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Um pouco de tudo...


IDADE ANTIGA OU ANTIGUIDADE
 Idade Antiga, ou Antiguidade, foi o
período que
se estendeu desde a invenção da escrita (4000 a.C. a 3500 a.C.) até à queda do
Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e início da Idade Média (século V). Neste período temporal verificamos que as chamadas
civilizações antigas, que conhecem a escrita, co-existem com outras
civilizações, escrevendo sobre elas (Proto-História).
Diversos povos se desenvolveram na Idade
Antiga. As civilizações de regadio - ou civilizações hidráulicas - (Egito,
Mesopotâmia, China), as civilizações clássicas (Grécia e Roma), os Persas
(primeiros a constituir um grande império), os Hebreus (primeira civilização
monoteísta), os Fenícios (senhores do mar e do comércio), além dos Celtas,
Etruscos, Eslavos, dos povos germanos (visigodos, ostrogodos, anglos, saxões,
etc) e outros.
A Antiguidade foi uma era importantíssima, pois
nessa época tivemos a formação de Estados organizados com certo grau de
nacionalidade e territórios e organização mais complexas que as cidades que
encontramos antes desse período da história.
Algumas religiões que ainda existem no mundo
moderno tiveram origem nessa época, entre elas o cristianismo, o budismo,
confucionismo e judaísmo.
O próprio estudo da história começou nesse
período com Heródoto e Tucídides, gregos que começaram a questionar o mito, a lenda e a ficção do fato histórico,
narrando as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso respectivamente.

OM KOULSOUM - A DIVA DA MÚSICA
(1904 - 1975)
Todo
país tem sua diva da música imortal. Para os egípcios, esta era e é Om
Koulsoum (ou Umm Khultum). Ela é um verdadeiro mito. Todos os
títulos possíveis para aclamá-la foram e continuam sendo utilizados, mesmo após
três décadas de sua morte.
Cantava
músicas que arrebanhava multidões e arrebatavam seus corações.
Cantava amor e poesia com extrema intensidade. Seus recitais foram
verdadeiros cultos.
Cada música durava mais de uma hora, e sempre se apresentava com vestido longo e um
echarpe
de musselina na mão. Utilizava óculos escuros para proteger sua vista já
doente. Não se tratava de uma figura que encantava pela beleza. Seu
encanto estava na voz: grave, quente, chorosa e penetrante.
As letras de suas músicas, feitas por diversos compositores,
exaltavam nas canções amor, patriotismo, religião, a natureza e a vida rural e camponesa do Egito. O folclore
egípcio em si. São mais de 280 canções.
Nascida em 1904,
começou a cantar a partir de 1935, se tornando conhecida através do rádio e da
indústria do disco. Sua época de ouro foram os anos 40 e 50.
Foi recebida em muitos países em que ia como verdadeiro chefe de
estado.
Veio a falecer em fevereiro de 1975, vítima de
hemorragia cerebral. Centenas de milhares de pessoas participaram de seu
funeral. A multidão ensandecida tomou posse de seu caixão e levou-o para
uma mesquita.
Suas canções ainda hoje são absoluto sucesso e cultuadas por todo
o povo do Oriente Médio. Egípcios ao entoarem suas estrofes, ficam com
lágrimas nos olhos.
Compositores criaram músicas para ela, entre eles Mohammed Abdel Wahab (um monstro sagrado das canções egípcias), compôs uma
dezena de seus grandes sucessos, entre eles "Enta Omri" ("Você é minha vida").
A letra de Enta Omri foi escrita por Ahmed Chafik Kamel.
Criaram um museu em sua homenagem e também cunharam moedas de
ouro com sua efígie. Sem dúvida alguma, Om Koulsoum vive!
Para saber mais, procure por: Umm Kulthum, Om
Kalsoum, Om Koultoum, Om Kalthoum, Oum Kalsoum, Oum Kalthum, Omm Kolsoum, Umm
Kolthoum, Um Kalthoom, Omme Kolsoum, entre outros.

ANTIGO EGITO
O
Antigo Egito foi uma civilização da Antiguidade que se desenvolveu no canto nordeste do
continente africano, mais
especificamente num território
compreendido entre a primeira catarata e o Delta do Rio Nilo, limitando a leste com deserto da Arábia, a oeste com o deserto da
Líbia, a sul com a Núbia e a norte com o Mar Mediterrâneo.
A
história do Antigo Egito inicia-se em cerca de 3100 a.C.,
altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egito, e
termina em 30 a.C. quando o Egito, já então sob dominação estrangeira, se transformou numa
província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha
de Ácio. Durante a sua longa história o Egito conheceria três
grandes períodos marcados pela estabilidade política, prosperidade econômica e
florescimento artístico, intercalados por três períodos de decadência. Num
desses períodos de prosperidade, designado como Império Novo, correspondeu a uma era cosmopolita durante a qual o Egito
dominou uma área situada entre a Núbia e o rio Eufrates.

A civilização egípcia foi umas das primeiras
grandes civilizações da Humanidade
e manteve durante a sua existência uma continuidade nas suas formas políticas,
artísticas, literárias e religiosas, explicável em parte devido à situação
favoravelmente geográfica,
embora as influências culturais e contatos com o estrangeiro tenha sido também
uma realidade.

