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Oriente: ilustre berço cultural
por Leandro Samuel Martins

Matemática e Geometria. Duas palavras que deixam a maioria dos alunos do ensino fundamental e médio de cabelo em pé. Soubessem eles quais foram as pessoas que contribuíram para a evolução dessas ciências, possivelmente as esganariam. E esganariam junto duas das culturas mais ricas do mundo: a árabe1 e a hindu.

Foram esses dois povos, sem dúvida, os que mais contribuíram para o avanço da Matemática e da Geometria, sem contar o de outras inúmeras ciências como a Medicina, a Física e a Astronomia.

No entanto, usamos corriqueiramente palavras das quais sequer sabemos a origem. Dificilmente, um aluno de ensino médio sabe, por exemplo, de onde vieram as palavras algarismo e álgebra. Ei-las. Existiu, por volta dos anos 780 a 850, onde hoje é o Uzbequistão, um famoso matemático árabe de nome Al Khwarismi. Nessa área, desenvolveu importantes estudos sobre os numerais que utilizamos atualmente. Além disso, parece ter sido ele quem incluiu um novo símbolo entre todos os já existentes, o zero, que veio facilitar muito as contas posteriores. Al Khwarismi ainda instituiu a notação posicional dos números, o que fazia o número 38, por exemplo, ser lido como contendo três dezenas e oito unidades. Por todos os estudos e descobertas por ele realizados no campo da Matemática, os símbolos de numerais que hoje conhecemos levam o nome de algarismos, em homenagem a seu nome. De outra renomada obra de sua autoria, também surgiu a palavra álgebra.

Quando um aluno hoje calcula o seno ou o co-seno de um ângulo, mal pode imaginar que deve isso aos árabes. Foram eles que trouxeram um importante avanço na área da trigonometria plana e esférica, fazendo da cultura e sapiência islâmicas o que havia de mais rico na época. Imbuído desse espírito da “Idade de Ouro” oriental, um hindu chamado Lahur Sessa inventou o jogo de xadrez, sobre o qual figura uma lenda mística, propagada por todos os cantos do globo.

De modo geral, as culturas orientais, principalmente a árabe, apresentam peculiaridades muito interessantes. Muitos devem se recordar da novela “O Clone”, em que uma parte da cultura árabe muçulmana tentou ser mostrada. E o coitado do telespectador deve estar se perguntando até agora o que significam muitas das expressões lá pronunciadas, todas as noites, em cada capítulo a que assistia. Pois bem, vou tentar aqui elucidar algumas. O cumprimento, muito comum entre árabes amigos e crentes, é o salam aleicum, uma saudação habitual e da qual se originou o termo em português salamaleque. A resposta a esse cumprimento geralmente é dada por aleicum essalã. Ambos significam algo como “que a paz esteja contigo”. Porém, a curiosidade maior deve ser por saber o que significa a expressão que a menininha Khadija, filha da personagem Jade, dizia e que muitos repetiam sem nem saber o que era. Inch’ Allah!! Lembram-se? Pois é, essa é uma expressão como “tomara!” para nós. Porém, a tradução fiel seria: Queira Deus!

Há muitas lendas e contos orientais, principalmente no campo da Matemática e da Lógica, para serem contados. Mas, para encerrar, cabe aqui uma última curiosidade. Muitas vezes dizemos frases feitas sem mesmo imaginar seu significado. Afinal, quem nunca ouviu a célebre frase “pelas barbas do Profeta”? Essa sentença, que dizemos ou ouvimos tão freqüentemente, tem origem árabe. Os árabes muçulmanos a usam dentre muitas outras para exprimir espanto ou exaltação, assim como nós. Porém, a expressão tem para eles um significado especial, uma vez que o Profeta nela mencionado é Maomé, o fundador do Islamismo. Uassalã!2

1 É importante que se entenda aqui o árabe como cultura e não apenas aquilo tem origem na Arábia Saudita. A cultura árabe figura em muitos países como Irã (antiga Pérsia), Turquia, Iraque (cuja capital, Bagdá, é um expoente da cultura muçulmana) e muitos outros, até mesmo a Espanha quando da invasão muçulmana na Península Ibérica.

 2 Expressão que os árabes muçulmanos dizem após o encerramento de um discurso e que significa “fiquem em paz”.

 Referências Bibliográficas

 Livro:  Malba Tahan – O Homem que Calculava

 Sites de apoio:

http://www.malhatlantica.pt/mathis/Arabes/Kwarizmi.htm

http://www.geocities.com/ibnkhaldoun_2000/legadociencia.htm

http://piano.dsi.uminho.pt/disciplinas/PAED/temas/alk/alkp.htm

 Observações Finais

Existem muitas lendas, problemas de lógica e curiosidades árabes que poderiam ter sido aqui relatados, porém o artigo ficaria demasiadamente extenso. A lenda do surgimento do jogo de xadrez, por exemplo, é uma das mais interessantes e ainda envolve um problema bastante curioso. No entanto, acredito que essa e outras histórias poderão ser contadas aqui, neste mesmo site, em outra oportunidade e em alguns novos artigos.

Um grande abraço.

Leandro Samuel Martins
Estudante de Jornalismo da UMESP
- 2° Semestre
Santo André - SP


Leandro Martins