Centenas de
CURIOSIDADES EGÍPCIAS
Parte 4



Um pouco de tudo...

IDADE ANTIGA OU ANTIGUIDADE

Idade Antiga, ou Antiguidade, foi o período que se estendeu desde a invenção da escrita (4000 a.C. a 3500 a.C.) até à queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e início da Idade Média (século V). Neste período temporal verificamos que as chamadas civilizações antigas, que conhecem a escrita, co-existem com outras civilizações, escrevendo sobre elas (Proto-História).

Diversos povos se desenvolveram na Idade Antiga. As civilizações de regadio - ou civilizações hidráulicas - (Egito, Mesopotâmia, China), as civilizações clássicas (Grécia e Roma), os Persas (primeiros a constituir um grande império), os Hebreus (primeira civilização monoteísta), os Fenícios (senhores do mar e do comércio), além dos Celtas, Etruscos, Eslavos, dos povos germanos (visigodos, ostrogodos, anglos, saxões, etc) e outros.

A Antiguidade foi uma era importantíssima, pois nessa época tivemos a formação de Estados organizados com certo grau de nacionalidade e territórios e organização mais complexas que as cidades que encontramos antes desse período da história.

Algumas religiões que ainda existem no mundo moderno tiveram origem nessa época, entre elas o cristianismo, o budismo, confucionismo e judaísmo.

O próprio estudo da história começou nesse período com Heródoto e Tucídides, gregos que começaram a questionar o mito, a lenda e a ficção do fato histórico, narrando as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso respectivamente.

OM KOULSOUM (Oum Kaltoum) - A DIVA DA MÚSICA
(1904 - 1975)

Todo país tem sua diva da música imortal.  Para os egípcios, esta era e é Om Koulsoum (ou Oum Kaltoum).  Ela é um verdadeiro mito.  Todos os títulos possíveis para aclamá-la foram e continuam sendo utilizados, mesmo após quatro décadas de sua morte. 

Cantava músicas que arrebanhava multidões e arrebatavam seus corações.

Cantava amor e poesia com extrema intensidade.  Seus recitais foram verdadeiros cultos.  Cada música durava mais de uma hora, e sempre se apresentava com vestido longo e um echarpe de musselina na mão.  Utilizava óculos escuros para proteger sua vista já doente. Não se tratava de uma figura que encantava pela beleza.  Seu encanto estava na voz: grave, quente, chorosa e penetrante.

As letras de suas músicas, feitas por diversos compositores, exaltavam nas canções a vida rural e camponesa do Egito. O folclore egípcio em si.  Falavam da vida simples.  Falavam principalmente de amor. Do amor saudoso à perda de um grande amor.

Nascida em 1904, começou a cantar a partir de 1935, se tornando conhecida através do rádio e da indústria do disco.

Os melhores poetas, letristas e os melhores músicos compuseram suas canções. Ahmed Sumbati, Abdel Wahab, Ahmed Rami, entre outros (para se ter uma ideia de seu repertório, somente Rami escreveu para ela 137 canções). Constam em sua discografia centenas de músicas escritas especialmente para ela nos quase 40 anos em que cantou.  Foi recebida em muitos países em que ia como verdadeiro chefe de estado.

 

Veio a falecer em fevereiro de 1975, vítima de hemorragia cerebral.  Centenas de milhares de pessoas participaram de seu funeral (fala-se em 2 milhões de pessoas).  A multidão ensandecida tomou posse de seu caixão e levou-o para uma mesquita.

Suas canções ainda hoje são absoluto sucesso e cultuadas por todo o povo do Oriente Médio.  Egípcios ao entoarem suas estrofes, ficam com lágrimas nos olhos.

Existe no Oriente Médio um canal de TV a cabo, que só toca os concertos de Om Kaulsoum 24 horas por dia.

 Compositores criaram músicas para ela, entre eles Mohammed Abdel Wahab (um monstro sagrado das canções egípcias), compôs uma dezena de seus grandes sucessos, entre eles "Enta Omri" ("Você é minha vida").  A letra de Enta Omri foi escrita por Ahmed Chafik Kamel.

 Se você passear pelas ruas do Cairo, ouvirá suas músicas diariamente nas mais diferentes formas: nas rádios, entoadas, pelos motoristas de taxis, condutores das felucas (barcos que navegam pelo Nilo), nos hotéis, na periferia, em cada esquina, cantadas por todos os egípcios.

Nas cidades mais ao sul então, é só o que toca.

Podem se passar 200 anos que ela não desaparecerá tão cedo do imaginário dos povos árabes.

Criaram um museu em sua homenagem e também cunharam moedas de ouro com sua efígie.  Sem dúvida alguma, Om Koulsoum vive!

Veja mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Umm_Kulthum

ANTIGO EGITO

O Antigo Egito foi uma civilização da Antiguidade que se desenvolveu no canto nordeste do continente africano, mais especificamente num território compreendido entre a primeira catarata e o Delta do Rio Nilo, limitando a leste com deserto da Arábia, a oeste com o deserto da Líbia, a sul com a Núbia e a norte com o Mar Mediterrâneo.

A história do Antigo Egito inicia-se em cerca de 3100 a.C., altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egito, e termina em 30 a.C. quando o Egito, já então sob dominação estrangeira, se transformou numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha de Ácio.  Durante a sua longa história o Egito conheceria três grandes períodos marcados pela estabilidade política, prosperidade econômica e florescimento artístico, intercalados por três períodos de decadência. Num desses períodos de prosperidade, designado como Império Novo, correspondeu a uma era cosmopolita durante a qual o Egito dominou uma área situada entre a Núbia e o rio Eufrates.