ABU SIMBEL
Abu
Simbel é um complexo arqueológico constituído por
dois grandes templos escavados na
rocha, situados no sul do Egito, no banco ocidental do rio Nilo perto da
fronteira com o Sudão, numa região denominada Núbia, a cerca de 300 quilômetros
da cidade de Assuan.
No entanto, este não é o seu local de
construção original; devido à construção da barragem de Assuan, e do conseqüente
aumento do caudal do rio Nilo, o complexo foi transladado do seu local original
durante a década de 1960 (isso mesmo, o monumento foi todo desmontado e
reconstruído em outro local a fim de ser salvo de ficar submerso), com a ajuda
da UNESCO.
Os templos foram mandados construir pelo faraó
Ramsés II em homenagem a si próprio e à sua esposa preferida Nefertari, no
Século XIII a.C. durante a XIX dinastia. A construção começou a cerca de 1284
a.C. e terminou aproximadamente vinte anos mais tarde.
Ramsés II iniciou o seu reinado em 1290 a.C. e
reinou durante 66 anos, durante os quais mandou construir numerosos templos não
só com o intuito de impressionar as nações vizinhas mostrando a grandiosidade do
Egito e o poder do seu faraó, mas também recuperar o seu prestígio, perdido
depois dos distúrbios religiosos e políticos durante o reinado de Akhenaton da
XVIII dinastia quando Akhenaton tentou forçar a mudança do culto aos deuses
egípcios ( politeísmo) para o culto a um deus único Atón (monoteísmo).
Como foi descoberto o templo
Com a passagem do tempo, os templos ficaram
cobertos de areia o que provocou o seu esquecimento até que, em 1813, um
orientalista suíço, Jean-Louis Burckhardt, descobriu o friso do topo do templo
de Ramsés.
Burckhardt falou da sua
descoberta ao explorador italiano Giovanni Belzoni que, embora deslocando-se
para o Egito, foi incapaz de descobrir a entrada do templo.
Belzoni regressou em 1817, conseguindo desta
vez encontrar a entrada e levando com ele todos os tesouros que encontrou no
templo que pudessem ser transportados.

O Grande templo de Abu Simbel é um dos mais bem
conservados de todo o Egito.
A sua fachada tem 33 metros de altura e 38
metros de largura, a sua entrada foi concebida como um pilone (porta monumental
flanqueada por duas torres trapezoidais). A fachada é constituída por
quatro estátuas com vinte metros de altura que representam o faraó Ramsés II
sentado ostentando a coroa dupla da unificação entre o alto e o baixo Egito, a
barba postiça, um colar e um peitoral com o nome de coroação. A segunda dessas
estátuas foi parcialmente destruída por um terremoto em 27 a.C., a cabeça e o
tronco de Ramsés encontram-se próximo da entrada. Na porta do templo
existe uma inscrição criptográfica do nome do faraó: Ser-Ma'at-Ra e no
meio das pernas das grandes estátuas podem ver-se pequenas estátuas de
familiares de Ramsés II.
O
santuário interno prolonga-se por 55 metros de profundidade e era o local mais
sagrado do Grande Templo; por essa razão apenas o faraó lá podia entrar.
O grande templo de Abu Simbel é considerado uma
das mais grandiosas obras do faraó Ramsés II e, para muitos arqueólogos, é o
maior e mais belo dos templos.

ALABASTRO
Alabastro é
uma designação aplicada a dois minerais
distintos: gesso
(sulfato de cálcio hidratado) e calcite (um carbonato
de cálcio). O primeiro é o alabastro dos dias atuais; o segundo é geralmente o
alabastro dos antigos.

fábrica de alabastro em Luxor
 Os dois tipos são facilmente distinguíveis
entre si pela sua dureza relativa. O alabastro de gesso é macio, sendo riscado
com a unha (dureza
1,5 a 2), enquanto o alabastro de calcite é demasiado duro para ser riscado
nesta maneira (dureza 3), embora ceda a uma faca. Além disso, o alabastro de
calcite, sendo um carbonato, efervesce por reação com o ácido clorídrico, ao invés do alabastro de gesso, que praticamente não é afetado por este ácido.
As figuras de alabastro (acima e abaixo) são
encontradas no Museu do Cairo; são os vasos canópicos onde foram depositados as
vísceras de Tutankhamon.

O alabastro egípcio foi largamente explorado
perto de Suez e de Assiut; há muitas pedreiras antigas nos montes sobranceiros à planície de
Tell el Amarna.

