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Um dos mais proeminentes autores dentro do Egito, Tewfic
Al-Hakim,
escreveu em seu famoso romance "O retorno da Alma":
"A verdadeira sabedoria flui no sangue dos egípcios, mas
sem o seu próprio conhecimento."

 Você consegue acreditar que milhares de anos
que fizeram parte da história do Egito simplesmente desapareceram como um sonho
sem deixar traços?".
A mente
egípcia é o resultado de milhares de anos de história acumulada. Sucessivos
invasores deixaram sua marca, mas foram eventualmente assimiladas dentro do
Egito no que os egípcios chamam de Mãe do Mundo, Om Eddunia.
Egípcios são amáveis, hospitaleiros e modestos. Eles também
tem um senso de equilíbrio e moderação. Problemas no Egito, no entanto tem uma
tendência para resistir as soluções. Todos parecem aceitar que o problema vai se
resolver por si mesmo. Insha´Állah ("amanhã, se Deus Quiser") e Ma´lesh
("deixa prá lá", "não tem problema"), são parte do vocabulário essencial
para o visitante.
O segredo para aproveitar uma
viagem ao Egito é a paciência infinita.
Egito tem uma justa causa para seus problemas. Mais de 40%de
seus homens são iletrados, mais ainda se pensarmos na população feminina; é
super povoado e pobre. Há em alto grau o desequilíbrio na distribuição de
riquezas. Sem um sistema de classes no Egito, sem títulos, a única forma de
galgar a escala social é através da aquisição de riqueza.
Egípcios
são orgulhosos e sensíveis. Orgulhosos de sua história mas sensíveis acerca de
seu presente. Este paradoxo explica porque as pessoas não gostam quando
fotógrafos estrangeiros sacam suas máquinas fotográficas e querem registrar
imagens de seu dia a dia. A menos que sejam fotografados no que consideram ser
uma situação em que podem se orgulhar, não se sentirão confortáveis em frente as
lentes, preferem estar longe delas.

Egípcios são, de forma geral daltônicos, acerca de
preconceitos. Outras raças são tratadas como iguais e recebem a mesma
consideração que a sua própria. Estrangeiros vivendo no Egito, são tratados com
respeito e tolerância. Egípcios no exterior muitas vezes se sentem chocados, e
surpresos pelos problemas de preconceito racial que presenciam em outros países.
A Língua Árabe tem sua marca na mentalidade Egípcia. O Árabe
Clássico é usado pela imprensa e em escrita oficial, mas o árabe falado é
coloquial e varia de região para região. O Árabe coloquial do Cairo é largamente
compreendido por todo o mundo Árabe por conta da influência dos filmes, canções
e programas de tv.
O Árabe Clássico
(a língua do Our´an), é a prova viva do
passado glorioso. Só pode ser adquirida por educação formal e representa o ideal
de alta estima para todos os que falam Árabe. Quando usada na sua melhor
performance, a forma clássica do Árabe, é cheia de metáforas com rimas elaboradas
e muito conteúdo dramático. Para a grande maioria dos egípcios o exagero e a
dramaticidade além da conta, faz parte da cultura e é absolutamente encarado de
forma muito natural. Isto também se reflete na forma coloquial da língua, usada
na conversação do dia a dia. As pessoas aspiram pela forma clássica de discurso
mas só usam e sentem-se confortáveis com o coloquial.
Este exagero muitas vezes leva a conflitos na comunicação. Um
psicólogo egípcio uma vez contou uma estória de dois amigos, uma menina
Inglesa e um garoto Egípcio. A garota reclamou que seu amigo estava importunando-a
com suas declarações de amor, e se recusava a receber um não como resposta
quando esta deixou claro que não tinha nenhum interesse nele. Por outro lado, o
jovem Egípcio, confidenciou que a garota estava encorajando-o, apesar dele ter
mostrado apenas um pouco de interesse nela. O psicólogo disse que ambos estavam
dizendo a verdade, mas a diferença estava entre o exagero Egípcio e o excesso de
auto afirmação, em relação ao excesso de tato Inglês levaram a uma indicação
incompleta ou mal entendido.