A civilização egípcia foi umas das primeiras grandes civilizações da Humanidade e manteve durante a sua existência uma continuidade nas suas formas políticas, artísticas, literárias e religiosas, explicável em parte devido à situação favoravelmente geográfica, embora as influências culturais e contatos com o estrangeiro tenha sido também uma realidade.

ABU SIMBEL

Abu Simbel é um complexo arqueológico constituído por dois grandes templos escavados na rocha, situados no sul do Egito, no banco ocidental do rio Nilo perto da fronteira com o Sudão, numa região denominada Núbia, a cerca de 300 quilômetros da cidade de Assuan.

No entanto, este não é o seu local de construção original; devido à construção da barragem de Assuan, e do conseqüente aumento do caudal do rio Nilo, o complexo foi transladado do seu local original durante a década de 1960 (isso mesmo, o monumento foi todo desmontado e reconstruído em outro local a fim de ser salvo de ficar submerso), com a ajuda da UNESCO.

Os templos foram mandados construir pelo faraó Ramsés II em homenagem a si próprio e à sua esposa preferida Nefertari, no Século XIII a.C. durante a XIX dinastia. A construção começou a cerca de 1284 a.C. e terminou aproximadamente vinte anos mais tarde.

Ramsés II iniciou o seu reinado em 1290 a.C. e reinou durante 66 anos, durante os quais mandou construir numerosos templos não só com o intuito de impressionar as nações vizinhas mostrando a grandiosidade do Egito e o poder do seu faraó, mas também recuperar o seu prestígio, perdido depois dos distúrbios religiosos e políticos durante o reinado de Akhenaton da XVIII dinastia quando Akhenaton tentou forçar a mudança do culto aos deuses egípcios ( politeísmo) para o culto a um deus único Atón (monoteísmo).

Como foi descoberto o templo

Com a passagem do tempo, os templos ficaram cobertos de areia o que provocou o seu esquecimento até que, em 1813, um orientalista suíço, Jean-Louis Burckhardt, descobriu o friso do topo do templo de Ramsés.

Burckhardt falou da sua descoberta ao explorador italiano Giovanni Belzoni que, embora deslocando-se para o Egito, foi incapaz de descobrir a entrada do templo.

Belzoni regressou em 1817, conseguindo desta vez encontrar a entrada e levando com ele todos os tesouros que encontrou no templo que pudessem ser transportados.

O Grande templo de Abu Simbel é um dos mais bem conservados de todo o Egito.

A sua fachada tem 33 metros de altura e 38 metros de largura, a sua entrada foi concebida como um pilone (porta monumental flanqueada por duas torres trapezoidais).  A fachada é constituída por quatro estátuas com vinte metros de altura que representam o faraó Ramsés II sentado ostentando a coroa dupla da unificação entre o alto e o baixo Egito, a barba postiça, um colar e um peitoral com o nome de coroação. A segunda dessas estátuas foi parcialmente destruída por um terremoto em 27 a.C., a cabeça e o tronco de Ramsés encontram-se próximo da entrada.  Na porta do templo existe uma inscrição criptográfica do nome do faraó: Ser-Ma'at-Ra e no meio das pernas das grandes estátuas podem ver-se pequenas estátuas de familiares de Ramsés II.

O santuário interno prolonga-se por 55 metros de profundidade e era o local mais sagrado do Grande Templo; por essa razão apenas o faraó lá podia entrar.

O grande templo de Abu Simbel é considerado uma das mais grandiosas obras do faraó Ramsés II e, para muitos arqueólogos, é o maior e mais belo dos templos.

 

ALABASTRO

Alabastro é uma designação aplicada a dois minerais distintos: gesso (sulfato de cálcio hidratado) e calcite (um carbonato  de cálcio). O primeiro é o alabastro dos dias atuais; o segundo é geralmente o alabastro dos antigos.


fábrica de alabastro em Luxor

Os dois tipos são facilmente distinguíveis entre si pela sua dureza relativa. O alabastro de gesso é macio, sendo riscado com a unha (dureza 1,5 a 2), enquanto o alabastro de calcite é demasiado duro para ser riscado nesta maneira (dureza 3), embora ceda a uma faca. Além disso, o alabastro de calcite, sendo um carbonato, efervesce por reação com o ácido clorídrico, ao invés do alabastro de gesso, que praticamente não é afetado por este ácido.

As figuras de alabastro (acima e abaixo) são encontradas no Museu do Cairo; são os vasos canópicos onde foram depositados as vísceras de Tutankhamon.

O alabastro egípcio foi largamente explorado perto de Suez e de Assiut;  há muitas pedreiras antigas nos montes sobranceiros à planície de Tell el Amarna.

ÍSIS

Ísis era uma deusa da mitologia egípcia.  Foi a mulher de Osíris e era filha do deus da terra, Geb, e da deusa do céu, Nut.  Era ainda mãe de Hórus e cunhada de Seth.  Segundo a lenda, Ísis ajudou a procurar o corpo de Osíris, que tinha sido despedaçado por seu irmão, Seth.  Ísis, a deusa do amor e da mágica, tornou-se a deusa-mãe do Egito.

