Centenas de
CURIOSIDADES EGÍPCIAS
Parte
5



Um pouco de tudo...

AS MIL E UMA NOITES

Um dia, talvez, as maravilhas da ciência ultrapassarão as das Mil e Uma Noites.  Mas esse dia ainda está longe.  Pois, apesar de seus satélites, a ciência não saiu do sistema solar, enquanto nas Mil e Uma Noites qualquer pessoa, montada no cavalo maravilhoso, pode subir até o ponto de onde vê as estrelas como montanhas e ouve o cântico dos anjos.

 Não é surpreendente, nestas condições, que o livro e seus heróis (Aladim, Ali Babá, Simbad) gozem de celebridade universal.  Mas é surpreendente verificar que, apesar dessa celebridade, poucas pessoas conheçam mesmo o livro, sua história, seu conteúdo, seu simbolismo.

 O que são As Mil e Uma Noites? Essencialmente, uma coleção de histórias populares que pertencem aos gêneros mais diversos: fábulas, contos humorísticos, morais, românticos, eróticos, narrações históricas, anedotas, aventuras, guerras, viagens – num total de 500 narrativas diferentes.

 Essas histórias teriam tido, sem dúvida, menor sucesso não fosse a moldura original na qual foram dispostas.   Essa moldura é a aventura de dois irmãos, Shahriar e Shahezaman, que reinavam, o primeiro na Pérsia, o outro na Grande Tartária.  Traídos pela respectivas mulheres, deixam seus palácios, disfarçados e decididos a voltar somente se encontrarem maridos mais desgraçados do que eles.

 A busca não foi longa. Na primeira floresta, cruzam com um djim, um  gigante, que carrega uma jaula na qual mantém presa uma mulher de prodigiosa formosura.  Quando o gênio adormece, a mulher faz sinal aos irmãos para que se aproximem; e eles se tornam seus amantes sob os olhos velados do gênio e são despojados de seus anéis – que a mulher junta aos de 98 amantes anteriores, por ela seduzidos apesar de todas as precauções do gigante.

 Consolados, os irmãos regressam aos seus palácios.  Mas Shahriar, a fim de prevenir qualquer futura infidelidade, decide casar-se cada noite com uma nova donzela e mandar matá-la na aurora seguinte.

 Centenas de moças são assim sacrificadas.  As famílias fogem para salvar as filhas.  O reino está conturbado. Então, uma das filhas do vizir, a bela Sheherazade oferece-se para casar-se com o rei, assegurando ao pai que ela possui um plano para acabar com a calamidade.

 Na noite nupcial, sua irmã Duniaziade, de conluio com ela, pede-lhe para “contar uma daquelas histórias cativantes que você conhece e que fazem o tempo passar tão agradavelmente”.

- Com muito prazer – responde Sheherazade -, se meu soberano permitir.

- Sim, conta-nos uma história – diz o rei com interesse.

 E Sheherazade começa sua pasmosa narrativa, assombro dos séculos, que dura exatamente mil e uma noites.  Pois, a cada aurora, ela para de falar num dos pontos mais provocantes da história, prometendo continuá-la na noite seguinte.  O soberano, preso pela curiosidade, adia cada vez a execução.  E fica adiando mil e uma noites.

 Através dos Séculos ....

 As Mil e Uma Noites permaneceram durante séculos sob forma de manuscritos dispersos em diversos países orientais.

 Foi o Ocidente que as descobriu e as revelou como obra-prima da literatura universal: as traduções das Mil e Uma Noites editadas na Europa são anteriores à primeira edição do manuscrito original árabe, que só data de 1835.

 O núcleo primeiro do livro é provavelmente um conjunto de antigas histórias persas, Hazar Afsana (Mil Lendas), que foi traduzido para o árabe no século VIII, sob o título de Mil Noites (Alf Laila).

 Nos meados do Século X, o autor árabe, Abu Abdala Ibn Abdus, pretendeu levar a coleção realmente a mil.  Mas morreu antes de escrever a metade da obra.

 Por algum tempo, o livro some sem deixar traços.  Reaparece no século XII, no Egito, já com o título de Mil e Uma Noites, e com histórias acrescidas, de origem síria, egípcia, turca, e talvez européia.

 No século XVII, o livro dormia, ainda manuscrito, no Egito e em certas cidades libanesas e sírias.

 Antoine Galland (1646 – 1715), orientalista francês, arqueólogo e funcionário da Embaixada francesa na Turquia, encontrou em Trípoli, Líbano, alguns fragmentos das Mil e Uma Noites.  Eram as aventuras de Sindbad, o Marujo.  Traduziu-as e publicou-as em quatro volumes.  O sucesso foi imenso.  Outros oito volumes se seguiram.

 A tradução de Galland nem  sempre era fiel. Ele adaptou e reescreveu muitas histórias.  Mas era um grande narrador e soube pôr nas suas adaptações arte e vida, aproximando o original do gosto francês e europeu. Ajudou a dar à obra sua popularidade ímpar. Até hoje, a tradução francesa de Galland é o modelo das outras traduções.

 Em inglês, houve três traduções no século XIX, a principal das quais, a de Richard Burton, teve tamanho sucesso que Burton apurou um lucro de 10.000 libras esterlinas e se tornou uma celebridade.

 Desde então foram editadas mais de 300 edições em todas as línguas européias.  Hoje, é o livro mais lido no mundo depois da Bíblia (A maior coleção de suas edições – mais de 1000 volumes – encontra-se na Chase Memorial Library em Nova Iorque).

 E o sucesso não se limitou à leitura do livro.  A imaginação do público exaltou-se a tal ponto com a visão do Oriente evocada nas histórias das Mil e Uma Noites que os temas orientais viraram moda.  Era, na maioria das vezes, um Oriente da fantasia, povoado de grotescas figuras de califas, xeques, e cádis sem relação com a realidade.  Assim mesmo, agradavam.  Os imitadores se multiplicaram.  Até grandes escritores aderiram à moda.  Montesquieu (Lês Lettres Persanes), Voltaire (Zadig, Mahomet e outros), Victor Hugo (Lês Orientales), Beckvford (Vathek) se inspiram no Oriente a contribuem para aumentar ainda mais seu prestígio. No prefácio de Lês Orientales, Victor Hubo escreve: “Na época de Luiz XIV, todo mundo era helenista; hoje, todo mundo é orientalista.”

 Além dessa influência de forma, As Mil e Uma Noites tiveram uma influência de fundo nas literaturas inglesa e francesa, que atravessavam então uma crise de crescimento, provocada pelo advento das massas ao hábito da leitura e sua preferência por uma produção menos impessoal e árida que a literatura clássica.  As Mil e Uma Noites trouxeram a solução desejada.  Abriram a imaginação para o espírito de aventura, o conto popular, um mundo maravilhoso de seres diferentes e alegres, sempre em movimento.  “Não é temerário supor”, diz o orientalista britânico H.R. Gibb, “que As Mil e Uma Noites revelaram os horizontes que os escritores buscavam e que, não fossem As Mil e Uma Noites, não teriam existido nem Robinson Crusoé nem talvez as Viagens de Gulliver.”

 Na sua biografia de Balzac, o maior criador de romances da literatura francesa, André Maurois menciona que ele lia as Mil e Uma Noites: “Em seu gabinete de trabalho, figuravam As Mil e Uma Noites, encadernadas por Touvenin”.

 Os que conhecem as Mil e Uma Noites somente através das histórias de Sindbad e Aladim conhecem apenas uma das três  facetas do livro: a da fantasia e exuberância.  As duas outras facetas são igualmente fundamentais: a sabedoria popular e o erotismo.

 A Fantasia e Exuberância...