ÍSIS
Ísis
era uma deusa da mitologia egípcia. Foi a mulher de Osíris e era
filha do deus da terra, Geb, e da deusa do céu, Nut. Era ainda mãe de
Hórus e cunhada
de Seth. Segundo a
lenda, Ísis ajudou a procurar o corpo de Osíris, que tinha sido despedaçado por
seu irmão, Seth. Ísis, a deusa do amor e da mágica, tornou-se a deusa-mãe do
Egito.
Quando Osíris, seu
irmão e marido, herdou o poder no Egito, ela trabalhou junto com ele para
civilizar o o Vale do Nilo, ensinando a
costurar e a curar os doentes e introduzindo o conceito do casamento.
Ela conhecia uma felicidade
perfeita e governava as duas terras, o Alto e o Baixo Egito, com sabedoria enquanto Osíris viajava pelo mundo difundindo a
civilização.
Até que Seth, irmão de
Osíris, o convidou para um banquete. Tratava-se uma cilada, pois Seth estava
decidido a assassinar o rei para ocupar o seu lugar. Seth apresentou um caixão
de proporções excepcionais, assegurando que recompensaria generosamente quem
nele coubesse. Imprudente, Osíris aceitou o desafio, permitindo que Seth e os
seus acólitos pregassem a tampa e o tornassem escravo da morte.
Cometido o crime, Seth, que cobiçava ocupar o
trono de seu irmão, lança a urna ao Nilo (há também uma versão que diz que Ísis
ao saber o que havia ocorrido chorou profundamente e de suas lágrimas surgiu o
rio Nilo), para que o rio a conduzisse até ao mar, onde se perderia. Este
incidente aconteceu no décimo sétimo dia do mês Athyr, quando o Sol se encontra
sob o signo de Escorpião.
Quando
Ísis descobriu o ocorrido, afastou todo o desespero que a assombrava e resolveu
procurar o seu marido, a fim de lhe restituir o sopro da vida. Assim, cortou uma
madeixa do seu cabelo, estigma da sua desolação, e o escondeu sob as roupas
peregrinando por todo o Egito, na busca do seu amado.
Por sua vez, e após a urna atingir finalmente
uma praia, perto da Babilônia, na costa do Líbano, enlaçando-se nas raízes de um
jovem pé de tamarindo, e com o seu crescimento, a urna ascendeu pelo mesmo se prendendo
no interior do seu tronco, fazendo a árvore alcançar o clímax da sua beleza, que
atraiu a atenção do rei desse país, que ordenou ao seu séquito que o tamarindo
fosse derrubado, com o propósito de ser utilizado como pilar na sua casa.
 Enquanto isso, Ísis prosseguia na sua busca
pelo cadáver de seu marido, e ao escutar as histórias sobre esta árvore, tomou
de imediato a resolução de ir à Babilônia, na esperança de ultimar enfim e com
sucesso a sua odisséia. Ao chegar ao seu destino, Ísis sentou-se perto de um
poço, ostentando um disfarce humilde e brindou os transeuntes que por ela
passavam com um rosto lindo e cheio de lágrimas.
Tal era a sua beleza e sua triste condição que
logo se espalharam boatos que chegaram ao rei da Babilônia, que, intrigado, a
chamou para conhecer o motivo de seu desespero. Quando Ísis estava diante do
monarca solicitou que permitisse que ela entrelaçasse os seus cabelos. Uma vez
que o regente, ficou perplexo pela sua beleza, não se importou com isso, assim
Ísis incensou as tranças que espalharam o perfume exalado por seu corpo, fazendo a rainha da Babilônia ficar enfeitiçada
pelo irresistível aroma que seus cabelos emanavam. Literalmente inebriada por
tão doce perfume dos céus, a rainha ordenou então a Ísis que a acompanhasse.
Assim,
a deusa conseguiu entrar na parte íntima do palácio do rei da Babilônia, e
conquistou o privilégio de tornar-se a ama do filho recém-nascido do casal
régio, a quem amamentava com seu dedo, pois era proibido a Isis ceder um dos
seios, o leite de Ísis prejudicaria a criança.
Se apegando à criança, Ísis desejou
conceder-lhe a imortalidade, para isso, todas as noites, a queimou, no fogo
divino para que as suas partes mortais ardessem no esquecimento. Certa noite,
durante o ritual, ela tomou a forma de uma andorinha, a fim de cantar as suas
lamentações.
Maravilhada, a rainha seguiu a melopéia que
escutava, entrando no quarto do filho, onde se deparou com um ritual
aparentemente hediondo. De forma a tranqüilizá-la, Ísis revelou-lhe a sua
verdadeira identidade, e terminou o ritual, mesmo sabendo que dessa forma
estaria a privar o pequeno príncipe da imortalidade que tanto desejava
oferecer-lhe.
Observando que a rainha a contemplava, Ísis
aventurou-se a confidenciar-lhe o incidente que a fez visitar a Babilônia,
conquistando assim a confiança e benevolência da rainha, que prontamente lhe
cedeu a urna que continha os restos mortais de seu marido. Dominada por uma
imensa felicidade, Ísis apressou-se a retirá-la do interior do pilar.
Porém, o fez de forma tão brusca, que os
escombros atingiram, mortalmente, o pequeno príncipe. Outras versões desta
lenda, afirma que a rainha expulsou Ísis, ao ver o ritual, no qual ela retirou a
urna do pilar, sem o consentimento dos seus donos.
Com
a urna, Ísis regressou ao Egito, onde a abriu, ocultando-a, nas margens do
Delta. Numa noite, quando Ísis a deixou sem vigilância, Seth descobriu-a e
apoderou-se, uma vez mais dela, com o intento de retirar do seu interior o corpo
do irmão e cortá-lo em 14 pedaços e os arremessando ao Nilo.
Ao tomar conhecimento do ocorrido, Ísis
reuniu-se com a sua irmã Néftis, que também não tolerava a conduta de Seth,
embora este fosse seu marido, e, juntas, recuperaram todos os fragmentos do
cadáver de Osíris, à exceção, segundo Plutarco, escritor grego, do seu sexo, que
fora comido por um peixe.
Novamente existe uma controvérsia, uma vez que
outras fontes egípcias afirmam que todo o corpo foi recuperado. Em seguida, Ísis
organizou uma vigília fúnebre, na qual suspirou ao cadáver reconstituído do
marido: “Eu sou a tua irmã bem amada.
Não te afastes de mim, clamo por ti! Não ouves
a minha voz? Venho ao teu encontro e, de ti, nada me separará!” Durante horas,
Ísis e Néftis, com o corpo purificado, inteiramente depiladas, com perucas
perfumadas e boca purificada por natrão (carbonato de soda), pronunciaram
encantamentos numa câmara funerária, impregnada por incenso.
A deusa invocou então todos os templos e todas
as cidades do país, para que estes se juntassem à sua dor e fizessem a alma de
Osíris retornar do Além. Uma vez que todos os seus esforços revelavam-se vãos,
Ísis assumiu então a forma de um falcão, cujo esvoaçar restituiu o sopro de vida
ao defunto, oferecendo-lhe o apanágio da ressurreição.
Ísis em seguida amou Osíris, mantendo o vivo
por magia, tempo suficiente para que este a engravidasse. Outras fontes garantem
que Osíris e a sua esposa conceberam o seu filho, antes do deus ser assassinado.
Após isso ela ajudou a embalsamá-lo, preparando Osíris para a viagem até seu
novo reino na terra dos mortos, tendo assim ajudado a criar os rituais egípcios
de enterro.
Ao retornar à terra, Ísis encontrava-se agora
grávida do filho, concebendo assim Hórus, filho da
vida e da morte. a quem protegeria até que este achasse-se capaz de enfrentar o
seu tio, apoderando-se (como legítimo herdeiro) do trono que Seth havia
usurpado.
Alguns contos declaram que Ísis, algum tempo
antes do parto, Seth à aprisionara, mas que Toth, vizir de Osíris, a auxiliara a
libertar-se. Porém, muitos concordam que ela ocultou-se, secretamente, no Delta,
onde se preparou para o nascimento do filho, o deus-falcão Hórus. Quando este
nasceu, Ísis tomou a decisão de dedicar-se inteiramente à árdua incumbência de
velar por ele. Todavia, a necessidade de ir procurar alimentos, acabou deixando
o pequeno deus sem qualquer proteção. Numa dessas ocasiões, Seth transformou-se
numa serpente, visando espalhar o seu veneno pelo corpo de Hórus, quando Ísis
regressou encontrou o seu filho já próximo da morte.
Entretanto, a sua vida não foi ceifada, devido
a um poderoso feitiço executado pelo deus-sol, Ra.
Ela manteve Hórus em segredo até que ele
pudesse buscar vingança em uma longa batalha que significou o fim de Seth. A
mágica de Ísis foi fundamental para ajudar a conseguir um julgamento favorável
para Osíris. Suas habilidades mágicas melhoraram muito quando ela tirou proveito
da velhice de Rá para
enganá-lo, fazendo-o revelar seu nome e, assim, dando a ela acesso a um pouco de
seu poder. Com freqüência, ela é retratada amamentando o filho Hórus.
Ísis sob a forma de serpente se
ergue na fronte do rei para destruir os inimigos da Luz, e sob a forma da
estrela Sótis anuncia e desencadeia as cheias do Nilo.