Quando Osíris, seu irmão e marido, herdou o poder no Egito, ela trabalhou junto com ele para civilizar o o Vale do Nilo, ensinando a costurar e a curar os doentes e introduzindo o conceito do casamento.   Ela conhecia uma felicidade perfeita e governava as duas terras, o Alto e o Baixo Egito, com sabedoria enquanto Osíris viajava pelo mundo difundindo a civilização.

Até que Seth,  irmão de Osíris, o convidou para um banquete. Tratava-se uma cilada, pois Seth estava decidido a assassinar o rei para ocupar o seu lugar. Seth apresentou um caixão de proporções excepcionais, assegurando que recompensaria generosamente quem nele coubesse. Imprudente, Osíris aceitou o desafio, permitindo que Seth e os seus acólitos pregassem a tampa e o tornassem escravo da morte.

Cometido o crime, Seth, que cobiçava ocupar o trono de seu irmão, lança a urna ao Nilo (há também uma versão que diz que Ísis ao saber o que havia ocorrido chorou profundamente e de suas lágrimas surgiu o rio Nilo), para que o rio a conduzisse até ao mar, onde se perderia.  Este incidente aconteceu no décimo sétimo dia do mês Athyr, quando o Sol se encontra sob o signo de Escorpião.

Quando Ísis descobriu o ocorrido, afastou todo o desespero que a assombrava e resolveu procurar o seu marido, a fim de lhe restituir o sopro da vida. Assim, cortou uma madeixa do seu cabelo, estigma da sua desolação, e o escondeu sob as roupas peregrinando por todo o Egito, na busca do seu amado.

Por sua vez, e após a urna atingir finalmente uma praia, perto da Babilônia, na costa do Líbano, enlaçando-se nas raízes de um jovem pé de tamarindo, e com o seu crescimento, a urna ascendeu pelo mesmo se prendendo no interior do seu tronco, fazendo a árvore alcançar o clímax da sua beleza, que atraiu a atenção do rei desse país, que ordenou ao seu séquito que o tamarindo fosse derrubado, com o propósito de ser utilizado como pilar na sua casa.

Enquanto isso, Ísis prosseguia na sua busca pelo cadáver de seu marido, e ao escutar as histórias sobre esta árvore, tomou de imediato a resolução de ir à Babilônia, na esperança de ultimar enfim e com sucesso a sua odisséia. Ao chegar ao seu destino, Ísis sentou-se perto de um poço, ostentando um disfarce humilde e brindou os transeuntes que por ela passavam com um rosto lindo e cheio de lágrimas.

Tal era a sua beleza e sua triste condição que logo se espalharam boatos que chegaram ao rei da Babilônia, que, intrigado, a chamou para conhecer o motivo de seu desespero. Quando Ísis estava diante do monarca solicitou que permitisse que ela entrelaçasse os seus cabelos. Uma vez que o regente, ficou perplexo pela sua beleza, não se importou com isso, assim Ísis incensou as tranças que espalharam o perfume exalado por seu corpo, fazendo a rainha da Babilônia ficar enfeitiçada pelo irresistível aroma que seus cabelos emanavam. Literalmente inebriada por tão doce perfume dos céus, a rainha ordenou então a Ísis que a acompanhasse.

Assim, a deusa conseguiu entrar na parte íntima do palácio do rei da Babilônia, e conquistou o privilégio de tornar-se a ama do filho recém-nascido do casal régio, a quem amamentava com seu dedo, pois era proibido a Isis ceder um dos seios, o leite de Ísis prejudicaria a criança.

Se apegando à criança, Ísis desejou conceder-lhe a imortalidade, para isso, todas as noites, a queimou, no fogo divino para que as suas partes mortais ardessem no esquecimento. Certa noite, durante o ritual, ela tomou a forma de uma andorinha, a fim de cantar as suas lamentações.

Maravilhada, a rainha seguiu a melopéia que escutava, entrando no quarto do filho, onde se deparou com um ritual aparentemente hediondo. De forma a tranqüilizá-la, Ísis revelou-lhe a sua verdadeira identidade, e terminou o ritual, mesmo sabendo que dessa forma estaria a privar o pequeno príncipe da imortalidade que tanto desejava oferecer-lhe.

Observando que a rainha a contemplava, Ísis aventurou-se a confidenciar-lhe o incidente que a fez visitar a Babilônia, conquistando assim a confiança e benevolência da rainha, que prontamente lhe cedeu a urna que continha os restos mortais de seu marido.  Dominada por uma imensa felicidade, Ísis apressou-se a retirá-la do interior do pilar.

Porém, o fez de forma tão brusca, que os escombros atingiram, mortalmente, o pequeno príncipe. Outras versões desta lenda, afirma que a rainha expulsou Ísis, ao ver o ritual, no qual ela retirou a urna do pilar, sem o consentimento dos seus donos.

Com a urna, Ísis regressou ao Egito, onde a abriu, ocultando-a, nas margens do Delta.  Numa noite, quando Ísis a deixou sem vigilância, Seth descobriu-a e apoderou-se, uma vez mais dela, com o intento de retirar do seu interior o corpo do irmão e cortá-lo em 14 pedaços e os arremessando ao Nilo.

Ao tomar conhecimento do ocorrido, Ísis reuniu-se com a sua irmã Néftis, que também não tolerava a conduta de Seth, embora este fosse seu marido, e, juntas, recuperaram todos os fragmentos do cadáver de Osíris, à exceção, segundo Plutarco, escritor grego, do seu sexo, que fora comido por um peixe.