 A fantasia manifesta-se sob várias formas, todas caracterizadas pelo inverossímil levado para além de todos os limites do exagero e tornando-se divertido por isso mesmo.  Num dos contos, um saco disputado em juízo entre um árabe e um curdo é tido como contendo, no dizer de uma das partes, uma casa em ruínas, uma escola, um exército e seus chefes, o palácio do Emir Chedad-bem-Aad, mil condutores de caravanas, etc. – e, no dizer de outra, uma vaca, dois bezerros, um búfalo, uma leva com dois leões, a cidade de Bassora etc., ao que a reação do juiz é mandar abrir o saco para decidir a quem pertence pela verificação do seu conteúdo!

 Em outros contos, um gênio é tão alto que, com os pés na terra, toca o firmamento com a cabeça – e, assim mesmo, pode ser encarcerado numa garrafa.

 Cidades inteiras são criadas do nada ou devolvidas ao nada num piscar de olhos.

 Vales nascem de repente entre as montanhas, com lagos maravilhosos, onde nadam peixes de quatro cores que, fritos, falam, e regados com água mágica, transformam-se em seres humanos.

 Um rei construiu para sua filha predileta sete palácios, cada qual diferente dos outros: o primeiro era de cristal; o segundo, de mármore; o terceiro, de ferro chinês; o quarto, de pedras preciosas; o quinto, de prata; o sexto, de outro; o sétimo, de jóias.

 Um diamante encontrado num peixe basta para iluminar, à noite, uma casa inteira.  E certo ungüento, passado nas pálpebras, permite ver, através dos rochedos e das montanhas, os tesouros lá escondidos.

 Com umas palavras e umas gotas de água mágica, um marido transforma em mula sua esposa malvada.  E uma mulher transforma dois homens que a humilharam em dois cães de caça.

 A atmosfera é povoada de djims invisíveis para os homens, mas tão reais quantos elas.  Encontram-se, casam-se lutam, ajudam os homens ou conspiram contra eles.  Uns são bons, outros ruins.

 Nenhum livro em nenhuma literatura contém tamanha exuberância de fantasias.  A própria mitologia grega parece árida em comparação.

 A Sabedoria Popular e Sheherazade ...

 Essa fantasia exuberante não impede Sheherazade de incluir em suas histórias uma sabedoria que se expressa sob diversas formas.

 Uma delas é o ditado ou o aforismo que, postos na boca dos personagens, refletem algum aspecto de sua experiência:  “A prudência é a metade da inteligência.”  “Não escapa ao infortúnio quem não considera as conseqüências.” “É impossível ocultar por muito tempo quatro coisas:  o talento, a tolice, a riqueza e a pobreza.” “O marido mais tolo é aquele que elogia, para sua mulher, um homem belo e valente, rico e generoso. Pois a mulher encontrará cedo demais um caminho até ele”.

 Outra forma de expressão são os versos, intercalados com freqüência no texto, e que contém considerações gerais sobre a vida e suas flutuações.
 

  Quando o destino está generoso para contigo,

Sê generoso para com os outros:

Nem a prodigalidade te perderá se ele for favorável,

Nem a parcimônia te salvará se ele for adverso.
 

 Mas é particularmente nas fábulas e contos morais que Sheherazade esbanja sua sabedoria.  Ensina-nos particularmente três coisas: 1) a respeitar a justiça e a verdade porque, na maioria dos casos, são elas que finalmente vencem; 2) a não dar aos bens do mundo mais valor do que merecem em comparação com os bens eternos; 3) a fazer uso de nossa inteligência mais do que de nossa força para alcançar nossos objetivos.

 Num desses contos, uma mulher caluniada é salva e seus dois caluniadores, apedrejados, graças a um estratagema do profeta Daniel que interroga os acusadores separadamente, exponde-lhe a malícia.  Eles, na realidade, haviam tentado seduzir a mulher virtuosa e, repelidos, acusaram-na de cometer a fornicação num jardim público.

“Em que parte do jardim vistes a mulher pecar?”,  perguntou Daniel ao primeiro acusador “Na parte ocidental, sob uma nogueira”,  respondeu.  Interrogado em separado, o segundo acusador responde: “Na parte oriental, sob um carvalho.”

Num outro conto, dois viajantes descobrem, juntos, um tesouro. No caminho de volta, cada um pensa consigo mesmo “Por que não colocar veneno na comida dele e ficar com todo o tesouro?”  Executam seus desígnios, e ambos caem mortos na estrada, e o tesouro é levado por um transeunte.

A astúcia, o artifício, a manha, o ardil são usados vitoriosamente tanto para oprimir e extorquir como para defender-se.  Esta  arte pela qual a inteligência, a sutileza, a finura triunfam sobre a força bruta é um dos espetáculos mais empolgantes das Mil e Uma Noites.

 O Erotismo nas Mil e Uma Noites...

A terceira faceta do livro é o erotismo, que em nada fica a dever às obras mais pornográficas de nossa época liberal.  Nas Mil e Uma Noites, qualquer homem deseja qualquer mulher e qualquer mulher se entrega a qualquer homem.  E todos eles fazem o amor assim que se encontram, com a naturalidade com que nos apertamos as mãos.  Os soberanos encomendam dúzias de virgens com seios de bicos salientes como encomendamos caixas de uísque de determinada marca.  E, por sua vez, as mulheres chegam a um refinamento único na arte de enganar os maridos. 

 O erotismo das Mil e Uma Noites é tão cru que muitas edições são expurgadas dos contos mais provocantes.  Num conto, por exemplo, uma mulher tinha vários amantes: um pasteleiro, um verdureiro, um carniceiro e um clarinete da orquestra do sultão.  Cada um chega na hora marcada do dia, carregando instrumentos e presentes próprios à sua profissão – e as evocações, comparações, imagens inspiradas por esses instrumentos e presentes são dignos dos autores da Mulher Sensual.  O verdureiro, por exemplo, traz-lhe na mão uma cana-de-açúcar escolhida.  E ela lhe pergunta, rindo:

- É essa toda a cana-de-açúcar que me trazes, ó rei das canas de açúcar ?

- E ele responde: Oh, Senhora minha, a cana-de-açúcar que estás vendo não é nada comparada com que a que não vês.

 À vezes, a malícia e o erotismo se misturam de maneira mais agradável que chocantes.  No conto Os Amores de Zein Al-Mauassif, um jovem e uma jovem travam conhecimento, jogando, na ausência do marido, uma partida de xadrez... Depois, o jovem colhe sua  amantes nos braços e cofre à alcova.  Ali, joga com ela uma nova partida de xadrez, seguindo todas as regras, como um verdadeiro mestre. Faz, depois, com que a sucedam uma segunda partida e uma terceira, e assim até a décima quinta, portando-se o rei em todos os assaltos tão valentemente que a jovem, maravilhada e exausta, exclama:  - Por Alá, triunfaste, ó meu senhor, dize ao rei que descanse.

 Nos contos eróticos, a satisfação sexual é o único objetivo.  Homens e mulheres se entregam uns aos outros indiscriminadamente e sem nenhum obstáculo moral, hesitação, remorso, senso de proibição ou sentimentos românticos.  O gozo sexual é a suprema delícia e a meta suprema.

 As pessoas nem são individualizadas.  Basta que tenham sexo.

 Nas Mil e Uma Noites, todas as mulheres são insaciáveis e todos os homens, inesgotáveis.  Quando fazem o amor, fazem-no dezenas de vezes seguidas.  Um homem é tanto mais feliz quanto mais mulheres tiver.  Num conto, dois enamorados permanecem unidos, gozando um do outro e esquecendo até de comer, durante 15 dias sem interrupção.  Num outro, o herói é tratado durante um ano e um dia por 40 jovens belíssimas que tinham as caras como a lua cheia, quadris de coral, e seios que são “tentações de tomar nas mãos”.

