EGITO - A Viagem de 2005
(17 dias)
Parte 1



Um país pitoresco e cheio de contrastes:

Existem duas formas de se encarar o Egito em sua primeira viagem:

1) de maneira poética - observando os aspectos desse velho mundo novo e viver a nostalgia de uma civilização que, há 5000 anos, foi altamente desenvolvida, em diversos aspectos inexplicáveis; ou

2) aprumar os olhos críticos e encurtar a paciência - neste caso, irritar-se sobremaneira com os acidentes de percurso e as contrariedades que certamente surgirão (diversas vezes ao dia).

Se você não "entrar na dança", com certeza passará por imensas frustrações e muita raiva que poderão durar meses.

Antes adentrar nos detalhes da viagem, seria conveniente mencionar alguns pontos para facilitar a
compreensão.

GORJETAS - "BAKHCHIX"

O tratamento dos egípcios costuma ser cortês, mas sempre há a expectativa de, com isso, obterem alguns pounds (dinheiro egípcio = pounds ou guinés). 

Egípcios adoram receber gorjetas pelo que fazem (...e pelo que não fazem também). 

É uma briga para ver quem vai servir ao turista, esperançosos na gorjeta que os premiará.  O país também passa por uma crise de desemprego semelhante  a brasileira ou pior.   Pessoas de todas as idades e em todos os lugares pedem gorjeta/propina (bakhchix = pronuncia-se bahr-xích). 

Por praticamente viverem do turismo, qualquer coisa que afete a fluência de turistas, afeta a vida diária
de forma drástica.  Então, em alta temporada os turistas são disputados a tapa (não se engane, sempre
haverá os pedidos de  bakhchix,  na cara dura!).  No banheiro de qualquer restaurante, surgirá um menino ou um senhor, ofertando-lhe um lenço Clinex para você enxugar a mão, e aproveitarão o movimento para pedirem o bakhchix.  Quando não for o lenço, será para empurrar a porta do banheiro, seguida da tão falada solicitação.  Os centavos (piastras), são desprezados diante do cliente: as moedinhas são jogadas no lixo.  Gorjeta que se preza tem de ser em pounds (atualmente um pound equivale a cinqüenta centavos de real).  Muitos pedem euros e dólares. 

Esteja certo(a), em todos os lugares que você visitar, terá de desembolsar um ou dois pounds.  Se fizer vista grossa e bancar o pão duro, receberá vários xingamentos e impropérios, em árabe,  acompanhados de muita cara feia.

Até mesmo os porteiros dos hotéis recebem indiretamente seu bakhchix. Quando se telefona para
que um taxista venha apanhá-lo(a) no hotel (você estipula, após muita barganha, o valor da corrida), o
porteiro vai até a janela do motorista do táxi receber o bakhchix (bem discretamente) por ter chamado aquele táxi.  Além do porteiro, outro beneficiado é o segurança externo do hotel, que também recebe o
bakhchix do taxista por ter permitido que o motorista embarcasse o seu cliente nas imediações do hotel. 
Respostas a quaisquer perguntas feitas aos transeuntes há a solicitação para o pagamento de gorjeta. 

Enfim, para todo e qualquer pedido que se faça ou a prestação de algum tipo de gentileza, o bakhchix é sempre requisitado (tirar fotos, abrir ou puxar portas, transportar malas - nem que seja por meio metro).

 No Egito, você sempre verá uma mão estendida a espera do bakhchix.  Todos trocam "dinheirinhos" num jogo de dívidas e pagamento de favores semelhante ao Banco Imobiliário (aquele jogo de tabuleiro que brincávamos em nossa infância).

O TRÂNSITO É UM VÍDEO GAME

A Cidade do Cairo tem uma população de aproximadamente 21 milhões de pessoas.  É maior que a população de São Paulo.

As ruas são infestadas por milhares de veículos de praça (táxis) oriundos da Rússia. São carros velhos,
nos quais o monóxido de carbono é expelido para dentro e para fora. Seus bancos estão quase sempre quebrados e nunca viram água ou limpeza.  Muitos não têm sequer os espelhos retrovisores. Mas todos esses detalhes são esquecidos quando se entra num veículo desses, pois outro aspecto certamente chamará a sua atenção ao usar esse serviço: naquele calor de 40 graus, os motoristas andam com os vidros de trás fechados e fumando muito (acendem um cigarro na guimba do outro), além de suarem em bicas.

Como não poderia deixar de ser, todos os carros são equipados com taxímetro e NENHUM deles funciona.  Os preços das corridas devem ser combinados ANTES de você entrar no carro.  É comum a muitos deles (quase todos!), ao final da corrida, dizerem que o combinado foi o dobro ou um pouco mais.  Nesse caso, desça do carro, dê-lhe o dinheiro combinado inicialmente ... e saia andando.  Nem dê bola para a gritaria.

