (ou tipos de
“foras-da-lei” gentis); as melodias são lentas e marcadas, assim que a
performance dos oyuncular : termo turco que designa
tanto “aquele que dança” (bailarino) como “aquele que representa
um papel” (ator). A dança é então tanto uma celebração musical quanto
artística e cenográfica. As melodias se estruturam em nove tempos, e criam uma
tensão dramática que se renova a cada ciclo da dança (que começa bem lenta e
acelera aos poucos).
Esta dança foi levada às telas em 2001 à través do filme Deli Yürek
(“Coraçao louco”) do cineasta Osman Sinav, o que contribuiu para
uma nova “onda” de interesse à tradição cultural.
Quanto às danças halay, são as mais freqüentes e espontâneas
em toda a Turquia. Há quem diga que elas representam aproximadamente 35% de
todas as danças do pais. São danças coletivas e não raro ao ar livre,
sobretudo em ocasiões como festas e casamentos, onde se faz uma corrente de
pessoas, e a primeira delas (halaybaşı) terá um lenço
bordado na mão, para fazer movimentos especiais. Parece um pouco com as dabke
egipcias, sirias e iraquianas, e sempre se dança ao som do saz e do
“casal” davul-zurna. Aliàs o tocador de davul pode também
reivindicar um papel importante na dança e se posicionar no meio da corrente
(que gira em volta dele), e então a pessoa que está na ponta da corrente faz
movimentos precisos em volta do davul. Estas danças existem de um centímetro a outro de toda a Turquia, mais as mais famosas e a maior parte
delas vêm da região leste, como de Erzincan, Elazığ, Diyarbakır,
etc...
Por outro lado, existe uma dança unica da Turquia e própria às
regiões
costeiras em contato com o Mar Negro como Trabzon, Samsun, Ordu : o horon.
Nesta dança, originária dos povos laz presentes em volta do Mar Negro
desde o Império Otomano, dançam homens e mulheres ao som de um tipo de viola
rústica, o kemençe, que produz um ritmo muito rápido chamado aksak,
literalmente “manco”, ou melhor, com muitas reviravoltas bruscas, e muito
animado. (Lembra de longe os ritmos “country” !!) Os homens geralmente
“tremem” os ombros para imitar os movimentos das anchovas quando caem na
rede dos pescadores da região e as mulheres usam vestidos típicos de
camponesas para dançar.

Na região sudeste da Anatolia (Erzurum, Erzincan, Kars, Ağrı),
encontramos as danças bar. Por sinal, não são danças que se
performam em bares, mas sim em ocasiões especiais e quase sempre em duas
fileiras (de nove pessoas de maos dadas) face à face. Aliás, pelo fato das
pessoas estarem uma na frente da outra, em Istanbul (onde ela é especialmente
apreciada e conservada) esta dança chama-se karşılama, que é
um termo que explica a relação entre duas pessoas frente à frente. Homens e
mulheres então dançam em frente uns dos outros, com movimentos bastante estéticos
e precisos, porém sem se tocar. A fileira dos homens costuma ser o objeto da
maior parte dos olhares, pois ela materializa o ideal de união e lealdade entre
amigos que se respeitam mutuamente. Eventualmente um casal pode se
“desligar” das respectivas fileiras e dançar em solo, executando passos
mais complicados e “ousados”.
Por ultimo, existem na Turquia as danças que requerem um
utensílio nas mãos : são as kaşık, colheres de madeira cujo barulhinho
parece o de castanholas e enriquece a musica, como os snujs (que em turco
se chamam ziller, e que também são muito freqüentes e apreciados). São
principalmente danças herdadas das tribos nômades da região central da
Anatolia, e as mais antigas também.
as
colheres kaşık
Resumindo,
existem inúmeros outros tipos de danças turcas mais especificas, por exemplo
as güvende (onde um irmão convida o outro a dançar para exaltar sua
cumplicidade fraternal), as köçeri, bengi, etc, e seria muito
difícil e exaustivo de fazer um inventário completo.
As
danças folclóricas pontuam e colorem as ocasiões mais importantes da vida
social na Turquia, à saber : nascimentos, circuncisões, ida ao serviço
militar , a volta do serviço militar, e principalmente os casamentos.
Mas
à parte este social, marcado pela musica e por festas e danças, não podemos
esquecer que na Turquia uma grande parte da tradição musical foi herdada e
conservada graças aos mosteiros soufís (tekke ou dervişhane),
cujos membros seguem uma concepção mística e esotérica do Islam. Para eles,
o que prevalece é a relação pessoal de cada individuo com Deus, e nesta relação
o que importa é somente o amor e o respeito, ou seja, o individuo deve se
despojar de todos os valores e ambições materiais; dai o nome de derviş
(“derviche”), que em turco significa “pobre” , ou seja, o individuo
desprovido de interesses terrestres e pequenezas.
As
confrarias (tarikat) mais conhecidas na Turquia são as bektaşi e
mevlevi. E quase uma proeza de tentar estabelecer quantas pessoas são
ligadas à uma e à outra, pois as confrarias continuam sendo ilegais (o governo
teme sempre que se tornem centros de extremismo religioso), mas desde alguns
bons anos elas vêm se expandindo nas melhores condições possíveis de tranqüilidade
e paz, e cada vez mais o numero de adeptos é crescente.
Quando se fala em derviches, grande parte das pessoas imagina já aquelas pessoas vestidas especialmente para a ocasião, com uma longa túnica branca e um longo chapéu em forma de cone de lã, girando em torno de si mesmos. Estes são os derviches mevlevis, cuja principal celebração, o ritual do ayin, é composto por uma fase inicial, o zikr (invocação rítmica e cíclica de Allah e dos cem nomes árabes que indicam suas qualidades únicas, conduzindo todos aqueles que participam a um estado de transe místico e puro), e a dança sema. Esta ultima representa a união do individuo a Deus e ao cosmos, segundo uma teoria que considera a translação universal de uma coisa em volta de outra. Assim, apos receber uma benção do chefe espiritual da confraria, os derviches começam a girar em torno de si mesmos, as túnicas brancas abrindo à medida que eles giram mais rápido; os braços geralmente começam cruzados sobre o peito, em seguida descem naturalmente relaxados e o esquerdo continua flexionado para baixo enquanto o direito é levantado : o derviche estaria então simultaneamente em comunicação direta com a terra e com o céu. Por isto os mevlevis são comumente chamados de “whirling dervishes” ou “derviches tourneurs”.
Falando
em derviches, um instrumento típico deles é a flauta ney, à qual eles
atribuem uma grande importância, pois graças ao sopro do musico ela produz o
som cristalino que vai contribuir a induzir o estado de transe místico no
derviche para a sema. Têm-se então um paralelo entre o “sopro” (nefes)
de Deus fazendo viver Adão e o som da flauta que é estado superior que alcançaria
o derviche... Enfim,
quando se trata da Turquia, pode-se abordar um mesmo tema ou idéia de mil
maneiras diferentes e segundo inúmeros ângulos distintos, tanto a diversidade
cultural do pais é importante. Construída ao longo dos séculos e dia apos
dia, com a herança de múltiplas civilizações que atravessaram a região ao
longo da Historia e recentemente com os novos contatos e influências do
Ocidente, a cultura turca é extremamente rica e intrincada, como um verdadeiro
mosaico bizantino que intriga e deixa maravilhados todos os pares de olhos que a
ele se dirigem. E nada como a musica para ilustrar tão bem esta diversidade.
Vulnávia
- 07 / 06 / 2003
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