 Nos romances habituais, quando o herói e a heroína se casam, o novelista fecha a porta atrás deles e vai embora.  Nas Mil e Uma Noites, ele põe o olho na fechadura e conta minuciosamente o que vê e ouve.

 Sobre os fatos acima relatados e analisados não existem controvérsias sérias.  A controvérsia relaciona-se com o sentido verdadeiro e a finalidade das Mil e Uma Noites: será ela uma simples obra de ficção, ou será uma sátira social, ou mesmo uma obra a chaves em que fantasias aparentemente levianas escondem segredos esotéricos somente acessíveis aos iniciados ?

 “Sob o véu engenhoso do apólogo, diz o Larousse, esses contos tão poéticos pintam admiravelmente o caráter e os modos dos orientais”.

 Mardus, que traduziu as Mil e Uma Noites para o francês, acrescenta: “As cenas são eróticas, mas não pornográficas.  Os árabes vêm todas as coisas sob o aspecto hilariante.  Seu sentido erótico só conduz à alegria.  Riem como crianças onde um puritano gemeria de escândalo.”

 Jorge Adoum conclui: “Assim, em conto após conto do grande livro, aparecem as fadas, seus jardins encantados, seus tesouros indescritíveis e sua perfeita libertação deste triste cárcere de matéria física: todo um mundo impenetrável a nós como corpos, mas perfeitamente penetrável àqueles iniciados que chegaram à libertação.”

 Tese engenhosa que, certa ou não, em nada prejudica o divertimento produzido pelas histórias de Sheherazade e, antes, acrescenta-lhes um fascínio especial.

 Mansour Challita, - “Esse Deconhecido Oriente Médio” – Ed. Revan – Págs. 118 à 128 – Edição 1991

RAMADAN

O Sagrado Mês do Ramadan

 O mês sagrado do Ramadan é recebido com grande fervor religioso no mundo islâmico.  As tradições culturais e religiosas durante o Ramadan tem se mantido inalteradas, ligando os muçulmanos de hoje a seus ancestrais.

 As datas do Ramadan, o nono mês de Hijra, varia de acordo com o calendário lunar, caindo aproximadamente 11 dias antes do ano novo.  O primeiro sinal de lua crescente anuncia o início do jejum.

 Quando o profeta Mohamed deixou Meca para Medina, ele jejuou por três dias.  Após esse período, recebeu uma revelação vinda de Deus, e estabeleceu-a obrigação de jejuar por certo número de dias, e então, determinou-se o mês do Ramadan.

 O jejum requer total abstinência de comida, bebida e fumo e relações sexuais, e este é um dos cinco pilares do Islã.  Todo muçulmano deve jejuar desde a aurora até a por do sol.  Há exceções para alguns casos como, pessoas doentes, mulheres grávidas, aqueles que estão em viagens extenuantes e mulher que está amamentando.  Essas pessoas deverão jejuar este número de dias, assim que estiverem aptas para tal, fora da data correta.  Os recém-nascidos e as crianças abaixo da idade da puberdade são dispensadas, mas mesmo assim, muitas famílias encorajam suas crianças de 7 ou 8 anos a jejuar por algumas horas no dia para treiná-los a ter disciplina.

O Ramadan não é apenas um mês de “abstinência moral”.  Carrega também a virtude de criar novos laços para compreensão entre as classes de pessoas.  O jejum praticado pelos ricos e pobres, igualmente, faz com que os afortunados se conscientizem do sofrimento da falta de alimentos pela qual os pobres passam. Jejuando caridade, paciência e compaixão.

 Islamismo enfatiza  igualdade, pobres e ricos, homens e mulheres são iguais aos olhos de Deus.  Deus escolheu o mês do Ramadan para dar aos muçulmanos a chance de obter perdão por seus pecados.  O profeta Mohammed disse: “Aquele que jejuar durante o mês do Ramadan com fé sincera e esperando a retribuição de Deus, terá seus pecados perdoados”.

 O décimo dia do Ramadan comemora a morte da primeira esposa do profeta Khadyah, o décimo sétimo dia marca a vitória decisiva dos muçulmanos sobre os infiéis em “Badr” (AD 424) e o décimo nono dia é o dia da Conquista de Meca, pelo profeta Mohammed.

 Em um dos últimos dias do Ramadan é Lailat al Qadr, a “Noite do Poder”.  Neste momento as preces dos muçulmanos serão ouvidas e respondidas .  Esta noite é abençoada pois os anjos descem à Terra.  De acordo com a tradição, o profeta costumava passar os últimos dez dias do mês na Mesquita de Medina.  O Alcorão “a última revelação de Deus” foi recitado nessa noite.

 Durante esse período (mês do Ramadan) a parte das preces obrigatórias os muçulmanos são encorajados a fazer preces voluntárias, recitar e estudar todo o Alcorão, fazer caridade e se possível seguir o exemplo do profeta e se retirar para uma mesquita durante os últimos dez dias do mês.

 Cada noite durante o Ramadan, cerimônias especiais de rezas são realizadas em cada mesquita local, nas quais uma trigésima parte do Alcorão é lida, completando o livro em sua totalidade no final do Ramadan. Pessoas se mantém acordadas durante a noite toda para as preces especialmente as preces taraweeh.  Mulheres vão as mesquitas para as rezas noturnas, e há também palestras religiosas nas mesquitas ao cair da tarde.

 Ao anoitecer o profeta Mohammed (Que a paz esteja com ele) quebrava o jejum com tâmaras e água.  O jejum pode ser quebrado com todas as comidas desde que não sejam proibidas pela lei islâmica. Um lanche com tâmaras, iogurte e sopa é usualmente consumido.  A seguir vem a prece do por do sol que é feita antes da próxima refeição.  Esta é uma refeição completa com sopa, prato principal tashiriba – contendo frango, pão e vegetais, bebidas como água, iogurte e suco de damasco.

NOMES ÁRABES

A curiosa formação dos nomes árabes

 Para aquelas pessoas acostumadas a tradição européia de usar apenas o nome próprio, o nome intermediário opcional e o sobrenome, os nomes no mundo árabe podem parecer intrincados para não citar sua extensão que pode ser enorme.

 De qualquer forma há uma lógica na estrutura de formação desses nomes, uma vez compreendida, torna tudo mais fácil e inteligível.

Vamos descobrir um pouco desse mundo…

 Por exemplo:

 O nome de um homem é Ali bin Ahmed bin Saleh Al- Fulani.

Ele é chamado de Ali por seus familiares e amigos.

Seu nome de família é Al Fulani.

    O que significa então bin Ahmed bin Saleh? Isso simplesmente quer dizer que ele é o filho de Ahmed que por sua vez é filho de Saleh.

Bin significa "filho de".

Então nós temos o nome dado ao homem, o nome de seu pai e o nome de seu avô, mais o nome da família.

Para dizer a verdade alguns árabes do Golfo e da Arábia Saudita podem dar a seus descendentes nomes de no mínimo cinco ou seis gerações, ou as vezes até mais.

 Vamos dar uma olhadinha agora nos nomes de alguns governantes dos estados do Golfo:

 O governante da Arábia Saudita é Fahad bin Abdul Aziz bin Abdul Rahman Al- Sa’ud.

O nome de seu pai é Abdul Aziz e o nome de seu avô é Abdul Rahman.

O nome da família é Al Sa’ud

 

E os nomes das mulheres?

Nosso amigo Ali tem uma irmã que se chama Nura bint Ahmed bin Saleh Al- Fulani.

Bint significa a "filha de".

