




foi mumificado e enfaixado. Um cajado e um mangual foram colocados em mãos
artificiais, feitas em ouro, colocadas sobre seu peito por cima das bandagens.
Sobre sua cabeça e ombros, foi colocada a máscara "adornada" com símbolos de
soberania e a barba falsa de Osíris. O rei também foi identificado
com Rá, o deus sol, cuja pele era feita de ouro e os cabelos de lápis-lazuli.
O rosto, o pescoço e as mãos, feitos em ouro, emergindo da resina negra
derramada sobre as bandagens da múmia, criavam a ilusão de que o resto do corpo
era feito do mesmo metal. As sobrancelhas e o contorno dos olhos em
lápis-lazuli reforçam a associação com o deus Rá.
Rá e Osíris formavam um ciclo de renovação
contínua: morte e renascimento.
A máscara destinava-se também a proteger a
cabeça do faraó. A parte posterior da mascara que cobria parte das costas,
contem inscrições hieroglíficas. Trata-se do capítulo 151b do Livro dos
Mortos, destinado a proteger a cabeça e os membros do falecido, além de punir
seus inimigos.
No texto, partes do corpo do morto são
colocados sob a tutela de diferentes divindades. Diz o texto: "Teu olho
direito é a Barca da Noite, teu olho esquerdo é a Barca do Dia. Tuas
sobrancelhas são o Grande Nove (de Heliópolis), tua testa é (a de) Anúbis, tua
nuca é (a de) Hórus, tuas mechas de cabelo são (as de) Ptah-Seker ..."
Esta máscara feita em ouro batido revela o alto
grau de refinamento atingido pelos artistas do final da XVIII Dinastia (cerca de
1350 a.C.). Na verdade, a máscara não é um retrato fiel do faraó.
Como acontece com a maioria das representações de


Wallace Gomes
(egiptólogo e artísta plástico)
Set/2008

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