Novamente existe uma controvérsia, uma vez que outras fontes egípcias afirmam que todo o corpo foi recuperado. Em seguida, Ísis organizou uma vigília fúnebre, na qual suspirou ao cadáver reconstituído do marido: “Eu sou a tua irmã bem amada.

Não te afastes de mim, clamo por ti! Não ouves a minha voz? Venho ao teu encontro e, de ti, nada me separará!” Durante horas, Ísis e Néftis, com o corpo purificado, inteiramente depiladas, com perucas perfumadas e boca purificada por natrão (carbonato de soda), pronunciaram encantamentos numa câmara funerária, impregnada por incenso.

A deusa invocou então todos os templos e todas as cidades do país, para que estes se juntassem à sua dor e fizessem a alma de Osíris retornar do Além. Uma vez que todos os seus esforços revelavam-se vãos, Ísis assumiu então a forma de um falcão, cujo esvoaçar restituiu o sopro de vida ao defunto, oferecendo-lhe o apanágio da ressurreição.

Ísis em seguida amou Osíris, mantendo o vivo por magia, tempo suficiente para que este a engravidasse. Outras fontes garantem que Osíris e a sua esposa conceberam o seu filho, antes do deus ser assassinado. Após isso ela ajudou a embalsamá-lo, preparando Osíris para a viagem até seu novo reino na terra dos mortos, tendo assim ajudado a criar os rituais egípcios de enterro.

Ao retornar à terra, Ísis encontrava-se agora grávida do filho, concebendo assim Hórus, filho da vida e da morte. a quem protegeria até que este achasse-se capaz de enfrentar o seu tio, apoderando-se (como legítimo herdeiro) do trono que Seth havia usurpado.

Alguns contos declaram que Ísis, algum tempo antes do parto, Seth à aprisionara, mas que Toth, vizir de Osíris, a auxiliara a libertar-se. Porém, muitos concordam que ela ocultou-se, secretamente, no Delta, onde se preparou para o nascimento do filho, o deus-falcão Hórus. Quando este nasceu, Ísis tomou a decisão de dedicar-se inteiramente à árdua incumbência de velar por ele. Todavia, a necessidade de ir procurar alimentos, acabou deixando o pequeno deus sem qualquer proteção.  Numa dessas ocasiões, Seth transformou-se numa serpente, visando espalhar o seu veneno pelo corpo de Hórus, quando Ísis regressou encontrou o seu filho já próximo da morte.

Entretanto, a sua vida não foi ceifada, devido a um poderoso feitiço executado pelo deus-sol, Ra.

Ela manteve Hórus em segredo até que ele pudesse buscar vingança em uma longa batalha que significou o fim de Seth. A mágica de Ísis foi fundamental para ajudar a conseguir um julgamento favorável para Osíris. Suas habilidades mágicas melhoraram muito quando ela tirou proveito da velhice de Rá para enganá-lo, fazendo-o revelar seu nome e, assim, dando a ela acesso a um pouco de seu poder. Com freqüência, ela é retratada amamentando o filho Hórus.

Ísis sob a forma de serpente se ergue na fronte do rei para destruir os inimigos da Luz, e sob a forma da estrela Sótis anuncia e desencadeia as cheias do Nilo.

KARKADEH - O CHÁ EGÍPCIO

Karkadeh é o mais tradicional chá egípcio preparado com a flor de hibíscus.

Pode parecer brincadeira, mas sob aquele calor intenso praticamente o ano inteiro, os egípcios tomam chá, principalmente chá preto, hortelã, alcaçuz e claro, karkadeh.  É comum ver vendedores ambulantes pelas ruas do Cairo vendendo em tinas de vidro, os chás em copos de vidro.  A aparência para um ocidental não é nada saudável pois a higiene é sempre duvidosa quando não inexistente.

Um detalhe interessante sobre o karkadeh é que ele é um chá que inicia uma negociação na hora da barganha.  Quando não se chega a um consenso sobre o preço de uma mercadoria, pede-se "at karkadeh" (traga karkadeh); é sinal que o papo vai longe e que a negociação vai sair.  Egípcios adoram barganha.  Eles crescem com isso desde a tenra idade.  Algo que pedem 100, pode chegar a 10 ou 15 se tiver a paciência de tomar muito karkadeh.

Servido quente ou frio é extremamente saboroso.  Tem gosto herbáceo.  É exótico.  Azedinho no começo e doce no final.  Alguns egípcios exageram na quantidade de karkadeh na hora de seu preparo e o chá fica parecendo uma tinta vermelha, de tão forte. 

Pode ser servido quente ou frio.  Ambos são ótimos.  Experimente quando puder.

O chá de flor de hibíscus é utilizado como base para diversos chás de frutas vermelhas: morango, framboesa, cereja, amoras.  Ele ajuda a conferir sabor e a cor original da fruta.  Acaba sendo misturado com a polpa destas frutas e torna-se um "blend" (mistura).

ARGUILE  (NARGUILÉ)

Arguile, também conhecido como Narguilé é um cachimbo de água.

Além desse nome, de origem árabe, também é chamado de hookah (na Índia e outros países que falam inglês), shisha ou goza (nos países do norte da África), narguilê, narguila, nakla etc. Há diferenças regionais no formato e no funcionamento, mas o princípio comum é o fato de a fumaça passar pela água antes de chegar ao fumante. É tradicionalmente utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia.