O nome dela é Nura, a filha de Ahmed que é o filho de Saleh.

É interessante notar que quando uma mulher saudita ou do Golfo árabe se casa, ela não muda seu nome. A mulher mantém seu nome de solteira e seus filhos é que vão receber o nome do pai. Em outras palavras ela morrerá com o mesmo nome que recebeu ao nascer. Se Nura se casa com um homem que se chama por exemplo:

Abdulah bin Mohammed bin Faisal Al- Hijazi seus filhos serão ( nome ) bin Abdulah bin Monammed bin Faisal Al- Hijazi e suas filhas (nome) bint Abdulah bin Mohammed bin Faisal Al- Hijazi.

CASAMENTO ÁRABE

 

Na tradição do casamento dentro dos Emirados árabes, ao marcar a data da cerimônia inicia-se uma série de preparativos que ocupam a noiva antes de seu casamento. Muitas coisas são exigidas do noivo também mas a parte das mulheres é muito mais elaborada e ocupa muito mais tempo do que a dos homens.

Como preparação para o seu casamento ela é untada, da cabeça aos pés com toda sorte de óleos e perfumes, tem o corpo friccionado e lavado com óleos para limpeza e hidratação e os pés e mãos decorados com henna. Os cabelos são lavados com extrato de âmbar e jasmim. Ela é servida com as melhores comidas e suas amigas preparam os melhores pratos e depois compartilham com ela essa refeição. Tradicionalmente ela fica quarenta dias em casa descansando antes do casamento e ninguém a vê, exceto os familiares que tem acesso à noiva. Ela recebe de seu noivo jóias, sedas, perfumes e outros itens necessários para seu enxoval chamado Addahbia.

 A festa começa uma semana antes do casamento. Durante esta semana música tradicional com diversos cantores e danças são solicitados para expressar a alegria da família do noivo e da noiva pelo desenlace prestes a acontecer.

Hoje em dia, mesmo não durando uma semana como antigamente, as festas são altamente elaboradas senão mais do que o eram no passado.

Poucas noites antes do casamento acontece a noite da henna ou Lailat al henna.  Essa noite é muito especial para a noiva pois é uma noite exclusivamente reservada para as mulheres. É nessa noite que os pés e mãos da noiva são decorados com henna, uma pasta escura feita a partir da planta com o mesmo nome. Se é deixada por algum tempo na pele deixa como marca seu desenho em cor vermelha.

A noite da henna é uma ocasião usada para confraternização entre as mulheres, as irmãs da noiva, parentes e amigas ficam reunidas e ouvem música, cantam e dançam. Todas as convidadas também decoram as mãos e os pés com henna e aproveitam a oportunidade de viver de forma prazerosa esses momentos esperados e compartilhados apenas entre elas.

Um outro elemento tradicional dos costumes nos emirados árabes é o uso de delineador para os olhos.

 A noiva e suas convidadas adoram usar delineador preto em volta dos olhos, esse uso é diário mas especialmente indispensável em ocasiões festivas. Famosas por seus grandes e belos olhos negros, as mulheres árabes usam Khol desde os antigos tempos.

 Tirada de uma pedra preta conhecida como Al Athmed que é trazida da Arábia Saudita, o Kohl é preparado através de diversos métodos e estágios. Primeiro a pedra é aquecida até se desintegrar e depois é processado em água e café árabe, as vezes até mesmo folhas de henna são utilizadas  (dependendo do método usado) e é deixado descansando por quarenta dias até completar o processo. Finalmente ela é triturada até a obtenção de um pó muito fino e está pronta para ser usada em pó como delineador para os olhos. Usado por mulheres de todas as idades o delineador árabe é considerado além de sua propriedade estética, saudável para os olhos.

Depois de ter os olhos delineados, pés e mãos decorados com henna, a noiva está pronta para sua noite de casamento. Os banquetes e comemorações sem fim envolvem tanto homens quanto mulheres mas eles festejam separadamente. Embora possam acontecer pequenas diferenças de costume entre uma região e outra, no geral o costume é o mesmo para todos os países ligados aos emirados.

Em 1992 seguindo as recomendações de sua alteza o Shiekh Zaied Bin Sultan Al Nahyan, um fundo para casamentos foi desenvolvido para limitar o excesso de gastos com festas e celebrações. Esse fundo tem por objetivo encorajar o casamento dos homens sauditas com mulheres provenientes de seu próprio grupo e tenta desestimular a procura por mulheres estrangeiras. Um outro interesse seria o de aumentar a taxa de natalidade.

O fundo provê cerca de 60000 até 70000 em moeda local dependendo de certos critérios, para cada jovem que se casa. Além disso o governo lançou uma campanha encorajando os pais a aceitarem um dote menor. Além disso salas especiais para recepções de casamentos foram construídas diminuindo dessa forma as altas despesas com os hotéis que antes eram a única opção para tais comemorações.

De acordo com as orientações de sua alteza Sheikh Zayed Bin Sultan Al Nahyan o ministro de justiça propôs um projeto de lei definindo o valor do dote a ser pago pelo noivo a sua noiva, o valor fixo de uma compensação em caso de divórcio e o estabelecimento da duração da festa de casamento para apenas um dia.

TENDA NO DESERTO

…o mistério da vida nômade

 A tenda tem sido a residência para o homem desde a aurora da história. Variando em características geográficas e diferenças culturais essas habitações diferem em design mas mantém suas qualidades essenciais inalteradas. Uma tenda tem que ser flexível, e suficientemente leve para ser facilmente transportada.

 Os beduínos do deserto usam tendas negras conhecidas por beit al-sha’r (casa do cabelo). Essas tendas são tecidas através dos pelos de ovelhas e cabras domesticadas, e imagina-se que suas formas tenham origem na Mesopotâmia. O pêlo dos animais é trançado em tiras grosseiras de tecido conhecidas como falaí’f  que são então costuradas juntas. A cor natural do animal é retida – geralmente se usa pêlo negro de cabra, ocasionalmente há a adição de lã de carneiro, que dá a tenda uma aparência listrada em marrom e negro.

 O tamanho da tenda depende da importância de seu proprietário, ou o tamanho de sua família.

Uma família média usaria uma tenda feita de tiras estreitas, cada uma de sete metros e meio de comprimento, sustentada por duas traves de sustentação.  Uma pessoa importante como um sheikh de tribo por exemplo., poderia ter uma habitação mais imponente, feita de tiras largas de tecido, seis tiras por exemplo, cada uma com 20 metros de comprimento e sustentada por quatro traves no lugar de duas. Qualquer coisa maior do que isso não seria fácil de transportar e portanto dispensável.

 Quando as tiras de tecido são costuradas juntas, elas se transformam num longo retângulo. Este é então elevado e apoiado sobre as traves de tenda , conhecidas por amdan, com cordas especiais  - atnab – que são usadas para manter os lados da tenda esticados. Uma  cortina muito decorada, ou qata, é pendurada dentro da tenda de lado a lado no meio do espaço interno para dividir o espaço dos homens do das mulheres. A área das mulheres é sempre maior que a dos homens e nunca é vista por nenhum homem a não ser o proprietário da tenda. Ruag ou a porta da tenda, são longos pedaços de tecido atados aos lados da habitação. Estes são pendurados como uma cortina na parte de trás da tenda e são longos o suficiente para envolver toda a tenda e cercá-la durante a noite.

 A vida útil do tecido da tenda é de cerca de seis anos, com partes sendo adicionadas e renovadas periodicamente, de acordo com seu tempo de uso. A fiação dos pêlos da cabra é feita pelas mulheres da tribo, num simples carretel em forma de gota chamado maghzal. Esse cordão é então tecido em um tear manual  e horizontal que fica no chão ( natui), ele é portátil  e pode ser facilmente dobrável quando é chegada a hora da tribo se mudar. Uma medida muito antiga é usada para nortear o tamanho das tiras de tecido fabricadas nesse tear e elas sempre obedecem ao mesmo padrão de largura. Esta medida é baseada no comprimento do antebraço.