KARKADEH - O CHÁ EGÍPCIO
Karkadeh
é o mais tradicional chá egípcio preparado com a flor de hibíscus.
Pode parecer brincadeira, mas sob aquele calor intenso
praticamente o ano inteiro, os egípcios tomam chá, principalmente chá preto,
hortelã, alcaçuz e claro, karkadeh. É comum ver vendedores ambulantes
pelas ruas do Cairo vendendo em tinas de vidro, os chás em copos de vidro.
A aparência para um ocidental não é nada saudável pois a higiene é sempre
duvidosa quando não inexistente.
Um detalhe interessante sobre o karkadeh é que ele é um chá que
inicia uma negociação na hora da barganha. Quando não se chega a um
consenso sobre o preço de uma mercadoria, pede-se "at karkadeh" (traga karkadeh);
é sinal que o papo vai longe e que a negociação vai sair. Egípcios adoram
barganha. Eles crescem com isso desde a tenra idade. Algo que pedem
100, pode chegar a 10 ou 15 se tiver a paciência de tomar muito karkadeh.
Servido
quente ou frio é extremamente saboroso. Tem gosto herbáceo. É
exótico. Azedinho no começo e doce no final. Alguns egípcios
exageram na quantidade de karkadeh na hora de seu preparo e o chá fica parecendo
uma tinta vermelha, de tão forte.
Pode ser servido quente ou frio. Ambos são ótimos.
Experimente quando puder.
O chá de flor de hibíscus é utilizado como base para diversos
chás de frutas vermelhas: morango, framboesa, cereja, amoras. Ele ajuda a
conferir sabor e a cor original da fruta. Acaba sendo misturado com a
polpa destas frutas e torna-se um "blend" (mistura).