Há um fumo especial para narguilés, usualmente feito com tabaco, melaço (um subproduto do açúcar) e frutas ou aromatizantes. Os aromas são bastante variados; encontra-se de frutas (como pêssego, maçã verde, coco), flores, mel, e até mesmo Coca-Cola. Embora também seja possível encontrar fumos não-aromatizados, estes progressivamente perderam espaço para os aromatizados, que hoje são muito mais populares.

Quando se aspira o ar pelo tubo, reduz-se a pressão no interior da base; isso faz com que ar aquecido pelo carvão passe pelo tabaco, produzindo a fumaça. Ela desce pelo corpo até a base, onde é resfriada e filtrada pela água, que retém partículas sólidas. A fumaça segue pelo tubo até ser aspirada pelo usuário. O mais usual é que a fumaça não seja tragada.

O Narguilé tem como origem o Oriente. Uma das versões é a de que o narguilé teria sido inventado na Índia do século XVII, pelo médico Hakim Abul Fath, como um método para retirar as impurezas da fumaça. Quando chegou à China, passou a ser utilizado para fumar o ópio, e assim permaneceu até a revolução comunista, no fim da década de 40. Na mão dos árabes, o cachimbo de água foi rapidamente incorporado para ser apreciado em grupo, acompanhado de café e prosa. Existem evidências históricas de narguilés na Pérsia (atual Irã) e na Mesopotâmia. As peças mais primitivas eram feitas com madeira e um coco que fazia o lugar do corpo (o nome origina-se do persa nārgil, que significa "coco"). Com o desenvolvimento das civilizações e as expansões territoriais (principalmente dos países europeus), o narguilé, já similar ao que conhecemos hoje (com base de cerâmica ou porcelana e corpo de metal), começou a ser divulgado, e trazido junto com especiarias como cravo e canela.

As cruzadas também auxiliaram a espalhar o narguilé pelo mundo, quando os guerreiros sobreviventes traziam-no para seus países. No Brasil, o narguilé foi trazido por alguns imigrantes europeus, e divulgado pelas colônias turca, libanesa e judaica.

O uso do narguilé envolve riscos à saúde, como acontece com todos os produtos derivados de tabaco. Há controvérsia, no entanto, se esses riscos são maiores ou menores que aqueles associados aos cigarros.

A Organização Mundial de Saúde afirma que a fumaça do narguilé contém inúmeras toxinas que podem causar câncer do pulmão, doenças cardíacas e outras.

MERCADO DE ESCRAVAS

O mercado de escravos sempre foi um negócio próspero no Oriente Médio e nos arredores do Mediterrâneo desde os tempos da Mesopotâmia, duzentos anos antes de Cristo.

Meninos e meninas capturados em guerras ou pagos como tributo por seus pais ou governadores locais, eram disponibilizados para compra no mercado aberto, presente em todas as grandes cidades.  Alexandria e Cairo serviam como importantes entrepostos comerciais.

Muitos viajantes ilustres e escritores ficaram fascinados pelo mercado de escravos.  Dentro de um período de 10 anos ouviram-se muitas descrições acerca deles.

"Um de seus maiores atrativos era o cabelo; arrumado em tranças enormes, era também completamente saturado com manteiga que descia por seus ombros e seios...isto estava na moda pois deixava seus cabelos com mais brilho e suas faces deslumbrantes.  Os comerciantes estavam dispostos a despi-las: eles mantinham suas bocas abertas para que eu pudesse examinar seus dentes e faziam-nas desfilar e apontavam acima de tudo para a elasticidade de seus seios.  Estas pobres meninas respondiam da forma mais tranqüila, e a cena não era nem ao menos dolorosa, para a maioria delas que explodiam num riso incontrolável." (Gérard de Nerval, Voyage en Orient-1843/51)

Jovens meninas de extraordinária beleza, trazidas do mercado eram enviadas para a corte do sultão, muitas vezes como presente de seus governadores. 

 Entre os singulares e estáveis privilégios da sultana valide (mãe do sultão), estava o direito de presentear seu filho com uma menina escrava em uma data comemorativa chamada "O dia do sacrifício" que acontecia uma vez a cada ano.

As meninas eram todas não-muçulmanas desenraizadas desde tenra idade. Os sultões eram fiéis às belas mulheres com olhos de corça da região do Caucaso. Elas eram orgulhosas montanhesas; acreditavam ser descendentes das amazonas, mulheres que viveram próximas ao Mar Negro em tempos ancestrais. Agora eram seqüestradas ou vendidas por pais empobrecidos. O preço a ser pago por uma escrava era algo em torno de 1000-2000 "kuruch". Naquela época (1790) o preço de venda de um cavalo era 5000 "kurush".

A promessa de uma vida luxuosa e calma superava os escrúpulos paternos contra a entrega de suas filhas ao concubinato. Muitas famílias encorajavam suas filhas para entrar nessa vida de bom grado.

ODALISCAS (ESCRAVAS DOS HARÉNS)

Antes de admitir as escravas dentro do harém, eunucos especialmente preparados examinavam-nas cuidadosamente procurando quaisquer defeitos físicos ou imperfeições. Se uma menina era considerada satisfatória o chefe eunuco a apresentava para a mãe do sultão que seria a responsável pela aprovação final.