 O processo de cerzir as tiras de tecido é deixado a cargo das mulheres da tribo, e é sempre motivo de celebração. A costura é um trabalho que requer muita habilidade pois as costuras devem ser fortes e duráveis. Uma linha feita de pêlo de cabra é usada para esta tarefa.

 O material  da tenda é tecido com pontos soltos pois há necessidade de dispersar o calor através dele. Apesar da cor preta absorver o calor geralmente dentro da tenda a temperatura interna fica entre 10 e 15 graus abaixo da temperatura externa. A tenda oferece sombra do sol quente e isolamento nas frias noites do deserto. Durante a  chuva os fios incham e dessa forma fecham os buracos na fiação prevenindo goteiras. O pêlo de cabra é naturalmente oleoso, o que traz adicionalmente um efeito a mais repelindo as gotas de chuva, e os ocupantes da tenda podem permanecer razoavelmente secos.

 A forma achatada do teto das tendas é aerodinamicamente desenhada para que não seja facilmente soprado para longe por repentinas rajadas de vento ou por períodos prolongados com ventanias que são lugar comum no deserto, A excepcional resistência do cânhamo usado nas traves de sustentação das tendas também ajuda conta o impacto do vento e as cordas agem absorvendo o choque.

 É o cabeça da família que define e dirige onde a tenda será montada quando da chegada a um lugar novo de acampamento mas o trabalho é executado principalmente pelas mulheres da tribo. O homem escolhe um ponto adequado para a fixação da residência e então a tenda é desenrolada e levantada de forma que um de seus lados fique na direção do vento e a área dos homens fique situada no lado oriental e voltada para Meca,

 Os móveis que utiliza-se numa casa como esta são muito simples, consistindo de tapetes e colchões espalhados pelo chão, com travesseiros colocados em ambos os lados das selas dos camelos do dono do lugar de forma que ao receber convidados ele tenha um lugar confortável para oferecer a estes, como um sofá improvisado. Redes podem ser estendidas entre as traves da tenda, A área das mulheres guarda a comida, os utensílios de cozinha e carretéis para fiação assim como as liteiras de camelo onde as mulheres costumam viajar.

 Marco Pólo uma vez descreveu uma tensa usada por Kublai Khan numa viagem de caça. Suas cordas eram feitas de seda e era forrada com peles e revestida com peles de leões. O interior era grande o bastante para acomodar 10000 soldados e seus oficiais. Impressionante de fato, e diametralmente oposta ao modelo humilde utilizado pelo povo beduíno. Mas pela praticidade, durabilidade e tradição, a “casa de cabelo”é até hoje a mais atraente e perfeita opção para a vida beduína provada por séculos e séculos de uso.

TUAREGUES

Os tuaregues são um grupo étnico da região do Sahara que falam uma língua berber.

Estes nômades do deserto do Sahara cruzam as terras de areia montados em camelos.

Vivem numa terra onde assuntos como vida e morte são sempre preponderantes. Um povo orgulhoso e com um olhar severo e penetrante por fora de seus turbantes. Sua riqueza são carneiros, cabras e os poucos instrumentos que eles precisam para viver. Vivem em pequenas tendas e se mudam com freqüência sempre procurando por pasto novo para seus rebanhos domésticos.

Este estilo de vida não se modificou por séculos.

 Usam a linhagem materna embora não sejam matriarcais.  São os homens que não dispensam um véu azul índigo característico, o tagelmust, que usam mesmo entre os familiares. Dizem que os protege dos maus espíritos, e tem a função prática de proteger contra a inclemência do sol do deserto e das rajadas de areia durante suas viagens em caravana. Usam como um turbante que cobre também todo o rosto, exceto os olhos. As comunidades de tuaregues têm por norma oferecer chá de menta aos grupos de turistas.

Alguns deles formam caravanas para cruzar o deserto do Saara e comercializar sal e cobre do norte da África por ouro do Golfo da Guiné. A história dessa rota de caravanas é muito antiga.  Houve um tempo em que a cultura islâmica era transmitida através dessa rota e esta também foi a trilha pela qual escravos negros foram trazidos da África para os países mediterrâneos.

Até hoje os tuaregues vagam por essa trilha juntamente com outros nômades da Arábia Saudita trazendo mercadorias e cultura cruzando o deserto.

A região que aparentemente sempre viveram é no noroeste africano, principalmente no deserto do Sahara, do sul da Argélia ao norte de Mali no lado leste da Nigéria. Podem ser encontrados, todavia, em praticamente todas as partes do deserto.

A língua tamasheq é o principal elo que os caracteriza como povo em comum, mais do que a raça ou linhagem genética.  Provavelmente têm parentesco com egípcios e marroquinos, com quem compartilham trechos culturais e a religião muçulmana. Mas não são árabes, são "berberes" e usam esse alfabeto.

Antes de se tornarem pacíficos como são atualmente, os Tuaregues cobravam pedágios altíssimos dos outros viajantes, assaltando e massacrando os que deixavam de pagar. Em 1946, com a chegada de novos governos, eles entraram em guerra por sua liberdade (o que acabou com aproximadamente quarenta mil Tuaregues mortos, incluindo mulheres e crianças). Agora dedicam-se principalmente à música, ao artesanato e ao pastoreio de animais como os camelos e dromedários.

ORIENTE MÉDIO

  Há menos de 35 anos, o mundo só conhecia o Oriente Médio através dos contos das Mil e Uma Noites.  Hoje, o Oriente Médio é provavelmente a região mais focalizada e falada do globo.

 Apesar disto, muitos cronistas continuam a escrever sobre ele mais em termos de contos de fadas do que de observação objetiva. E mesmo os políticos responsáveis nem sempre conseguem separar, quando se trata do Oriente, a ficção da realidade.

 Para conhecer a região, temos que conhecer, primeiro, seu aspecto físico.  Muitos brasileiros imaginam o Oriente Médio como uma terra de desertos áridos, onde se movem os beduínos e as miragens.  A representação é, em grande parte, inexata.  O Oriente Médio (composto, hoje, da Turquia, Irã, Iraque, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Iêmen, Catar, Omã, Palestina, Síria, Líbano, Jordânia, Israel, Egito e Emirados Árabes Unidos – que compreende Abu-Dabi, Abdjam, Dubai, Fujaira, Rãs Al-Khaima, Sharjah e Um Al-Kaiuan) é constituído pelos elementos geográficos mais variados.

 Sua forma global é a de um corpo maciço que se ramifica em todas as direções em penínsulas, istmos (como o famoso Suez), arquipélagos, e abre-se sobre mares e golfos célebres como o Mar Negro, os Dardanelos, o Mar Mediterrâneo, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico.  Sua superfície total é ligeiramente inferior a sete milhões de quilômetros quadrados.

Se sobrevoarmos este continente sobre o tapete de Aladim, passaremos por cima de todas as altitudes e de todos os climas.  Ao Norte, cobrindo especialmente a Turquia, parte da Síria, do Iraque e do Irã, estende-se uma cadeia de altas montanhas recobertas em certos cumes, de neve eterna.  Um desses cumes é o Monte Ararat, onde pousou a arca de Noé após o dilúvio.

 Rumando para o Sul, essas montanhas perdem em altitude, mas ganham em pitoresco e fertilidade, e constituem, no Líbano e na Palestina, que ocupam em grande parte, alguns dos mais belos panoramas do mundo.