Egípcios tendem a ser machistas numa sociedade que reconhece e
premia a dominação masculina. O sistema patriarcal requer o suporte e lealdade
de todos os membros da família e em contrapartida ele responde por oferecer aos
mesmos segurança e proteção. Na ausência de um sistema de previdência social que
ofereça algum auxílio, a manutenção da família vem sempre em primeiro lugar.
Espera-se dos adultos que respeitem e cuidem dos mais novos. Nas áreas rurais,
cuidados e lealdade também se estendem ao clã.
Egípcios são muito conservadores. Sua mentalidade é regrada
pela noção de honra, especialmente se o assunto são mulheres, sua proteção e o
que é esperado delas para que tornem sua proteção algo mais fácil para os homens.
Mulheres devem se vestir apropriadamente e se vestir modestamente. Aquelas que
se mostram um pouco mais, que seja por seu traje ou por falarem um pouco mais
alto ou ter um comportamento provocante socialmente, trazem desonra para seus
parentes e anfitriões. Tal comportamento é considerado um insulto para a família
e um abuso de hospitalidade.
Egípcios, porém, podem competir com visitantes descorteses -
eles tem recebido alguns pelos últimos milhares de anos. Enquanto tal
comportamento é usualmente tolerado, cria-se um estereótipo do ocidental como
fácil de levar. Num contexto cultural, isto combina perfeitamente com a relação
amor e ódio que os Egípcios tem com o Ocidente. Para a mente egípcia, o Ocidente
é materialmente rico e tecnologicamente avançado. Mas isso também é decadente e
preconceituoso. Os Egípcios não conseguem entender a falta de auxílio do
Ocidente para suas causas nacionais. Eles sinceramente recebem bem seus turistas
de todas as partes do mundo, mas se sentem traídos quando lêem ou ouvem algo
sobre, invasão no Líbano e Iraque, ou embargo para a Líbia. Para eles , isto
equivale a: "Nossos convidados tomam nossa hospitalidade, e depois voltam para
bombardear nossos irmãos..."
No Egito a cultura proeminente é o Islã. Há também o grupo
dos Cristãos Cópticos. Eles não podem ser considerados uma minoria, pois
pertencem a mesma raça e cultura de seus compatriotas muçulmanos. Um observador
uma vez disse que todos os Egípcios são Muçulmanos, não importa se são Cristãos
ou Marxistas. A cultura resultante é moderada e inclusiva, mesmo com aqueles que
não são Egípcios. O recente problema com fanatismo é considerado pela maioria da
população como algo importado e um fenômeno estranho. Egípcios amam a paz e
odeiam violência. Mesmo a mais recente revolução em 1952 teve a baixa de um
soldado, e ele foi morto por acidente!
Egito permanece como um dos países mais seguros e amigáveis no
mundo para os turistas. Pode-se encontrar ajuda nas ruas e muitas vezes você
pode ser convidado(a) a tomar chá ou mesmo compartilhar a refeição na casa de
alguém que acabou de conhecer e que lhe ajudou com alguma informação. Suas
ofertas são geralmente autênticas e não esperando por recompensa. Esta
generosidade é parte da cultura e um produto das duras condições em que vivem, o
que acaba valorizando o compartilhar e dar. O empurra empurra do mercado para
vender bens locais aos turistas não tem absolutamente nada a ver com o caráter
nacional do povo mas apenas com a competição livre num mercado por mais lucro.
Estes fatores também fazem com que nasçam outras
características no perfil do Egípcio, tais como um sarcástico senso de humor.
Eles riem de seu modo de vida, e tudo mais que viva sob o sol. Até mesmo os
líderes políticos tomam como cumprimento o fato de serem motivo de chacota em
piadas populares. A falta de piadas a seu respeito significa que algo vai muito
mal.