ARGUILE (NARGUILÉ)
Arguile,
também conhecido como Narguilé é um cachimbo de água.
Além desse nome, de origem árabe, também é
chamado de hookah (na Índia e outros países que falam inglês), shisha ou goza
(nos países do norte da África), narguilê, narguila, nakla etc. Há diferenças
regionais no formato e no funcionamento, mas o princípio comum é o fato de a
fumaça passar pela água antes de chegar ao fumante. É tradicionalmente utilizado
em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul
da Ásia.
Há um fumo especial para narguilés, usualmente
feito com tabaco, melaço (um subproduto do açúcar) e frutas ou aromatizantes. Os
aromas são bastante variados; encontra-se de frutas (como pêssego, maçã verde,
coco), flores, mel, e até mesmo Coca-Cola. Embora também seja possível encontrar
fumos não-aromatizados, estes progressivamente perderam espaço para os
aromatizados, que hoje são muito mais populares.
Quando
se aspira o ar pelo tubo, reduz-se a pressão no interior da base; isso faz com
que ar aquecido pelo carvão passe pelo tabaco, produzindo a fumaça. Ela desce
pelo corpo até a base, onde é resfriada e filtrada pela água, que retém
partículas sólidas. A fumaça segue pelo tubo até ser aspirada pelo usuário. O
mais usual é que a fumaça não seja tragada.
O
Narguilé tem como origem o Oriente. Uma das versões é a de que o narguilé teria
sido inventado na Índia do século XVII, pelo médico Hakim Abul Fath, como um
método para retirar as impurezas da fumaça. Quando chegou à China, passou a ser
utilizado para fumar o ópio, e assim permaneceu até a revolução comunista, no
fim da década de 40. Na mão dos árabes, o cachimbo de água foi rapidamente
incorporado para ser apreciado em grupo, acompanhado de café e prosa. Existem
evidências históricas de narguilés na Pérsia (atual Irã) e na Mesopotâmia. As
peças mais primitivas eram feitas com madeira e um coco que fazia o lugar do
corpo (o nome origina-se do persa nārgil, que significa "coco"). Com o
desenvolvimento das civilizações e as expansões territoriais (principalmente dos
países europeus), o narguilé, já similar ao que conhecemos hoje (com base de
cerâmica ou porcelana e corpo de metal), começou a ser divulgado, e trazido
junto com especiarias como cravo e canela.
 As
cruzadas também auxiliaram a espalhar o narguilé pelo mundo, quando os
guerreiros sobreviventes traziam-no para seus países. No Brasil, o narguilé foi
trazido por alguns imigrantes europeus, e divulgado pelas colônias turca,
libanesa e judaica.
O uso do narguilé envolve riscos à saúde, como
acontece com todos os produtos derivados de tabaco. Há controvérsia, no entanto,
se esses riscos são maiores ou menores que aqueles associados aos cigarros.
A Organização Mundial de Saúde afirma que a fumaça do narguilé
contém inúmeras toxinas que podem causar câncer do pulmão, doenças cardíacas e
outras.

MERCADO DE ESCRAVAS
O mercado de escravos sempre foi
um negócio próspero no Oriente Médio e nos arredores do
Mediterrâneo desde os tempos da Mesopotâmia, duzentos anos
antes de Cristo.
Meninos e meninas capturados em
guerras ou pagos como tributo por seus pais ou governadores
locais, eram disponibilizados para compra no mercado aberto,
presente em todas as grandes cidades. Alexandria e Cairo
serviam como importantes entrepostos comerciais.
Muitos viajantes ilustres e
escritores ficaram fascinados pelo mercado de escravos.
Dentro de um período de 10 anos ouviram-se muitas descrições
acerca deles.
"Um de seus maiores atrativos
era o cabelo; arrumado em tranças enormes, era também
completamente saturado com manteiga que descia por seus ombros e
seios...isto estava na moda pois deixava seus cabelos com mais
brilho e suas faces deslumbrantes. Os comerciantes estavam
dispostos a despi-las: eles mantinham suas bocas abertas para que
eu pudesse examinar seus dentes e faziam-nas desfilar e apontavam
acima de tudo para a elasticidade de seus seios. Estas
pobres meninas respondiam da forma mais tranqüila, e a cena não
era nem ao menos dolorosa, para a maioria delas que explodiam num
riso incontrolável." (Gérard de Nerval, Voyage en
Orient-1843/51)
Jovens meninas de extraordinária beleza,
trazidas do mercado eram enviadas para a corte do sultão,
muitas vezes como presente de seus governadores.
Entre os singulares e estáveis privilégios da
sultana valide (mãe do sultão), estava o direito de presentear
seu filho com uma menina escrava em uma data comemorativa chamada
"O dia do sacrifício" que acontecia uma vez a cada
ano.
As meninas eram todas não-muçulmanas
desenraizadas desde tenra idade. Os sultões eram fiéis às
belas mulheres com olhos de corça da região do Caucaso. Elas
eram orgulhosas montanhesas; acreditavam ser descendentes das
amazonas, mulheres que viveram próximas ao Mar Negro em tempos
ancestrais. Agora eram seqüestradas ou vendidas por pais
empobrecidos. O preço a ser pago por uma escrava era algo em
torno de 1000-2000 "kuruch". Naquela época (1790) o
preço de venda de um cavalo era 5000 "kurush".
A promessa de uma vida luxuosa e calma superava
os escrúpulos paternos contra a entrega de suas filhas ao
concubinato. Muitas famílias encorajavam suas filhas para entrar
nessa vida de bom grado.

ODALISCAS (ESCRAVAS DOS HARÉNS)
Antes de admitir as escravas
dentro do harém, eunucos especialmente preparados examinavam-nas
cuidadosamente procurando quaisquer defeitos físicos ou
imperfeições. Se uma menina era considerada satisfatória o
chefe eunuco a apresentava para a mãe do sultão que seria a
responsável pela aprovação final.
Uma vez confinada ao harém seu
nome cristão era trocado por um nome persa que enaltecesse suas
qualidades individuais. Se por exemplo, uma jovem possuísse
bochechas rosadas dariam a ela o nome de "Rosa
Primaveril". Sendo agora uma odalisca era imediatamente
convertida ao islamismo e iniciava um árduo treino, versando
sobre as etiquetas palacianas e a cultura islâmica.
A palavra "Odalisca"
vem de oda (sala) e significa literalmente "mulher de
sala" insinuando o status de criada. Odaliscas de
extraordinária beleza e talento eram preparadas para se tornar
concubinas aprendendo a dançar, recitar poesias, tocar
instrumentos musicais e controlar as artes eróticas.