 As lendas fenícias contam que o clima das montanhas libanesas era tão suave e suas flores tão aromáticas que os répteis que habitavam a região perdiam o veneno.  À noite, o firmamento, estrelado e límpido, parece um teto apenas mais elevado que os outros.

Foi nas alturas dessas montanhas que Deus estabeleceu seus primeiros contatos com o homem. Lá, Moisés recebeu os Dez Mandamentos.  Lá, Jesus pregou seu Sermão da Montanha.  Lá Maomé encontrou o anjo Gabriel.  Lá Zoroastro concebeu seu ideal do super-homem.

 As montanhas do Oriente Médio são ao mesmo tempo elevações geográficas e espirituais.

 O deserto começa no sopé dessas montanhas e recobre a maior parte do Sul e do Sudeste do Oriente Médio.  Mas este deserto não é árido em toda parte.  Algumas das suas regiões foram transformadas pela generosidade dos rios em planícies de fabulosa fertilidade.

Sem o Nilo, o Egito seria uma imensidão de terra arenosa e desolada.  O Nilo, acumulando por cima da areia o limo carregado das montanhas abissínias, numa média de um milímetro por ano, formou o Vale do Nilo que tem hoje uma largura média de 25 a 30 quilômetros e uma espessura de 10 a 15 metros e é uma das regiões mais férteis do mundo.  Quatro culturas se sucedem nela por ano.

 O Vale do Nilo representa, em superfície, 3% do território egípcio.  Mas ele produz toda a riqueza do país e serve de moradia para 99% dos habitantes.

 A mesma generosidade dos rios beneficiou o Iraque, cuja parte essencial, a Mesopotâmia, é formada pelo limo do Eufrates e do Tigre.  Esta planície foi sempre de tão magnífica abundância que as lendas situam nela o paraíso terrestre.  (Perto de Kirkuk, os nativos mostram ao turista o túmulo de Adão).

 Sob o solo dessa região extraordinária, 11 civilizações amontoaram, com o tempo, suas glórias e suas ruínas.  Hoje, a civilização árabe refloresce lá à sombra de 30 milhões de palmeiras, as mais esplêndidas do mundo.

 É somente fora dessas planícies incomparáveis que o deserto domina o Oriente Médio.  É verdade que, assim mesmo, seu reino é gigantesco.  No Irã forma todo o planalto interior do país que se estende sobre 960.000 quilômetros quadrados.  A vida para nas suas bordas como uma orla de um oceano.  Em certas partes, sopra o vento dos 120 dias que se desloca com a velocidade de 200 quilômetros por hora, matando os camelos e, às vezes, os homens.

 O deserto do Egito, com seus 914.000 quilômetros quadrados, é igualmente desolado.

 Na Arábia Saudita, há regiões desérticas onde nem o explorador nem o nômade tiveram ainda a coragem de se aventurar. (Reconheçamos, todavia, que, com a descoberta do petróleo, muitas dessas imensidões áridas valorizaram muito mais do que as planícies mais férteis.)

 Em todos esses desertos, florescem verdadeiras ilhas de verdura e de frescor, chamadas oásis.  Alguns têm uma superfície insignificante: uma fonte rodeada por algumas árvores – o indispensável para justificar a esperança daqueles que vagam no deserto.

Outros ocupam 25.000 Km² e formam pequenos mundos isolados que possuem no seu seio todos os elementos necessários à sua perpetuidade.

 É fora desses oásis, no mundo quente e livre do deserto, que existem realmente os beduínos (e as miragens).  Os beduínos contam apenas 9 milhões em todo o Oriente Médio, ou seja, apenas 3% da sua população total. Esses nômades tem a vida mais pitoresca e as concepções mais fantásticas do mundo.  Seu senso de honra e de hospitalidade é mundialmente célebre.  O beduíno prefere morrer a trair seu hóspede ou amigo.  Ele tem a fala naturalmente metafórica e brilhante e tira glória desse talento.  É também amigo do fausto e do suntuoso.  Muitas vezes gasta, numa recepção, o duplo dos seus haveres e passa anos a pagar suas dívidas. 

 Tem concepções tradicionais singulares.  O beduíno anda de pés nus, mas não descobre a cabeça.  Acredita que descobrir a cabeça é decair.  Planta trigo, mas não planta árvores.  Acredita que plantar árvores é também decair.  E, além de tudo, o beduíno adora a liberdade.   Ele não tem pátria fixa, não tem raízes e vive sempre em movimento.  Sua pátria é todo lote de terra coberto de erva fresca. Quando a erva murcha, ele coloca seus poucos utensílios sobre um camelo, sobre em outro camelo e vai, com seu rebanho, procurar novos pastos.

 Talvez seja essa vida mesma que dá ao beduíno esta juventude eterna, esta vitalidade inesgotável que todos os cronistas admiram.

 A zona estratégica mais importante do mundo

 A importância econômica e política do Oriente Médio como fonte de petróleo em nada diminuiu sua importância estratégica, fundamental hoje como ontem.

 Basta observar um mapa-múndi para constatar a base dessa importância.  Situado entre a África, a Ásia, e a Europa, o Oriente Médio tem limites aproximadamente iguais com cada uma delas, e tem os únicos pontos de contato que ligam esses três continentes entre si.

 Mesmo antes da abertura do Canal de Suez, esta região era a rota do mundo, graças à qual o Oriente e o Ocidente trocavam suas mercadorias, suas crenças, seu saber e suas armas.

 A abertura do Canal de Suez, no fim do século passado, revolucionou as comunicações mundiais e realçou ainda mais a importância do Oriente Médio.  Entre Bombaim e Londres, por exemplo, o caminho marítimo é de 5.950 léguas pelo Cabo da Boa Esperança, e somente 3.100 por Suez.  Entre Nova Iorque e Bombaim, a distância é respectivamente de 6.200 e 3.761 léguas.  Entre Lê Havre, na França e Bombaim, a distância é de 5.800 e 2.824;  e entre Constantinopla e Bombaim, é respectivamente de 6.100 e 1.800.

Pela dominação desta zona primordial, lutaram os impérios desde a aurora da história: egípcios contra hititas, assírios contra fenícios, macedônios contra persas, romanos contra gregos, árabes contra bizantinos, otomanos contra mamelucos, franco-britânicos contra turcos e alemães.

 Na II Guerra Mundial, houve um episódio que sublinhou o fato de que essa importância estratégica nada perdeu com o progresso da arte bélica.  Os alemães acabavam de derrotar e ocupar a França e preparavam-se para invadir a Grã-Bretanha.  Churchill e seu Estado-Maior decidiram que, assim mesmo, o lugar onde havia maior perigo de perder-se a guerra não era a Europa, mas o Oriente Médio: enviaram sua única divisão mecanizada para opor-se à marcha de Rommel sobre Suez.

 Comenta Kermit Roosevelt, que cita o fato em seu livro Arabs, Oil and History: “Os historiadores militares concordam que foi essa uma das decisões mais auspiciosas da guerra.” O General Eisenhower declarava por sua vez:  “No que diz respeito ao valor estratégico, não há no mundo zona mais importante que o Oriente Médio.”  Chamava o Oriente Médio de “uma encruzilhada entre os continentes”.

 Resumindo a opinião de estrategistas e o ensino da história, escrevia ainda Kermit Roosevelt: “Toda potência que visa a estender sua dominação sobre os continentes aprendeu que a dominação  do Oriente Médio é uma etapa essencial; e toda potência que procura impedir a expansão territorial de outra potência aprendeu também que o Oriente Médio deve ser defendido a todo custo.”

