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“A
Dança Oriental como Ferramenta Terapêutica”
por
Luciana Arruda
Guararapes-SP
*Neste
artigo a associação da Dança como ferramenta terapêutica diferem das “danças
curativas” conhecidas, como Guedra, Zar entre outras. O intuito é expor uma
versão que não prioriza a ‘cura’ mas sim, através da Dança Oriental,
visa ampliar os caminhos e fortalecer a mulher que dança na busca dessa cura.
Definições:
A idéia desse artigo surgiu depois de contatos com pessoas em congressos e grupos de estudo acadêmicos que aqui e ali têm apresentado trabalhos informais que inserem a Dança do Ventre como proposta de auxílio terapêutico em Psicoterapia e Terapia Ocupacional, como nos casos de trabalhos voluntários em hospitais e atualmente nos programas relacionados ao Governo como “Escola da Família”.
A princípio é preciso estabelecer que o termo ‘ferramenta terapêutica’ refere-se à Dança Oriental como um instrumento, um meio de auxílio em processos terapêuticos sejam estes em psicoterapia, terapia ocupacional ou simplesmente no sentido de “bem - estar” . Este termo não tem cunho científico e nem é utilizado como Modalidade Terapêutica e sim como um apoio, uma “ferramenta” para construir, através da Dança Oriental, o processo de busca de soluções.
A abordagem da Dança como instrumento de transformação e ferramenta terapêutica não é recente, diversos registros em livros sobre Antropologia e Sociologia ressaltam esta função entre tribos africanas e indígenas, além de registros em povoados e regiões longínquas dessa época e das mais antigas.
Entretanto, é necessário considerar que há incidências de uso desvirtuado do processo terapêutico na Dança Oriental. É preciso deixar claro que não existe, até o momento, nenhum trabalho científico baseado em pesquisas com dados e amostra relevantes que comprovem os reais benefícios psicoterapêuticos da prática da dança oriental, apenas relatos informais; e há casos de aberrações como a utilização de elementos da dança do ventre em “cursos” de pompoarismo, guias de sedução, striptease e melhora de performance sexual ( ! ).
Em
casos como os descrito acima, fica muito difícil abarcar com seriedade as
nuances terapêuticas que a dança oferece, e seria interessante - e urgente -
uma mobilização cultural que coibisse esse tipo de associação em relação
à dança. Tendo justamente esse objetivo, esse artigo visa explicitar o que de
real a dança pode proporcionar em termos benéficos e em contexto estes se
inserem.
Vamos
começar por um pequeno histórico e definições, ao final uma pequena sugestão
de leitura e referências bibliográficas.
A Dança
A Dança, segundo a visão antropológica, era um dos indícios de que o homem vivia em sociedade, em grupos organizados. O primeiro indício de “civilidade” (no sentido de vida em grupo, hierarquias, geração e manutenção da espécie, noção de identidade e do outro) foi registrado com o ritual do funeral; por mais incrível que possa parecer, perante a ciência o homem demonstrou evolução social quando começou a enterrar os mortos. Em seguida, o homem passou a dançar.
Registros rupestres
(pinturas em cavernas) demonstram o homem caçando e lutando, com o passar do
tempo as pinturas passaram a apresentar o que poderia ser chamado de ‘dança’
e aí o homem deixou de desenhar nas paredes para desenhar em seu próprio
corpo, contando suas histórias e feitos. A dança surgiu como forma de
comunicar-se, num tempo no qual o homem ainda não articulava os sons da fala e
então ele dançava, comunicava-se utilizando os gestos do próprio corpo numa mímica
que de início tinha função “verbal’ e posteriormente adquiriu
significados ritualísticos, festivos e de cura.
A Arte da Dança Do Ventre e o Auxílio Terapêutico
Pensando no contexto atual, a Dança Oriental oferece um repertório maior de auxílio, pois a mesma possui um leque de movimentos que trabalham diversos grupos musculares, expressividade, elegância, presença em cena, musicalidade, deslocamentos e temáticas folclóricas, que permitem a mulher transportar-se no tempo, nos lugares e ‘brincar’ com os trajes e acessórios de forma única.
Na Dança Oriental trabalha-se priorizando a região do ventre, região esta que somatiza as emoções inclusive as dores, raiva, medos e expectativas (quem nunca teve uma ‘dor de barriga’ por estar ansioso? Ou não sentiu um ‘friozinho’ na barriga ao ver aquele belo par de olhos azuis? E as úlceras, comprovadamente instaladas devido a processos de stress?) a medida em que se trabalham movimentos, estes repercutem no psíquico, mesmo que inconsciente. Talvez, essa seria uma das razões fundamentais para a melhora nos processos de baixa auto-estima e melancolia, pois os movimentos “despertam” toda a estrutura corporal.
Se você realiza algum trabalho com dança nesses moldes, certamente já ouviu comentários sobre o tema. Mas por favor, respeite as raízes, leia e busque informações sobre como otimizar esse processo de busca e encontro em suas aulas, seja através das músicas escolhidas, das seqüências de movimento, da respiração ou da utilização do espelho.
À primeira vista, pode parecer surreal uma dança de raízes apontada como instrumento terapêutico, mas deve-se deixar claro que perante a apropriação da cultura oriental pelo ocidente, essas ‘utilizações’ da dança podem ser consideradas um tipo de “licença poética”, na qual é permitida e associação entre Dança Oriental e auxílio terapêutico.
Desculpem-me, mas não serei formal e nem irei me reportar a dados numéricos de pesquisa, embora pretenda fazer isso daqui uns anos, para demonstrar que é fato que os relatos de melhora de casos como melancolia, pânico, depressão e baixa auto-estima devido à dança têm aumentado de maneira estupenda. Tais relatos são observados informalmente em conversas com pacientes, grupos de bailarinas e grupos de discussão de internet.
Dessa maneira, é possível perceber uma brecha no campo de pesquisa psicológico científico: a Dança como auxílio terapêutico. Coloco-me a disposição para iniciarmos um trabalho sério de pesquisa com profissionais interessadas em aprofundar os estudos sobre os elementos que propiciam a melhora efetiva dessas pessoas que buscam na dança um meio para buscar soluções e as encontram.
Sim, há os indícios sobre a utilização do espaço, o equilíbrio, o contato com o corpo, as formas, aromas, tecidos, sonoridade, todos esses itens na dança oriental despertam variados estímulos mas seria interessante saber em que mecanismos agem e quais os reais benefícios psíquicos. Enquanto estudamos com o intuito de nortear algumas referências para a melhor utilização da Dança Oriental, vale lembrar que se há relatos, mesmo informais, de mulheres que melhoraram consideravelmente após praticar a dança oriental é fato que há nesse nicho uma semente que precisa ser cultivada.
Luciana Arruda
Referências:
-
O Poder do Mito
- O Corpo Fala
- A Bioenergética do Corpo
-
Máscaras de Deus
- Dançaterapia
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