Se você dá uma nota de 50 pounds (vai necessitar troco), com certeza, ele tentará devolver seu troco a menos!  Ainda fará uma cara de quem não está entendendo a sua.  Praticamente todos, dão uma de "migué".  Portanto, com táxis, tenha sempre dinheiro trocado no bolso e muita paciência guardada.

Todos se mostram extremamente gentis e querem lhe levar em alguma loja (que eles conhecem), para comprar algum produto.  As lojas são nas periferias e geralmente com show-room para turistas... e muito caras.  Após você comprar algo, eles pegam o bakhchix deles, com o dono da loja.  Raríssimos são aos taxistas de confiança.

Tomar um táxi será uma das mais absurdas emoções que você já teve em sua vida!  No Cairo, tomar táxi é sinal de aventura!  E das bravas!

Explicar com poucas palavras é difícil, mas vamos lá: o trânsito é completamente caótico (10 vezes pior que em São Paulo no horário de rush, sem exageros), os carros são jurássicos e barulhentos, "enfeitados" com batidas por todos os lados, sempre implorando por manutenção.

Os faróis (semáforos) simplesmente não funcionam, e quando, por algum milagre, estão em
perfeito estado, não são obedecidos (é uma instituição nacional acreditar que o farol é só enfeite; portanto, quando vocês virem algum semáforo, acreditem: eles "não existem, são como as miragens dos desertos").

Não existe nenhum motorista que não ande acima do limite de velocidade permitido, que não suba em guias, que não entre na contramão, além de se desafiarem para tirar uma fina na última hora.  Todo mundo dá fechada em todo mundo e todos brecam o tempo inteiro!!!  Ninguém usa seta e a mão na buzina é uma constante.  A regra é... vai entrando, vai entrando, entrei! 

Para se ter uma idéia, num trecho de cinco minutos (algumas quadras), a média é de três a cinco buzinadas, por carro, para cada quarteirão percorrido.

 Quem dorme com um barulho desses?

A Cidade do Cairo não pára! Tem gente nas ruas 24 horas por dia.  No verão (período em que se deu essa viagem), às 3h da manhã tem tanta gente nas ruas como às 20h de sábado em São Paulo.  E o trânsito é  um rush diuturno, seja durante o horário de pico, seja de madrugada. É um joguinho de vídeo game meeeeesmo... e ao vivo. 

A loucura do trânsito também é válida para os pedestres. Não existem passarelas.  Os transeuntes
passam entre os carros com crianças no colo ou puxando-as, numa gritaria sem fim.  Senhoras, adultos,
deficientes, todos atravessando em meio aquela balbúrdia.  Ninguém pára, apenas desvia.  Em meio a
tudo isso, surgem uma carroças cheias de frutas ou legumes, puxadas por um burrico (daqueles que vemos no Nordeste brasileiro), numa velocidade de jabuti, conduzidas por um camponês.  Todos gritando e xingando ao mesmo tempo.  Um stress que mais parece o final dos tempos.

Existem os veículos de lotação que infernizam ainda mais tudo: quando param para pegar alguém, gritam e xingam, sempre cheios e correndo como se estivessem num grande prêmio.  Seus passageiros costumam descer com o veículo em movimento.  Cortam a frente dos demais veículos e arriscam serem atropelados em tempo integral.

Em todo o tempo que estivemos no trânsito, nunca vimos um único guarda multando ou coibindo os infratores.  Afinal, todos são infratores!

Ter carro novo/zero não é nada seguro.  Ninguém rouba, mas se tem a certeza de que vai durar pouco.  Todos os que vimos já haviam sido "inaugurados" por algum risquinho ou alguma batidinha!

Existem alguns carros Mercedes... a cor de fábrica é "alaranjado"!  Consegue imaginar isso?

Discussões e gritarias são absolutamente normais.

Todos falam alto e gesticulam reivindicando algum direito ou, é claro, diferenças em dinheiro, sempre
cobradas injustamente.  É cultural isso!

Parece aquelas coisas de comédias do tipo "Deu a Louca no Mundo", mas é real!

De dentro dos táxis, assistimos a esses episódios como se fossem algo fora da realidade: é difícil acreditar que tudo isso está acontecendo lá fora.

Todas essas cenas se passam debaixo de um sol escaldante, num calor de 40 graus, ou envoltas em um
mormaço, uma sauna a céu aberto (Água... onde está a água?).

Como no Brasil, em alguns faróis há camelôs, geralmente vestindo as galabias (túnicas), vendendo
lenços Clinex, principalmente, e bugigangas baratas.