Fonte: Mansour Challita, - “Esse Deconhecido Oriente Médio” – Ed. Revan  (Fone: 21 273-6873) – Págs. 15 à 20 – Edição 1991

LÍNGUA ÁRABE

 Existem 22 países árabes e todos falam cada um um árabe diferente.  Mas existe o árabe clássico.

A expressão "árabe clássico" refere-se, literalmente, a língua árabe pura que é, de acordo com os falantes do árabe, tanto a língua dos meios de comunicação modernos no Norte da África e Médio Oriente (desde Marrocos até ao Iraque), quanto a língua do Alcorão. Engloba não apenas a televisão, rádio, jornais e revistas, mas também toda a matéria impressa, inclusive todos os livros, documentos de qualquer espécie e livros didáticos para crianças.

Assim, cada país fala o árabe através de seus dialetos, mas todos através dos meios acima se compreendem através do árabe clássico.

A palavra "árabe" também se refere aos vários dialetos nacionais e regionais, derivados do árabe clássico, falados atualmente no Norte da África e no Médio Oriente, e que por vezes diferem uns dos outros a ponto de se tornarem incompreensíveis entre si. Em geral, estes dialetos não são escritos, apesar de muitos deles possuírem uma certa quantidade de literatura (particularmente músicas e poesia) produzida especialmente no Líbano e no Egito.

É, por vezes, difícil traduzir alguns conceitos islâmicos, ou conceitos próprios à cultura árabe, sem o uso da terminologia árabe. O Alcorão está escrito em árabe e os muçulmanos, por tradição, consideram impossível traduzi-lo de modo a refletir adequadamente sua significação exata - ou porque a tradução poderia trair o sentido original do texto ou, segundo alguns acadêmicos e religiosos islâmicos, porque a sua própria natureza sagrada torna impossível qualquer tradução (parcial ou por completo). De fato, até recentemente, algumas escolas de ideologia conservadora consideravam que ele não deveria ser traduzido de forma alguma.

A língua espanhola é a língua européia com um maior número de palavras de origem árabe, logo seguida da língua portuguesa. É comum dizer-se que todas as palavras portuguesas começadas por "al" têm origem árabe, o que não é, de todo, verdade, ainda que assim aconteça com uma grande parte delas. Efetivamente, a língua portuguesa foi francamente enriquecida devido à passagem dos árabes pela península ibérica, especialmente nas áreas técnicas (artesanato, agricultura, etc).  Os numerais árabes são os mais utilizados na cultura ocidental (incluindo os países lusófonos) mas, excetuando em alguns países do norte de África, na atualidade, a maioria dos árabes utiliza os denominados numerais hindus.

O árabe é uma língua semítica, bastante aparentada com o aramaico e o hebraico. Em muitos países árabes modernos, como o Egito, o Líbano e Marrocos, existem vários dialetos, mas todos utilizam o Modern Standard Arabic nos meios de comunicação em geral. Entretanto, é falado apenas em situações formais ou a nível acadêmico. Por consequência, outras variedades linguísticas vernaculares passam a cumprir as funções dos padrões linguísticos dos países ocidentais (ver Chambers, Sociolinguistic Theory).

O "árabe coloquial" é um termo coletivo aplicado a diversas línguas e dialetos do mundo árabe que, como já foi mencionado, difere radicalmente da língua literária. A primeira divisão linguística estabelece-se entre os dialetos do Magrebe e os do Oriente Médio; seguido das diferenças entre os dialetos dos povos sedentários e os beduínos (muito mais conservadores). O Maltês, ainda que derivada do árabe, é considerada uma língua à parte. Os falantes de alguns destes dialetos são incapazes de conversar com os falantes de outro dialeto árabe; efetivamente, os habitantes do Médio Oriente têm dificuldade em perceber os norte-africanos (ainda que o contrário não aconteça, devido à popularidade do cinema e, em geral, o Médio Oriente no Norte da África).

Um importante fator de diferenciação dos dialetos é a influência dos substratos linguísticos (ou seja, das línguas faladas previamente nos locais onde se passou a falar árabe), originando um número significativo de novas palavras, influenciando também, muitas vezes, a pronúncia e a ordem das palavras.

Entretanto, um fator muito mais significativo para a maioria dos dialetos é, como entre as línguas românicas, a retenção (ou mudança de significado) de formas clássicas diferentes. Assim, aku no dialeto iraquiano, fiih no levantino e kayen no norte-africano significam "existe", e todos vêm do árabe (yakuun, fiihi, kaa'in respectivamente), mas agora soam muito diferentes.

Os grupos principais de línguas árabes são:

- Árabe magrebino
- Árabe andaluz (extinto)
- Árabe sudanês
- Árabe levantino
- Árabe iraquiano
- Árabe do Golfo
- Árabe Najdi
- Árabe iemenita

O Árabe Egípcio

O árabe egípcio é uma variação do árabe, originária da região do Delta do Nilo, em torno da capital do país, Cairo.  Descende do árabe trazido à região durante a conquista islâmica do Egito, ocorrida no Século VII, e seu desenvolvimento foi influenciado principalmente pelas línguas nativas, como o copta e o egípcio, faladas durante o Egito pré-islâmico e, posteriormente, por outros idiomas como o turco, o francês e o inglês.

Os cerca de 76 milhões de egípcios falam um contínuo dialetal, dos quais o cairota é o mais destacado. O árabe egípcio é amplamente compreendido por grande parte do mundo árabe, devido à importância da mídia egípcia na região, o que o torna a variante do árabe mais falada e uma das mais estudadas.

Os termos "árabe egípcio" e "masri" são usados costumeiramente como sinônimos de "árabe cairota", o dialeto da capital egípcia. O nome nativo do país, "masri", é usado localmente para se referir ao próprio Cairo.  De maneira similar ao papel desempenhado pelo francês parisiense,  o masri é disparadamente a variante local hegemônica em todas as áreas da vida nacional.  Embora essencialmente uma língua falada, pode ser encontrado na forma escrita em romances, peças teatrais, poemas (literatura vernácula), assim como quadrinhos, publicidade, alguns jornais e em transcrições populares. 

Na maior parte do resto da mídia escrita, assim como nas transmissões televisivas (principalmente notícias), o árabe clássico padrão é utilizado. O vernáculo egípcio costuma ser escrito no alfabeto árabe para o consumo local, embora também seja frequentemente transliterado para o alfabeto latino ou o alfabeto fonético internacional, em textos sobre linguística ou em apostilas destinadas ao ensino do idioma.

CIDADES DO EGITO

O Egito divide-se administrativamente em 27 províncias (mohafazat, em árabe); administradas por governadores nomeados pelo presidente:

No. Nome Área (km²) População (2006) Capital
1 Dakahlia 3 471 4 985 187 Almançora
2 Mar Vermelho 203 685 288 233 Hurghada
3 Al-Buhaira 10 130 4 737 129 Damanhur
4 Faium 1 827 2 512 792 Faium
5 Garbia 1 942 4 010 298 Tanta
6 Alexandria 2 679 4 110 015 Alexandria
7 Ismaília 1 442 942 832 Ismaília
8 Guizé 85 153 6 272 571 Guizé
9 Monufia 1 532 3 270 404 Xibin El Kom
10 Minya 32 279 4 179 309 Minya
11 Cairo 214 7 786 640 Cairo
12 Qaliubia 1 001 4 237 003 Banha
13 Luxor 55 451 318 Luxur
14 Vale Novo 376 505 187 256 Kharga
15 Xarqia 4 180 5 340 058 Zagazig
16 Suez 17 840 510 935 Suez
17 Assuan 679 1 184 432 Assuan
18 Assiut 25 926 3 441 597 Assiut
19 Beni Suef 1 322 2 290 527 Beni Suef
20 Porto Said 72 570 768 Porto Said
21 Damieta 589 1 092 316 Damieta
22 Sinai do Sul 33 140 149 335 El-Tor
23 Sharm el-Sheikh 3 437 2 618 111 Sharm el-Sheikh
24 Matruh 212 112 322 341 Marsa Matruh
25 Qina 1 851 3 001 494 Qina
26 Sinai do Norte 27 574 339 752 Alarixe
27 Sohag 1 547 3 746 377 Sohag

