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EGITO - A Viagem
de 2005 (17 dias) Parte 4 |
LUXOR E KARNAK: O EGITO FARAÔNICO
Os maravilhosos dias no barco dos sonhos, infelizmente, chegaram ao fim.
Mas, como a viagem deve continuar, saímos do barco e para irmos aos nossos próximos destinos, os sítios arqueológicos de Karnak e Luxor (dizem que 6% dos monumentos do mundo encontram-se em Luxor).
Passaríamos o dia todo visitando as famosas obras faraônicas.
Seria necessário, pelo menos, uma semana para que
pudéssemos admirar calmamente todas essas maravilhas. Fazer todo o roteiro
em apenas um dia é uma verdadeira maratona.



Sob um calor que ultrapassava os 40 graus, estávamos no ônibus (com ar condicionado, claro!), passando e observando, como sempre, a vida cotidiana daqueles camponeses. Em todo lugar por onde passamos no Egito a história se repetia: muitos homens nas ruas, todos fumando muito e sentados à beira da calçada; bares cheios, com várias pessoas fumando shisha e tomando chá. Viam-se poucas mulheres nas ruas, pois elas geralmente acordam bem cedo para trabalharem na lavoura ou cuidarem dos filhos e da casa.
Na Cidade de Luxor, não era nada diferente.
A suntuosidade dos templos realmente assusta e, ao mesmo tempo, impressiona bastante. Como mencionei anteriormente, é difícil falar de templos. As fotos não oferecem o devido mérito à realidade destes lugares. É bem mais do que parece. Você tem que estar lá.


O Vale das Rainhas e o Colosso de Memnon são imperdíveis.




Atrás da imensa montanha do Vale das Rainhas, chegamos ao Vale dos Reis, onde estão as tumbas dos faraós. Para se chegar às tumbas, tomamos um trenzinho (são dezenas de metros entre uma entrada e outra e cada uma delas avança de 100 a 200 metros dentro da montanha). Fotografias não são permitidas. Em todas as paredes há desenhos e escritas em hieróglifos contando a vida de cada faraó.
No Vale dos Reis sempre se descobrem mais e mais tumbas. É lá que também encontramos a famosa tumba do faraó Tutancâmon. Em Luxor, as estátuas de granito chegam a ter de 12 a 15 metros de altura. Todas com escritas hieroglífica.
Essa magnificência se deve ao desejo dos faraós em sobressaírem, em representar mais que seu antecessor. Assim, procuravam erigir templos cada vez maiores e mais suntuosos que aqueles já construídos.
O mais interessante é a simbologia contida em cada um deles. Por mais que nosso guia Gamal procurasse explicar de forma abrangente cada caso (o porquê da construção de tal templo, os sentimentos envolvidos para justificar tamanhas obras - fraquezas humanas como ciúmes, inveja, ódio, rivalidade, vingança...), é perceptível que há muito mais de história em tudo aquilo... e que jamais saberemos.

Vale mencionar que os templos eram lugares destinados a uma determinada casta da sociedade (faraós e sacerdotes). Somente a eles eram permitidas a entrada e a permanência. Entre a porta da sala da câmara dista uns 150 ou 200 metros do o pátio.
Lugares gigantescos construídos para pouquíssimos. O mais curioso para mim, no entanto, era a questão da engenharia da construção destes lugares (o chão tinha uma inclinação ascendente para o pátio, e o teto tinha uma inclinação descendente para a câmara - veja o exemplo na figura abaixo).

(repare que o chão sobe e as colunas do teto descem até a câmara ao fundo)
A forma como eram construídos determinados templos, permitia que o povo (impedido de entrar nesses lugares) pudesse, à distância, ver a figura do faraó. De um pátio avistava-se a câmara, onde seu deus, o Faraó, encontrava-se.

Outro detalhe interessante era uso da luz solar para iluminar os salões. Por pequenos vãos no teto (geralmente nas laterais), a luz entra nessas imensas salas. Os construtores utilizaram placas de metal (painéis) para refletir a luz.
Fizemos um teste: alguém, de camisa branca, ficou em frente ao facho de luz que entra pelo teto. Observamos a imediata iluminação da sala pela reflexão da luz. Quem está próximo, ganha um brilho etéreo.
Quem conhece Wallace Gomes (egiptólogo, que
está sempre conosco e faz parte da história da Khan el Khalili), impressiona-se
nos cursos que ele oferece, com a quantidade de informações sobre estas pequenas
peculiaridades dos antigos egípcios. Por mais que eu
quisesse elaborar um texto como este tema, não chegaria aos pés do que Wallace
conseguiria com algumas frases. Por isso, limito-me a dizer que os egípcios
detinham um vasto conhecimento em diversas
áreas. Esse saber ainda representará, para o dito "homem moderno", um mistério.
Quem tiver interesse em desvendar esse mundo mágico que é o Egito, pode se inscrever nas palestras e nos cursos que o Wallace oferece, anualmente, na Casa de Chá (fiquem atentos aos anúncios no site).
Foi no Templo de Luxor que conseguimos reunir todos para uma fotografia. Apesar de estarmos sempre juntos, era difícil, em outros momentos, pararmos nossas atividades e posarmos para uma foto. Esta ficou sendo a foto histórica. Todos do grupo tiraram centenas de fotos e têm muita história para contar.