Praticamente não chove no Egito (se acontecer dois dias por ano é muito), e quando cai alguma água do céu dura apenas alguns minutos, volta o sol escaldante em meio à poeira vinda do Sahara.  O pó, aliás, está presente em todos os cantos. 

Devido ao calor e à secura, algumas glândulas sudoríporas trabalham a toque de caixa. Em pouco você
percebe que, em apenas algumas partes da sua camisa estão cobertas de suor (principalmente no peito).
Diferente do Brasil, onde o clima é úmido (aqui molharíamos completamente toda a roupa).

A gasolina é barata: 1 pound (R$ 0,50), o litro.

EMAGREÇA:

Fazer uma viagem para o Egito durante 15 dias, está implícito que você irá perder alguns quilos (de 3 a 4
kg, pelo menos!).  Isso mesmo, você vai emagrecer!  São vários os motivos: a temperatura escaldante
(geralmente de 38 a 45 graus), a dificuldade em se adaptar aos alimentos (completamente diferentes do
padrão ocidental - tanto em visual quanto em paladar) e seus condimentos (especiarias diversas, colocadas principalmente nas carnes de todos os gêneros), o estranho sabor da água mineral (no meu caso, bem enjoativo) que embrulha o estômago (apesar de ser uma garrafa de água mineral comum, é bem diferente da que estamos acostumados a beber).  Não bastassem essas observações, existe a questão da validade dos alimentos, seu acondicionamento e higiene.  Nada é garantido 100%.

Tudo isso, causa uma certa confusão no organismo dos turistas. 

Um bom exemplo são os pães "caseiros". As mulheres amassam-no em plena rua e os assam em fornos de barro.  Depois de prontos, são colocados no chão (durante o vai-vem dos transeuntes, carros e animais domésticos) e vendidos em meio à poluição. Nada de luvas, seja no preparo ou na hora de passar o troco. 

Os clientes que solicitam o delivery são atendidos por entregadores que não se intimidam em pegar os pães com as mãos desprotegidas para colocá-los em saquinhos plásticos (sim, com aquelas mãos sujas e suadas).

 

Seu estômago e seu intestino sofrerão as conseqüências a partir do terceiro dia, trazendo incômodos ao seu organismo (algumas horas a mais no banheiro e alguns inconvenientes durante os passeios acontecerão).  Isso ocorre com praticamente 95% dos turistas.  Os casos mais graves poderão acarretar vômitos e diarréia (simultaneamente).

Para remediar as sobreditas conseqüências, nosso guia local recomendou um remédio chamado ANTINAL (o salvador da pátria para todos os turistas que apresentam os sintomas mencionados). Custa 5 pounds e é vendido em todas as farmácias. Não há contra-indicações, nem mesmo para gestantes. Tomam-se dois comprimidos e, três horas depois, seu organismo ameniza.  Tomamos muito Antinal nessa viagem.  Não fosse isso...

 

Até encontrar o que realmente agrade seu paladar, você já terá se desfeito daqueles injustos e chatinhos
quilinhos a mais. A partir daí vem a questão da quantidade: dificilmente se consegue comer em
quantidade. 

Por serem feitos a base de cereais (grãos: favas, ervilhas, lentilhas, grão-de-bico,
etc.), legumes, verduras bem condimentadas, frutas, ovos e carnes (de boi, frango, peixes, carneiro,
pomba, etc.), os alimentos sustentam.  Tudo pode ser servido com o tradicional tahine (molho de gergelim), bastante forte, por sinal.

Nas bancas, pode-se comprar salgadinhos e refrigerantes.  Nada saudável se formos pensar em 15 dias.

Em função do fuso horário (lá são 6 horas a mais), a fome fica reduzida.  Assim, as comidas e lanches
servirão mais para alimentar que para apreciar.  Come-se pouco e o organismo se dá por satisfeito.
Existe um suco natural de manga, vendido nos bares (os quais devem ser escolhidos a dedo, por questões de higiene), que é realmente uma delícia.  Totalmente natural, sem açúcar e viscoso. 

Naquele calor, é uma boa pedida e alimenta bem.

veja parte 2
ESTE DIA NÃO VAI TERMINAR NUNCA MAIS...

(tudo o que será contado sobre a viagem poderá sofrer algumas alterações e/ou acréscimos, pois os fatos
esquecidos num primeiro instante serão incorporados ao texto. Este apanhado será ilustrado por centenas de
fotos)

Jorge Sabongi - Julho/2005
(correção ortográfica:  Andrea Loli - Brasília-DF)



Indicação para Viagem ao Egito


Agência de Turismo: NEW AGE
Av. Angélica, 2318 - 3º and.
São Paulo-SP
(para todo o Brasil)
Telefone: (11) 3138-4888
Falar com: Regina ou Rose

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