Uma vez confinada ao harém seu nome cristão era trocado por um nome persa que enaltecesse suas qualidades individuais. Se por exemplo, uma jovem possuísse bochechas rosadas dariam a ela o nome de "Rosa Primaveril". Sendo agora uma odalisca era imediatamente convertida ao islamismo e iniciava um árduo treino, versando sobre as etiquetas palacianas e a cultura islâmica.

A palavra "Odalisca" vem de oda (sala) e significa literalmente "mulher de sala" insinuando o status de criada. Odaliscas de extraordinária beleza e talento eram preparadas para se tornar concubinas aprendendo a dançar, recitar poesias, tocar instrumentos musicais e controlar as artes eróticas.

Onze das mais atraentes odaliscas eram selecionadas como "gedikli"- empregadas em espera - exclusivamente para o sultão eram responsáveis para vesti-lo e banhá-lo, cuidavam de suas roupas e serviam-lhe a comida e o café. Consta que essas meninas também aprendiam a ler, escrever e a desenvolver outras habilidades tais como: costurar, bordar, tocar harpa e cantar. Sendo do agrado do sultão permaneciam a serviço do mesmo ou em última instância poderiam ser oferecidas como presente a alguém se ele assim o desejasse.

Uma das maiores honras que o sultão poderia conceder a um de seus pashás era presenteá-lo com uma odalisca que tivesse adornado seu palácio mas que não tivesse ainda se tornado sua concubina. De acordo com os preceitos vigentes o pashá tinha que libertar a menina e fazer dela sua esposa. Seus nobres encantos, tanto quanto suas importantes conexões dentro do harém, faziam destas mulheres uma jóia a ser almejada.

Outras odaliscas eram colocadas para servir a mãe do sultão, ou as "kadins"(esposas) e ainda os eunucos . Meninas abençoadas por físico forte se tornavam criadas ou administradoras. Cada noviça era designada para um departamento do harém. Estes "gabinetes ministeriais" incluíam a senhora dos mantos, a guardiã dos banhos, guardiã das jóias, leitora do alcorão, senhora dos alimentos etc. Era possível para uma odalisca crescer hierarquicamente dentro do harém imperial, mas se de qualquer forma, faltasse a ela talento ou manifestasse em algum momento qualidades indesejáveis, ela também corria o risco de ser banida do palácio e revendida no mercado de escravas.

COMIDA EGÍPCIA - A ALIMENTAÇÃO
(Egito Antigo)

A carne sempre foi consumida em quantidade, principalmente a do boi. O assim chamado boi africano é um animal com chifres avantajados, de grandes proporções e rápido no caminhar. Esse animal era submetido a um regime de engorda que o tornava enorme e pesado, até o ponto de ficar impossibilitado de andar. Só então estava pronto para o abate. Ao que parece, a carne era servida geralmente cozida, provavelmente em molho, mas havia alguns tipos de carne que eram assadas no espeto. Entretanto, a carne era uma comida de luxo para a maioria das pessoas, que talvez só a consumissem em ocasiões especiais como, por exemplo, nos banquetes funerários. Pedaços de carne são representados freqüentemente nos túmulos em estelas, ou compondo o conjunto de produtos dispostos nas mesas de oferendas como eterno alimento para o falecido.

Uma vez que a galinha só foi introduzida no Egito tardiamente, criava-se e consumia-se outros tipos de aves em grande escala. Em papiros que registram donativos aos templos, as quantidades de aves citadas são impressionantes. Um deles menciona 126 mil e duzentas aves, dentre as quais 57 mil e oitocentos e dez pombos. A caça, portanto, era uma atividade bastante cultivada pelos egípcios. Os galináceos eram consumidos grelhados, de preferência. Entretanto, Heródoto nos conta — e os documentos confirmam a informação — que os egípcios comiam crus as codornizes, os patos e alguns pequenos pássaros que tinham o cuidado de salgar antes. Todos os pássaros restantes eram comidos assados ou cozidos. As aves aquáticas eram abertas e postas a secar. Os templos as recebiam vivas, secas ou ainda preparadas para consumo a curto prazo.

Embora em algumas localidades egípcias fosse proibido consumir certas espécies de peixe em datas específicas, a maior parte da população comia peixe normalmente. Por sua vez, os habitantes da região do Delta e os que moravam às margens do lago Fayum eram pescadores por profissão. Quanto aos peixes, Heródoto informa que alguns eram comidos crus e secos ao sol ou postos em salmoura. Entretanto, várias outras espécies eram comidas assadas ou cozidas. Uma vez pescados, os peixes eram estendidos no solo, abertos e postos a secar. Visando a preparação do escabeche, eram separadas as ovas dos mugens. Mais uma vez um papiro cita a quantidade de peixes doados a três templos: 441 mil. Os templos recebiam não apenas peixes frescos, mas também secos. Como se vê, a pesca era outra atividade importante.

Rabanetes, cebolas e alhos fazem parte da dieta egípcia, sendo que estes últimos eram muito apreciados. Melancias, melões e pepinos aparecem representados com freqüência nas pinturas dos túmulos, sendo que neles os arqueólogos também encontraram favas, ervilhas e grãos de bico. Nas hortas domésticas cultivava-se a alface, a qual os egípcios acreditavam que tornava os homens apaixonados e as mulheres fecundas e, assim, consumiam-na em grande quantidade, crua e temperada com sal e azeite. Min, o deus da fecundidade, tem às vezes sua estátua erguida no meio de um quadrado de alfaces, sua verdura preferida.  Seth, segundo nos conta a lenda, era outro deus apreciador de alface.