É em Luxor que existem as fábricas de alabastro! Você pode assistir aos artesãos fazendo as esculturas com motivos do Egito Faraônico.
Chegou o momento de tomarmos o vôo para Sharm el Sheikh. A alegria de todos está visível na chegada ao aeroporto. O cansaço também...
Até aqui, tantas atividades já haviam sido emendadas umas as outras. Todos já precisavam dormir alguns dias... mas ninguém queria.
Cá entre nós, eu não gosto muito de aeroporto, não! Muito menos de aviões. Mas tenho que ser sincero sobre essa turma: não deram o mínimo trabalho nos aeroportos. E olha de decolamos e aterrissamos 5 vezes durante a viagem toda. Como se diz na gíria: "Todo mundo, na maior disciplina"!
Os vôos da KLM também merecem uma menção: ofereciam sempre diversas refeições à bordo, principalmente nas viagens longas (SãoPaulo-Amsterdam, com 11 horas e Amsterdam-Cairo, mais 5 horas), além das bebidas, que eram sempre servidas com regularidade. Fora isso, ainda passavam salgadinhos, biscoitos e alguns lanches. Qualidade do serviço: excelente! Para você ter uma idéia, em cada poltrona você tem uma televisão individual, com dezenas de filmes que você aciona por controle remoto. Tem também jogos e diversos canais de TV a cabo. Isso na classe econômica.
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EM TEMPO:
Aproveitando o assunto "aeroportos", já percebeu
que é lá que você encontra as pessoas mais mal educadas de
todas as regiões do planeta? Ninguém respeita ninguém! O individualismo e o
egoísmo imperam.
Repare o seguinte:
- a pressa e a educação na hora de despachar bagagens nos balcões do "check in";
- nos portões de embarque, os fura-filas, os esbarrões e encontrões dos apressadinhos. Isso sem falar nos educadinhos que passam com as rodinhas de suas malas de bordo dos pés de muita gente;
- os irritados que são barrados no detector de metais ou que têm o conteúdo de suas bagagens de mão questionadas nas esteiras da revista e raio-x: ficam nervosos por terem de retirar seus pertences metálicos dos bolsos;
- e a hora de colocar a bagagem de mão nos maleiros dentro da nave? Nunca existe espaço para a sua, e todo mundo fica quietinho (principalmente os que trouxeram 4 ou 5 volumes);
- se você bobear, sentam na sua poltrona e você vai para o lugar mais espremido possível - justo aquele mais difícil de sair para ao banheiro;
- no pouso, renascem os apressadinhos que praticamente pulam para a porta de saída no exato instante em os trens de pouso tocam o chão (nem esperam apagar os visores de proibido retirar os cintos de segurança). São o terror das comissárias de bordo, encarregadas de zelarem pela segurança dos passageiros, pois, até a parada completa da nave, podem haver freadas bruscas.
Enfim, apenas repare estes detalhes no seu próximo vôo! Aeroportos e aviões são um exercício de paciência para todos. Se você fecha o sorriso e faz cara feia, terá uma viagem bem desagradável. Banheiros de aviões são tristes. Limpos, mas tristes. Melhor, nos trechos mais longos, a limpeza só dura no início da viagem. Lembre-se sempre de ir ao banheiro assim que entrar na nave.
Para finalizar, como são terríveis as distâncias entre os bancos! Mal permitem que estiquemos as pernas. Viajar de "classe econômica" é sempre um suplício.
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Um dos maiores inconvenientes são as malas, principalmente quando
são os deslocamentos são muitos. Por não conseguir carregá-las o tempo todo, (é
um tal de sobe e desce de avião, ônibus, barcos, hotéis, etc...), precisará dos
maleteiros. Eles as manipulam em carrinhos, dos ônibus para as recepções dos
hotéis e daí para os quartos; dos quartos para os ônibus, dos ônibus para o
barco, para o aeroporto... Como dizia Gamal, nosso guia:
"Los maleteros son mafiosos! No dê dinero para ellos!". Para não sermos
vítimas da "máfia dos maleteiros", recolhíamos um valor de todos a título de
pagamento. Se não fosse assim, ficaríamos loucos com a solicitação intensa e
constante de bakhchix (sem contar a possibilidade de alguma mala sumir no
percurso por motivo injustificado), além de não conseguirmos fazer os passeios
(eles infernizam mesmo!). Turista é sempre sinal de que alguma coisa vai
melhorar.
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Veja a parte 5
O PARAÍSO AQUÁTICO DE "SHARM EL SHEIKH"
Jorge Sabongi - Julho/2005
(correção ortográfica: Andrea Loli -
Brasília-DF)
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