Onze das mais atraentes
odaliscas eram selecionadas como "gedikli"- empregadas
em espera - exclusivamente para o sultão eram responsáveis para
vesti-lo e banhá-lo, cuidavam de suas roupas e serviam-lhe a
comida e o café. Consta que essas meninas também aprendiam a
ler, escrever e a desenvolver outras habilidades tais como:
costurar, bordar, tocar harpa e cantar. Sendo do agrado do
sultão permaneciam a serviço do mesmo ou em última instância
poderiam ser oferecidas como presente a alguém se ele assim o
desejasse.
 Uma das maiores honras que o
sultão poderia conceder a um de seus pashás era presenteá-lo
com uma odalisca que tivesse adornado seu palácio mas que não
tivesse ainda se tornado sua concubina. De acordo com os
preceitos vigentes o pashá tinha que libertar a menina e fazer
dela sua esposa. Seus nobres encantos, tanto quanto suas
importantes conexões dentro do harém, faziam destas mulheres
uma jóia a ser almejada.
Outras odaliscas eram colocadas
para servir a mãe do sultão, ou as "kadins"(esposas)
e ainda os eunucos . Meninas abençoadas por físico forte se
tornavam criadas ou administradoras. Cada noviça era designada
para um departamento do harém. Estes "gabinetes
ministeriais" incluíam a senhora dos mantos, a guardiã dos
banhos, guardiã das jóias, leitora do alcorão, senhora dos
alimentos etc. Era possível para uma odalisca crescer
hierarquicamente dentro do harém imperial, mas se de qualquer
forma, faltasse a ela talento ou manifestasse em algum momento
qualidades indesejáveis, ela também corria o risco de ser
banida do palácio e revendida no mercado de escravas.

COMIDA EGÍPCIA - A
ALIMENTAÇÃO
(Egito Antigo)
 A
carne sempre foi consumida em quantidade, principalmente a do boi. O assim
chamado boi africano é um animal com chifres avantajados, de grandes proporções
e rápido no caminhar. Esse animal era submetido a um regime de engorda que o
tornava enorme e pesado, até o ponto de ficar impossibilitado de andar. Só então
estava pronto para o abate. Ao que parece, a carne era servida geralmente
cozida, provavelmente em molho, mas havia alguns tipos de carne que eram assadas
no espeto. Entretanto, a carne era uma comida de luxo para a maioria das
pessoas, que talvez só a consumissem em ocasiões especiais como, por exemplo,
nos banquetes funerários. Pedaços de carne são representados freqüentemente nos
túmulos em estelas, ou compondo o conjunto de produtos dispostos nas mesas de
oferendas como eterno alimento para o falecido.
Uma
vez que a galinha só foi introduzida no Egito tardiamente, criava-se e
consumia-se outros tipos de aves em grande escala. Em papiros que registram
donativos aos templos, as quantidades de aves citadas são impressionantes. Um
deles menciona 126 mil e duzentas aves, dentre as quais 57 mil e oitocentos e
dez pombos. A caça, portanto, era uma atividade bastante cultivada pelos
egípcios. Os galináceos eram consumidos grelhados, de preferência. Entretanto,
Heródoto nos conta — e os documentos confirmam a informação — que os egípcios
comiam crus as codornizes, os patos e alguns pequenos pássaros que tinham o
cuidado de salgar antes. Todos os pássaros restantes eram comidos assados ou
cozidos. As aves aquáticas eram abertas e postas a secar. Os templos as recebiam
vivas, secas ou ainda preparadas para consumo a curto prazo.
 Embora
em algumas localidades egípcias fosse proibido consumir certas espécies de peixe
em datas específicas, a maior parte da população comia peixe normalmente. Por
sua vez, os habitantes da região do Delta e os que moravam às margens do lago
Fayum eram pescadores por profissão. Quanto aos peixes, Heródoto informa que
alguns eram comidos crus e secos ao sol ou postos em salmoura. Entretanto,
várias outras espécies eram comidas assadas ou cozidas. Uma vez pescados, os
peixes eram estendidos no solo, abertos e postos a secar. Visando a preparação
do escabeche, eram separadas as ovas dos mugens. Mais uma vez um papiro cita a
quantidade de peixes doados a três templos: 441 mil. Os templos recebiam não
apenas peixes frescos, mas também secos. Como se vê, a pesca era outra atividade
importante.
Rabanetes,
cebolas e alhos fazem parte da dieta egípcia, sendo que estes últimos eram muito
apreciados. Melancias, melões e pepinos aparecem representados com freqüência
nas pinturas dos túmulos, sendo que neles os arqueólogos também encontraram
favas, ervilhas e grãos de bico. Nas hortas domésticas cultivava-se a alface, a
qual os egípcios acreditavam que tornava os homens apaixonados e as mulheres
fecundas e, assim, consumiam-na em grande quantidade, crua e temperada com sal e
azeite. Min, o deus da fecundidade, tem às vezes sua estátua erguida no
meio de um quadrado de alfaces, sua verdura preferida. Seth, segundo nos
conta a lenda, era outro deus apreciador de alface.
Com relação aos frutos, consumiam uvas, figos e
tâmaras, sendo que estas últimas também eram empregadas em medicamentos. A
romeira, a oliveira e a macieira foram introduzidas no Egito somente por volta
de 1640 a.C. O azeite era utilizado não apenas na alimentação, mas também para
iluminação. Frutos como laranjas, limões, bananas, peras, pêssegos e cerejas não
eram conhecidos dos antigos egípcios, sendo que os três últimos só passaram a
ser consumidos na época romana. Nesse capítulo os mais pobres muitas vezes só
podiam mascar o interior dos caules de papiros, a exemplo do que fazemos hoje
com a cana de açúcar.
O
leite era recolhido em vasos ovais de cerâmica tampados com um punhado de ervas,
evitando-se fechar totalmente a abertura, para afastar os insetos do líquido. O
sal era utilizado na cozinha e em medicamentos. O papel do açúcar era
desempenhado pelo mel e pelos grãos de alfarroba. Embora o mel e a cera de
abelha fossem buscados no deserto por homens especializados nesse ofício, também
havia criação de abelhas no exterior das residências. Para a formação das
colméias colocavam-se jarras de cerâmica e os apicultores caminhavam sem
proteção por entre os insetos, afastando-os com as mãos nuas para recolher os
favos. O mel era mantido em grandes tigelas de pedra, seladas. Em suas iguarias
os egípcios empregavam ainda manteiga ou nata e gordura de pato ou de vitelo.
Pães
e bolos eram preparados nas casas das pessoas ricas e também nos templos, o que
incluía a moagem dos grãos. É possível, entretanto, que moleiros e padeiros
independentes trabalhassem para atender as pessoas humildes. A panificação era
um trabalho conjunto de homens e mulheres. Na figura ao lado vemos uma serva
carregando uma oferenda de pão e carne. A peça, cuja altura é de 38 centímetros,
foi datada como sendo da XII dinastia (1991 a 1783 a.C.).
A
bebida número um dos egípcios era a cerveja, consumida em todo o país, tanto nas
cidades como nos campos. Era feita com cevada ou trigo e tâmaras e sorvida em
taças de pedra, faiança ou metal, de preferência em curto espaço de tempo, pois
azedava com facilidade. O vinho, sem dúvida, ficava em segundo lugar na
preferência etílica dos egípcios, havendo grande comércio do produto. Eles
apreciavam o vinho doce, de uma doçura que ultrapassasse a do mel.
Os egípcios alimentavam-se sentados, a sós ou
acompanhados, diante de uma mesinha sobre a qual eram postas as provisões. Os
rapazes sentavam-se sobre almofadas ou esteiras. Pela manhã não havia a reunião
da família para a refeição. O marido e a esposa eram servidos em separado. Ele,
tão logo se aprontara e ela ainda quando a penteavam ou logo após. Pão, cerveja,
uma coxa de galináceo e um bolo era um bom repasto para o esposo.
A
ementa das grandes refeições compreendia, com toda a verossimilhança,
— nos conta Pierre Montet — carnes, galináceos, legumes e
frutos da estação, pães e bolos, tudo bem regado com cerveja. Não é de todo
certo que os egípcios, mesmo os da classe rica, comessem carne a todas as
refeições. É preciso não esquecer que o Egito é um país quente e que o comércio
de miudezas mal existia. Só podiam mandar abater um boi aqueles que estavam
certos de o consumir em três ou quatro dias, isto é, os grandes proprietários
que tinham um pessoal numeroso, o pessoal do templo, os que davam um festim. As
pessoas humildes só o faziam para festas e peregrinações.
Os arqueólogos, em suas escavações, encontraram
pratos, terrinas, travessas, cálices, facas, colheres e garfos, o que abre a
possibilidade para o consumo de sopas, purês, pratos guarnecidos acompanhados de
molho, compotas e cremes. As baixelas dos ricos eram de pedra: granito, xisto,
alabastro e uma certa espécie de mármore. As taças de formato pequeno eram de
cristal. Por outro lado, o material pictórico deixado pelos egípcios mostra que,
à mesa, eles se serviam muito dos dedos (comia-se com as mãos).
Fonte:
O
Fascínio do Antigo Egito
(um site bem interessante com informações preciosas sobre a vida no Antigo
Egito)