 

SÚMULA GERAL SOBRE O EGITO

Nome: República Árabe do Egito
Regime de Governo: Presidencialista (eleição por voto popular)
Presidente Atual: Mohammed Hosny Mubarak, desde 14 de Outubro, 1981
Primeiro Ministro: Atef Mohammed Abeid, desde 5 Outubro, 1999
Capital: Cidade do Cairo
Divisão Administrativa: 26 Cidades-Estado
Nacionalidade: Egípcia
Língua: Árabe (oficial), inglês, francês
Religião: 94% islâmica (principalmente sunita), 6% católicos coptas
Quantidade de Mesquitas: milhares
Principais Aeroportos: Alexandria, Assuan, Cairo, Luxor, Al Ghardaqah
Moeda: Libra Egípcia
Grupos Étnicos: Egípcios, beduínos e berberes 99%, gregos, núbios, armênios, outros europeus (principalmente italianos e franceses) 1%
Independência: 28 de Fevereiro, 1922 - da Inglaterra
Feriado Nacional: Dia da Revolução - 23 de Julho de 1952
Constituição: 11 de Setembro de 1971
Sufrágio Universal: 18 anos de idade - universal e obrigatório
Eleições para Presidente: a cada 6 anos - voto popular
Presidente atual Hosny Mubarak, eleito já por 4 mandatos
Principais Cidades: Além da Capital Cairo, Alexandria, Al Jizah, Port Said, Al Mansura, Assuan
Localização: Nordeste da África
(fazendo fronteira ao Norte com o Mar Mediterrâneo, ao Sul com o Sudão, a Oeste com a Líbia e a Oeste com a Faixa de Gaza e o Mar Vermelho)
Limites de Terra: Faixa de Gaza 11 km, Israel 266 km, Líbia 1.115 km, Sudão 1.273 km
Terreno: Vasto platô desértico, interrompido pelo Vale do Nilo e Delta
Utilização do Solo: Terra cultivável: 2,87%
Colheita: 0,48%
Deserto: 96,65% (2001)
Riscos Naturais: Secas periódicas, freqüentes terremotos, enchentes rápidas, deslizamentos de terra; calor, tempestades de areia (chamadas de "khamsin" - geralmente em Maio), tempestades de vento e tempestades de poeira.
Fuso Horário: 5 horas a mais (do Brasil)
Área: 1.000.250 Km2
Clima: Desértico, quente, seco no verão e moderado no inverno
Linha Costeira: 2.450 km
Rio Principal: Nilo (entre 2 desertos)
Chuvas Anuais: 200 mm ao Norte
zero nos desertos
poucas chuvas caem anualmente no Egito;
em função disso, a maioria da população mora próxima ao Rio Nilo.
População 76.117.421 habitantes (Julho/2004)
(maior população do mundo árabe)
Idade Média da População: 23,4 anos
Maior Densidade Populacional: 99% da população vive ao Norte, no Delta do Nilo
e a margem ao longo do Rio Nilo, que corta o país de Norte a Sul - o restante é deserto.
Mortalidade Infantil: 33,9 para cada 1000 nascimentos
Expectativa de Vida: 70,71 anos
Índice de Analfabetismo: 42,3 % (em 2003)
Taxa Média de Crescimento: 1,85% ao ano
HIV/AIDS: abaixo de 0,1% (aprox. 8.000 portadores - estimativa 2001)
Força de Trabalho: 20.1 milhões (estimativa 2003)
Renda per Capita: US$ 3.900 (estimativa 2003)
Inflação Anual: 4,5% (2003)
Índice de Desemprego: 9,9% (2003)
Atividades Principais: Turismo e agricultura
Importantes Fontes de Renda - Pedágio cobrado pela passagem dos navios no Canal de Suez
- Turismo
Agricultura: Principalmente algodão e cravo-da-índia;
Atividades em expansão: Cereais, frutas, arroz, cana-de-açúcar, tomate, batata, laranjas, milho e trigo.
Importação: mais 50% dos produtos que consome
Exportação: Petróleo e derivados, texteis, frutas e vegetais, roupas e acessórios, produtos de alumínio
Maiores Parceiros Comerciais: USA, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália
Principais Rebanhos: Búfalos, bovinos, caprinos, ovinos e camelos
Animais do Deserto: Gazelas, raposas do deserto, hienas, chacal, gerbo, javali, rato de faraó, principalmente no Delta e nas montanhas do Mar Vermelho.
Vegetação: Principalmente no Delta: papiros, plátano, alfarrobeira, ciprestes, olmo, mimosa; uvas, diversos tipos de vegetais e flores como flôr de lotus, jasmim e rosas.
Indústria: Cimento, derivados de algodão, ferro e aço e alimentos processados
Riquezas Naturais: Petróleo, gás natural, ferro, fosfato, manganês, cromo, zinco, chumbo, amianto, pedra calcária, gipsita.
Ramificação Militar: Exército, marinha, aeronáutica, comando de força aérea
Efetivo: 20.340.716 (est. 2004)
Composição por Setor: Agricultura: 17%
indústria: 33%
serviços: 50% (2003)
Comunicação: Televisão: 98 canais (Set 1995)
Rádio: 42 (AM), 14 (FM)
Telefones: 7,43 milhões (2002)
Celulares: 4,494,700 (2002)
Internet: 2,7 milhões de usuários (2003)
código do país para Internet:   .eg
Maiores Universidades: Al Azhar (Cairo), Universidade do Cairo, Universidade de Alexandria, Universidade de Assuan
Transportes e Estradas: Estradas de Ferro: 5.105 km
Rodovias: 64.000 km
Navegação: 3.500 km
Aeroportos: 89 (2003)
Alimentação: Favas, lentilhas, grão-de-bico, trigo, molho de gergilim, legumes (beringelas, rabanetes, cenouras), arroz, carnes de carneiro, vaca, aves (frango, pombas) e peixes; não consomem carne de porco.
Cultivo da Agricultura A agricultura egípcia é rica, mas a escassez de chuvas, faz com que dependa exclusivamente das águas do Rio Nilo.  Anualmente, através das cheias, suas águas transformam o solo, num dos mais férteis do planeta.
Bebidas Tradicionais: Karkadeh (chá natural e tradicional a base de pétalas secas da flôr de hibiscus - servido quente ou frio); limonada, suco de framboesa ou amora silvestre (raspbarry)

Temperatura Média Anual no Egito (Celsius)

JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC
25 26 26 32 35 38 40 43 38 32 27 26

 Retornar para Curiosidades ... Parte 1

 O objetivo destas páginas de "Curiosidades" é além de proporcionar uma gama de conhecimentos específicos, estimular a pesquisa dos diversos temas abordados. 

Procuramos misturar aqui 5000 anos de civilização de forma lúdica.

 Se você gostou de aprender sobre estes temas, saiba que existe muito mais.  A fonte é inesgotável!

  Contamos aqui com as seguintes fontes:
- "Esse Desconhecido Oriente Médio" de Mansour Challita;
 - Wikipédia - A Enciclopédia Livre (espetacular!);
 - Livro Egito - "Um Olhar Amoroso" - de Robert Solé - Ediouro;
 - Conhecimentos Pessoais;
 

Jorge Sabongi

Site Khan el Khalili - Brasil