Com relação aos frutos, consumiam uvas, figos e tâmaras, sendo que estas últimas também eram empregadas em medicamentos. A romeira, a oliveira e a macieira foram introduzidas no Egito somente por volta de 1640 a.C. O azeite era utilizado não apenas na alimentação, mas também para iluminação. Frutos como laranjas, limões, bananas, peras, pêssegos e cerejas não eram conhecidos dos antigos egípcios, sendo que os três últimos só passaram a ser consumidos na época romana. Nesse capítulo os mais pobres muitas vezes só podiam mascar o interior dos caules de papiros, a exemplo do que fazemos hoje com a cana de açúcar.

O leite era recolhido em vasos ovais de cerâmica tampados com um punhado de ervas, evitando-se fechar totalmente a abertura, para afastar os insetos do líquido. O sal era utilizado na cozinha e em medicamentos. O papel do açúcar era desempenhado pelo mel e pelos grãos de alfarroba. Embora o mel e a cera de abelha fossem buscados no deserto por homens especializados nesse ofício, também havia criação de abelhas no exterior das residências. Para a formação das colméias colocavam-se jarras de cerâmica e os apicultores caminhavam sem proteção por entre os insetos, afastando-os com as mãos nuas para recolher os favos. O mel era mantido em grandes tigelas de pedra, seladas. Em suas iguarias os egípcios empregavam ainda manteiga ou nata e gordura de pato ou de vitelo.

Pães e bolos eram preparados nas casas das pessoas ricas e também nos templos, o que incluía a moagem dos grãos. É possível, entretanto, que moleiros e padeiros independentes trabalhassem para atender as pessoas humildes. A panificação era um trabalho conjunto de homens e mulheres. Na figura ao lado vemos uma serva carregando uma oferenda de pão e carne. A peça, cuja altura é de 38 centímetros, foi datada como sendo da XII dinastia (1991 a 1783 a.C.).

A bebida número um dos egípcios era a cerveja, consumida em todo o país, tanto nas cidades como nos campos. Era feita com cevada ou trigo e tâmaras e sorvida em taças de pedra, faiança ou metal, de preferência em curto espaço de tempo, pois azedava com facilidade. O vinho,  sem dúvida, ficava em segundo lugar na preferência etílica dos egípcios, havendo grande comércio do produto. Eles apreciavam o vinho doce, de uma doçura que ultrapassasse a do mel.

Os egípcios alimentavam-se sentados, a sós ou acompanhados, diante de uma mesinha sobre a qual eram postas as provisões. Os rapazes sentavam-se sobre almofadas ou esteiras. Pela manhã não havia a reunião da família para a refeição. O marido e a esposa eram servidos em separado. Ele, tão logo se aprontara e ela ainda quando a penteavam ou logo após. Pão, cerveja, uma coxa de galináceo e um bolo era um bom repasto para o esposo.

A ementa das grandes refeições compreendia, com toda a verossimilhança, — nos conta Pierre Montet — carnes, galináceos, legumes e frutos da estação, pães e bolos, tudo bem regado com cerveja. Não é de todo certo que os egípcios, mesmo os da classe rica, comessem carne a todas as refeições. É preciso não esquecer que o Egito é um país quente e que o comércio de miudezas mal existia. Só podiam mandar abater um boi aqueles que estavam certos de o consumir em três ou quatro dias, isto é, os grandes proprietários que tinham um pessoal numeroso, o pessoal do templo, os que davam um festim. As pessoas humildes só o faziam para festas e peregrinações.

Os arqueólogos, em suas escavações, encontraram pratos, terrinas, travessas, cálices, facas, colheres e garfos, o que abre a possibilidade para o consumo de sopas, purês, pratos guarnecidos acompanhados de molho, compotas e cremes. As baixelas dos ricos eram de pedra: granito, xisto, alabastro e uma certa espécie de mármore. As taças de formato pequeno eram de cristal. Por outro lado, o material pictórico deixado pelos egípcios mostra que, à mesa, eles se serviam muito dos dedos (comia-se com as mãos).

Fonte: O Fascínio do Antigo Egito
(um site bem interessante com informações preciosas sobre a vida no Antigo Egito)

PERÍODOS & CRONOLOGIA

A história do Antigo Egito foi dividida pelos investigadores nos seguintes períodos:

  • Época pré-dinástica e proto-dinástico (4500-3000 a.C.);
  • Época Tinita ou Época Arcaica (3000-2660 a.C.): I e II dinastias
  • Império Antigo (2660-2180 a.C): III a VI dinastias
  • Primeiro Período Intermediário (2180-2040 a.C.): VII a XI dinastias
  • Império Médio (2040-1780 a.C.): XI e XII dinastias
  • Segundo Período Intermediário (1780 a 1560 a.C.): XIII a XVII dinastias
  • Império Novo (1560-1070 a.C.): XVIII a XX dinastias
  • Terceiro Período Intermediário (1070-664 a.C.): XXI a XXV dinastias
  • Época Baixa (664-332 a.C.): XXVI a XXX dinastias
  • Época greco-romana
    • Período ptolemaico (332-30 a.C.)
    • Domínio romano (30 a.C.-359 d.C.)