PERÍODOS
& CRONOLOGIA
A história do Antigo Egito foi dividida pelos
investigadores nos seguintes períodos:
- Época pré-dinástica e proto-dinástico
(4500-3000 a.C.);
- Época Tinita ou Época Arcaica
(3000-2660 a.C.): I e II dinastias
- Império Antigo (2660-2180
a.C): III a VI dinastias
- Primeiro Período Intermediário
(2180-2040 a.C.): VII a XI dinastias
- Império Médio (2040-1780
a.C.): XI e XII dinastias
- Segundo Período Intermediário
(1780 a 1560 a.C.): XIII a XVII dinastias
- Império Novo (1560-1070 a.C.):
XVIII a XX dinastias
- Terceiro Período Intermediário
(1070-664 a.C.): XXI a XXV dinastias
- Época Baixa (664-332 a.C.):
XXVI a XXX dinastias
- Época greco-romana
- Período ptolemaico (332-30
a.C.)
- Domínio romano (30 a.C.-359
d.C.)

MITOLOGIA EGÍPCIA
Mitologia egípcia ou, em sentido lato, religião
egípcia refere-se às divindades, mitos e práticas cultuais dos habitantes do
Antigo Egito. Não existiu propriamente uma "religião"
egípcia, pois as crenças - frequentemente diferentes de região para região - não
era a parte mais importante, mas sim o culto aos deuses, que
eram considerados os donos legítimos do solo do Egito, terra que tinham
governado no passado distante.
As fontes para o estudo da mitologia e religião
egípcia são variadas, desde templos, pirâmides, estátuas, túmulos até textos. Em
relação às fontes escritas, os Egípcios não deixaram obras que sistematizassem
de forma clara e organizada as suas crenças. Em geral os investigadores modernos
centram-se no seu estudo em três obras principais:
1) o Livro das Pirâmides,
2) o
Livro dos Sarcófagos e
3) o Livro dos Mortos.