Uma destas piadas foi favorita nos primeiros tempos do
presidente Sadat, que veio ao poder depois do popular presidente Nasser. Ele literalmente desmantelou tudo o que Nasser fez mas em seus discursos
públicos costumava dizer que estava continuando os passos de Nasser.
Dizia-se que Sadat teve uma excursão com a limusine
presidencial, e quando o carro chegou ao cruzamento, o motorista perguntou ao
presidente em que direção ele deveria ir. Sadat pergunta: "Em que
direção foi o presidente Nasser?", "esquerda sua Excelência" . "Bem,
sinalize esquerda e então vire a direita!'
Saeidi, são usualmente os mais penalizados pelas
piadas egípcias. A eles é dado o mesmo tratamento que se dá aos homens do
Alabama ou aos Irlandeses no Reino Unido. No Cairo, é conhecido como tendo
comprado o bonde de um trapaceiro. Ele entrou no bonde em seu primeiro dia no
Cairo e ficou impressionado com a renda que a passagem poderia dar, então ele
comprou o vagão todo de um trapaceiro que estava sentado a seu lado e lhe
ofereceu, dizendo que poderia vendê-lo. O pobre Saeidi pagou com as
economias de sua vida toda.
Outros exemplos de piadas Egípcias incluem as crianças
espertas nas ruas e suas condições miseráveis de vida. Uma destas crianças se
apresentou num hotel para um emprego que solicitava o Inglês como segunda língua.
Ele foi solicitado pelo gerente (em árabe ) para dizer, venha aqui em Inglês, o
que ele fez corretamente. Depois o gerente pediu que ele dissesse vá lá, mas ele
não tinha resposta para esta segunda solicitação. Então ele pensou um pouco e
disse - em Árabe - "Eu vou lá e depois que estiver no lugar certo eu digo vem
aqui" - em Inglês.

Egípcios são muito religiosos. Eles pedem a
misericórdia de Deus quando estão desesperados, usando a expressão Rahmetak
Ya Rabb ("misericórdia oh Senhor"). Um desenho recentemente publicado mostra
uma família pobre perto de um açougue muito caro. Enquanto seus olhos estão
fixos na carne da vitrine, todos eles dizem Lahmetak Ya Rabb - your meat oh
Senhor. Este tipo de piada sobre lingüística raramente é traduzido.
Superstições são parte do modo Egípcio de viver.
Corujas e gatos pretos são agourentos e então mensageiros de más notícias.
Pesadelos podem ser totalmente mal interpretados. Fantasmas e espíritos são
também temidos. No Egito ninguém deixaria um chinelo ou sapato virado de cabeça
para baixo, ou um par de tesouras aberto, todos estes são símbolos de má sorte.
Nunca jogam pão no chão, e se acham um pedaço pegam e colocam ao lado de uma
esquina para que não seja pisado. Superstição é contida pela fé em Allah.
Costume
relevante para os visitante inclui a obrigação social de ser generoso com os
convidados de sua casa. Comer juntos cria um elo de amizade. Há também a
santidade do lar, nunca entre numa casa se não for convidado. O respeito aos
pais é parte do forte vínculo familiar, que obriga os membros a serem solidários
em qualquer situação.
Em todos os aspectos sociais não há
grande distinção entre Muçulmanos e Cópticos. Exceto por ocasiões religiosas, o
código social é o mesmo para todos os Egípcios. Felizmente, não se espera que os
estrangeiros saibam seguir este código, mas é muito apreciado se mostrarem
consciência acerca dos costumes locais, e da língua ainda que de forma
rudimentar. É prudente evitar discussões sobre política, religião ou a posição
das mulheres no Egito. Estes tópicos com certeza vão criar mal entendidos e
frustrações. Mas uma conversa em Árabe bem simples ou Inglês rudimentar, uma
piada sobre o tráfego, um comentário positivo sobre a vida no Egito, vai ser
muito bem recebido. Para o turista, um pequeno esforço vai trazer um resultado
enorme para que sua chegada seja bem vista e sua visita apreciada.

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