EGITO - A Viagem de 2005
(17 dias)
Parte 3



DEPOIS DE UM "TREM DOS INFERNOS", "UM BARCO DOS SONHOS"

Quem acreditaria se eu dissesse que, depois daquele trem do outro mundo, iríamos cair num "Paraíso" sobre as águas?

Pois bem, o barco que sobe o Rio Nilo é o "sonho de viagem de qualquer ser humano".  Luxo, glamour, limpeza, ar condicionado, comida maravilhosa, atendimento impecável, paisagem deslumbrante, coquetéis maravilhosos e aquele suco de manga geladinho. É para não esquecer jamais! 

Há um mirante na cobertura para avistar tudo o que você desejar: do deserto à vida cotidiana dos camponeses que vivem nas margens do Nilo.  Poderia ficar o dia inteiro observando tudo isso.

Além dessas benesses, quando se abre a porta de entrada da cabine, tem-se um cenário cinematográfico que mal dá para acreditar: um quarto maravilhoso, iluminado por abajures, com aquelas cortinas esvoaçantes. Através de uma porta de vidro (daquelas corrediças), pode-se admirar a paisagem do Nilo. Uma visão silenciosa tão merecida e revitalizadora.

O baixo astral do "trem dos horrores" da noite anterior mudou na hora!

Agora  quero ficar quanto tempo for necessário!  Quem não gosta de tudo "first class"?

Pois bem, esse cruzeiro é tão bom, tão bom... que passa rápido!  Os três ou quatro dias de viagem
deveriam durar muito mais. 

Refeições extremamente agradáveis e bem servidas (cinco estrelas mesmo!).

 

Um detalhe importante: pesquisando, descobri que dos quase 300 barcos que fazem este cruzeiro, apenas 10 possuem esta condição de primeiro mundo, com tudo funcionando impecavelmente, são os da rede Sonesta e os Mövenpick.

Não se sente o deslizar do barco, apenas se vê a paisagem passando. Foi nesta maravilha que saímos de Assuan.

Cada dia havia uma parada numa cidade. Em cada uma delas existe um sítio arqueológico, com monumentos do período faraônico. 

A primeira foi "Kom Ombo".  O calor era insuportável, acredito que chegava a mais de 45 graus, porque em Kom Ombo tudo são pedras.  E estas pedras condensam o calor do sol o dia todo. 
Resultado: o inferno é aqui!

Durante a viagem de barco, todo o grupo teve oportunidade de se conhecer melhor.  Tivemos muitas atividades juntos, tanto dentro dele como nas cidades em que parávamos.  Saíamos a noite para visitar o comércio local, ensinamos o pessoal a pechinchar nas lojinhas, a conviver com a moeda local e, claro, os costumes dos egípcios.  Então, a farra começou de verdade, todos estavam se sentindo em casa.  Ninguém mais queria dormir e viravam as noites, emendando atividades e, como você sabe, "esse dia não vai acabar nunca!"

Locais não faltavam.  Quando cansávamos de passear e ver os monumentos, aproveitávamos as maravilhas que o barco podia nos oferecer: uma vida de sonhos!  Piscinas, uma boa mesa para conversar ao ar livre e, principalmente, um bom quarto para relaxar vendo o Nilo passar.  Coisa de filme de James Bond!

O barco parava tempo suficiente pelas cidades durante o dia (muito bem dosado).  Podíamos ter contato com o que era realmente a vida local.  As imagens falam por si só.

 

Dava para passear, comprar, ver monumentos, tudo com a orientação de Gamal, nosso guia.  Uma figura, que aprendeu algumas palavras em português com nosso pessoal (ele falava um "portunhol" bem compreensível), do tipo "Los charreteros son mafiosos! No dê dinero para ellos!".

Ele percebeu que as mulheres do nosso grupo (22 ao todo), respondiam a um "Obrigado!" com um "Obrigada, você!".   Então ele queria imitar e falar igual. Tudo que alguém falava, ele respondia "Obrigada, vocêêê!!!"

 Muitas outras situações de diferença de linguagem eram palco de piadas com ele.

 

Como vocês sabem, moscas no Egito são ensinadas a não arredar pé.  Passeiam por nós.  Nos braços, nas pernas, e se deixarmos, no rosto todo até entrar na boca.  E numa das explicações de Gamal, falando da história dos faraós, à frente de uma parede de hieróglifos, uma mosca passeava por suas bochechas e rumava para os lábios.  Todo mundo prestando atenção (mais na mosca que na explicação).  Não agüentei, interrompi e gritei: "a mosca vai entrar na sua boca, fecha, fecha!!!!".  

Agora eu pergunto: isso é gozado ou desesperador?

 

Sempre tinha um pequeno evento noturno no salão de festas do barco.  Todos tomavam um bom banho e iam aos festejos nem que fosse para uma passadinha antes de alguma outra atividade.  As horas passavam rápido.

Lamentávamos que o tempo passasse tão rapidamente. 

Cada vez que os barcos param, eles encostam lado a lado.  Então é comum você passar pela porta de entrada de cinco barcos até chegar ao seu.  Na chegada, sempre tinha uma toalhinha úmida e quente, com fragrância de lavanda, oferecida pela tripulação na entrada (juntamente com suco de limão).  Esses mimos ajudavam a tirar o peso do calor que trazíamos dos passeios.  Dava um alívio e refrescava muito!

Como mencionei, nem todos os barcos que fazem o cruzeiro pelo Nilo tem o mesmo nível do Sonesta.

O calor era tanto que minha câmera digital, por alguns dias perdeu a cor.  Aparentemente, descompensou na cor do amarelo.  Com 30 segundos no sol ela simplesmente fervia!  Quase não dava para segurar.

Num dos dias, sem querer, deletei mais de 150 fotos.  Simplesmente apertei um botão que não devia.  Apertei o botão fatídico e, ainda por cima, confirmei a operação com o "Yes", sem ter muita certeza do que estava fazendo.  Numa viagem, os dias transcorrem cheios de novidades e nada pode voltar, isso foi um crime imperdoável.  Mal consegui dormir por causa disso.

Dava vontade de falar "começa tudo de novo que eu quero fotografar!"

Nas charretes que nos levavam aos monumentos, não tinha sombra. Portanto, padecíamos muito com a temperatura.  Não ter óculos escuros seria um crime.  Sair sem protetor solar então...

As noites eram mais agradáveis, apesar de quentes também!

As passagens por Kom Ombo, Edfu e Esna nos mostraram monumentos que não dá para descrever com palavras.  Por mais que eu tentasse, nada tira a sensação de  estar lá.  Nem mesmo as imagens.  Todos sabemos que é muito mais que isso!

Kom Ombo

Edfu

Esna

Não poderia deixar de mencionar o Templo de Philae, o primeiro sítio arqueológico que visitamos numa pequena embarcação, antes mesmo de iniciar a jornada no barco dos sonhos!

A verdade é que perdi noção de quantos dias se passaram naquele luxo flutuante, tão bom que era.  Saímos de Assuan para Kom Ombo e as próximas paradas foram Edfu e Esna. 

De lá, visitaríamos Luxor e Karnak, de onde tomaríamos o vôo para Sharm el Sheikh.

Veja a parte 4

LUXOR E KARNAK: O EGITO FARAÔNICO

Jorge Sabongi - Julho/2005
(correção ortográfica:  Andrea Loli - Brasília-DF)

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