O Livro das Pirâmides é uma compilação de
fórmulas mágicas e hinos cujo objetivo é proteger o faraó e garantir a sua
sobrevivência no Além. Os textos encontram-se escritos sobre os muros dos
corredores das câmaras funerárias da pirâmide de Sakkara. Do ponto de vista
cronológico, situam-se na época da V e VI dinastias.
O Livro dos Sarcófagos, uma recolha de textos
escritos em caracteres Hieróglifo/hieroglíficos cursivos no interior de
sarcófagos de madeira da época do Império Médio, tinham também como função
ajudar os mortos no outro mundo.
Por último, o Livro dos Mortos, que inclui os
textos das obras anteriores, para além de textos originais, data do Império
Novo. Esta obra era escrita em rolos de papiro pelos escribas e vendida às
pessoas para ser colocada nos túmulos.

Outras fontes escritas são os textos dos
autores gregos e romanos, como os relatos de Heródoto (século V a.C.) e
Plutarco (século I d.C.).
 As várias divindades egípcias existentes
caracterizavam-se pela sua capacidade em estar em vários locais ao mesmo tempo e
de sobreviver a ataques. A maioria delas era benevolente, com exceção de
algumas divindades com personalidade mais ambivalente como as deusas Sekhet e
Mut.
Um deus poderia também assumir várias formas e
possuir outros nomes. O exemplo mais claro é o da divindade solar Rá que era
conhecido como Kepra, representado como um escaravelho, quando era o sol da
manhã. Recebia o nome de Atom enquanto sol do entardecer, sendo visto como velho
e curvado, um deus esperado pelos mortos, que se aquecem com os seus raios.
Durante o dia, Rá anda pela Terra como um falcão. Estes
três aspectos e outros setenta e dois são invocados numa ladainha sempre na
entrada dos túmulos reais.
Estas divindades eram agrupadas de várias
maneiras, como em grupos de nove deuses (as Enéades), de
oito deuses (as Ogdóades), ou de três deuses (tríades). A principal Enéade era a da cidade
de Heliópolis presidida pela divindade solar Rá.

O LEGADO DO ANTIGO EGITO
Apesar da civilização egípcia ter terminado há
dois mil anos, parte do seu legado continua vivo no mundo atual.
Os Egípcios possuíam um
calendário
de 365 dias e doze meses e já dividiam o dia em vinte e quatro
horas. Algumas palavras da língua portuguesa, como alquimia, química, adobe,
saco, papel, gazela e girafa, têm origens na língua
egípcia. De igual forma, certas expressões, como "anos de vacas magras", são
também de origem egípcia. As crianças do Antigo Egito já brincavam a "macaca",
tal como o fazem as crianças de hoje em dia, e os adultos apreciavam um jogo de
tabuleiro, conhecido como Senet.
Na arquitetura, estão presentes no
mundo contemporâneo certos elementos da arquitetura do Antigo Egito como o
obelisco, que os Egípcios consideravam como um raio do sol petrificado. Ele está presente
em várias cidades mundiais, como Buenos Aires ou no Monumento de Washington, nos
EUA. Outras cidades possuem mesmo obeliscos que foram
trazidos do Antigo Egito (Place de la Concorde em Paris, Praça de São Pedro, no
Vaticano...).
A construção piramidal, associada ao Antigo Egito, encontra-se também em
edifícios como a Pirâmide do Louvre de Paris ou o Luxor Hotel de Las Vegas.
Alguns símbolos da
alquimia
são de origem egípcia, como a serpente ouroboros
e a ave fênix. O papiro dos
egípcios foi o antepassado do papel dos nossos
dias.
Mas será porventura no domínio da
religião e da espiritualidade que o legado do Antigo Egito está mais presente. Embora já
não se veja na experiência religiosa de Akhenaton um monoteísmo
puro nascido antes do monoteísmo dos Hebreus, não
deixa de ser curiosa a semelhança entre versos do Grande Hino a Aton escrito por Akhenaton com o
salmo 104 da Bíblia.
Os
Egípcios acreditavam na necessidade de levar uma vida pautada por uma conduta
ética de modo a assegurar uma vida no Além, um conceito presente em várias
religiões dos nossos dias. O relato da morte e ressurreição do deus Osíris, lembra
a própria morte e ressurreição de Jesus Cristo, no qual assenta o
cristianismo.
A Igreja Copta, que reúne a maioria dos cristãos do Egito, usa como símbolo a cruz
ansata ou ankh,
símbolo da vida no Antigo Egito. Segundo Heródoto, os sacerdotes egípcios
praticavam a circuncisão e dedicavam alguns dias do ano ao jejum, dois
elementos que estão presente em religiões como o judaísmo e o islã. Para
além disso, os movimentos esotéricos e ocultistas
tem também o Antigo Egito como referência, apropriando-se de elementos e
símbolos desta civilização.

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Curiosidades ... Parte 1


O objetivo destas páginas de "Curiosidades" é além de
proporcionar uma gama de conhecimentos específicos, estimular a pesquisa dos
diversos temas abordados.
Procuramos misturar aqui 5000 anos de civilização de forma
lúdica.
Se você gostou de aprender sobre estes temas, saiba
que existe muito mais. A fonte é inesgotável!
Contamos aqui com as seguintes fontes:
- Wikipédia - A
Enciclopédia Livre (espetacular!)
- Livro Egito - "Um Olhar Amoroso" - de Robert Solé - Ediouro
- Conhecimentos Pessoais

Jorge Sabongi
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