MITOLOGIA EGÍPCIA

Mitologia egípcia ou, em sentido lato, religião egípcia refere-se às divindades, mitos e práticas cultuais dos habitantes do Antigo Egito.  Não existiu propriamente uma "religião" egípcia, pois as crenças - frequentemente diferentes de região para região - não era a parte mais importante, mas sim o culto aos deuses, que eram considerados os donos legítimos do solo do Egito, terra que tinham governado no passado distante.

As fontes para o estudo da mitologia e religião egípcia são variadas, desde templos, pirâmides, estátuas, túmulos até textos. Em relação às fontes escritas, os Egípcios não deixaram obras que sistematizassem de forma clara e organizada as suas crenças.  Em geral os investigadores modernos centram-se no seu estudo em três obras principais:
1) o Livro das Pirâmides,
2) o Livro dos Sarcófagos e
3) o Livro dos Mortos.

O Livro das Pirâmides é uma compilação de fórmulas mágicas e hinos cujo objetivo é proteger o faraó e garantir a sua sobrevivência no Além.  Os textos encontram-se escritos sobre os muros dos corredores das câmaras funerárias da pirâmide de Sakkara.  Do ponto de vista cronológico, situam-se na época da V e VI dinastias.

O Livro dos Sarcófagos, uma recolha de textos escritos em caracteres Hieróglifo/hieroglíficos cursivos no interior de sarcófagos de madeira da época do Império Médio, tinham também como função ajudar os mortos no outro mundo.

Por último, o Livro dos Mortos, que inclui os textos das obras anteriores, para além de textos originais, data do Império Novo. Esta obra era escrita em rolos de papiro pelos escribas e vendida às pessoas para ser colocada nos túmulos.

Outras fontes escritas são os textos dos autores gregos e romanos, como os relatos de Heródoto (século V a.C.) e Plutarco (século I d.C.).

As várias divindades egípcias existentes caracterizavam-se pela sua capacidade em estar em vários locais ao mesmo tempo e de sobreviver a ataques. A maioria delas era benevolente, com exceção de algumas divindades com personalidade mais ambivalente como as deusas Sekhet e Mut.

Um deus poderia também assumir várias formas e possuir outros nomes. O exemplo mais claro é o da divindade solar Rá que era conhecido como Kepra, representado como um escaravelho, quando era o sol da manhã. Recebia o nome de Atom enquanto sol do entardecer, sendo visto como velho e curvado, um deus esperado pelos mortos, que se aquecem com os seus raios. Durante o dia, Rá anda pela Terra como um falcão.  Estes três aspectos e outros setenta e dois são invocados numa ladainha sempre na entrada dos túmulos reais.

Estas divindades eram agrupadas de várias maneiras, como em grupos de nove deuses (as Enéades), de oito deuses (as Ogdóades), ou de três deuses (tríades). A principal Enéade era a da cidade de Heliópolis presidida pela divindade solar Rá.

O LEGADO DO ANTIGO EGITO

Apesar da civilização egípcia ter terminado há dois mil anos, parte do seu legado continua vivo no mundo atual.

Os Egípcios possuíam um calendário de 365 dias e doze meses e já dividiam o dia em vinte e quatro horas. Algumas palavras da língua portuguesa, como alquimia, química, adobe, saco, papel, gazela e girafa, têm origens na língua egípcia.  De igual forma, certas expressões, como "anos de vacas magras", são também de origem egípcia. As crianças do Antigo Egito já brincavam a "macaca", tal como o fazem as crianças de hoje em dia, e os adultos apreciavam um jogo de tabuleiro, conhecido como Senet.

Na arquitetura, estão presentes no mundo contemporâneo certos elementos da arquitetura do Antigo Egito como o obelisco, que os Egípcios consideravam como um raio do sol petrificado. Ele está presente em várias cidades mundiais, como Buenos Aires ou no Monumento de Washington, nos EUA.  Outras cidades possuem mesmo obeliscos que foram trazidos do Antigo Egito (Place de la Concorde em Paris, Praça de São Pedro, no Vaticano...).  A construção piramidal, associada ao Antigo Egito, encontra-se também em edifícios como a Pirâmide do Louvre de Paris ou o Luxor Hotel de Las Vegas.

Alguns símbolos da alquimia são de origem egípcia, como a serpente ouroboros e a ave fênix.  O papiro dos egípcios foi o antepassado do papel dos nossos dias.

Mas será porventura no domínio da religião e da espiritualidade que o legado do Antigo Egito está mais presente. Embora já não se veja na experiência religiosa de Akhenaton um monoteísmo puro nascido antes do monoteísmo dos Hebreus, não deixa de ser curiosa a semelhança entre versos do Grande Hino a Aton escrito por Akhenaton com o salmo 104 da Bíblia. 

Os Egípcios acreditavam na necessidade de levar uma vida pautada por uma conduta ética de modo a assegurar uma vida no Além, um conceito presente em várias religiões dos nossos dias. O relato da morte e ressurreição do deus Osíris, lembra a própria morte e ressurreição de Jesus Cristo, no qual assenta o cristianismo.  A Igreja Copta, que reúne a maioria dos cristãos do Egito, usa como símbolo a cruz ansata ou ankh, símbolo da vida no Antigo Egito.  Segundo Heródoto, os sacerdotes egípcios praticavam a circuncisão e dedicavam alguns dias do ano ao jejum, dois elementos que estão presente em religiões como o judaísmo e o islã.  Para além disso, os movimentos esotéricos e ocultistas tem também o Antigo Egito como referência, apropriando-se de elementos e símbolos desta civilização.

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Jorge Sabongi
 

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