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EGITO - A Viagem
de 2005 (17 dias) Parte 5 |
O
PARAÍSO AQUÁTICO DE "SHARM EL
SHEIKH"
Chegamos ao Hotel Sonesta Club, em Sharm El Sheikh.
Nesta cidade só faríamos uma atividade: mergulhar no Mar Vermelho.




Antes de mais nada, vamos entender o que é hoje Sharm el Sheikh. Trata-se de uma cidade no litoral do Mar Vermelho, criada no meio do deserto, reduto de lazer de europeus abastados. Em outras palavras, é uma praia de gente muito rica, onde, dependendo do hotel em que se esteja hospedado, tudo atinge preços. Muitos desses estabelecimentos são extremamente sofisticados, com decorações suntuosas e temáticas (algumas góticas, outras moderníssimas). Gigantescos, possuem centenas de quartos. O nosso (Sonesta Club) tinha acomodações para 1200 pessoas. Sabe lá o que é isso?

Os principais hotéis e resorts aportaram em Sharm el Sheikh, um
ao lado do outro, e demarcaram seu pedaço
de praia para uso exclusivo de seus hóspedes (veja o mapa à esquerda). O
Sonesta também tem a sua praia particular. Não é permitido invadir a praia do
outro sem pagar. Pode-se freqüentar a praia do SEU HOTEL, mas se preferir a
praia do vizinho, tem que pagar (40 pounds por pessoa + o que consumir).
Cuidar de 1200 pessoas ao mesmo tempo não é uma tarefa fácil (são
blocos e blocos com 20 apartamentos cada um). Todo esse espaço e ostentação
requerem uma ampla estrutura, manutenção e cuidado específicos. Ainda mais se
considerarmos que os hotéis sempre estão
lotados. Para se ter uma idéia, ao desembarcarmos do ônibus, tivemos de aguardar
a saída dos hóspedes que estavam fazendo o "check out". Enquanto isso, nossas
malas foram acondicionadas, junto às centenas de outras bagagens (para serem
levadas aos quartos ou carregadas nos ônibus), no guarda-volume localizado logo
na entrada do hotel. Isso não aconteceu somente conosco, a história se repetia
para todos os novos hóspedes. Todas as vezes que passávamos pela recepção,
tínhamos esse "dejà vu".
Tudo muito bonito, muito majestoso... e muito longeeeee!!!
As fotos dos hotéis realmente impressionam, mas andar todas estas
distâncias, realmente é um exercício e
tanto. Todos os hotéis e resorts são gigantescos!
Algumas fachadas distam de 300 a 400 metros da avenida de acesso. Impossível andar a pé.








Para se ter uma idéia, nosso quarto ficava a aproximadamente 250 metros da recepção. Isso mesmo: para ir e vir, você andava meio quilômetro. Um dia esqueci meus óculos escuros no quarto e lembrei-me na metade do caminho. Evidente que não voltei, principalmente porque o calor era de mais de 40 graus. Não existem nuvens no céu. Literalmente insuportável.
São blocos e blocos com 20 apartamentos cada um, sempre em dois pavimentos.
O
restaurante, por exemplo, era imenso: cabiam umas 400 pessoas ou mais. Bate uma
sensação que você está completamente isolado do mundo, num lugar onde são
falados todos os idiomas possíveis. Ninguém se olha, ninguém se importa. Para se
conseguir qualquer coisa, você precisa andar muito debaixo de um sol escaldante.
1200 pessoas... somos apenas números, é impossível um tratamento personalizado. O prazer é sempre limitado num hotel desse tamanho, por melhor que seja a estrutura. A impressão que se tem é que tudo é longe de tudo. Mas longe mesmo! A menor distância é 200 metros.
Os quartos eram agradáveis, limpos, bem iluminados e com decoração clean. O banheiro era bom, mas o chuveiro não era tão bom assim. Enfim, desde que você mantivesse o ar condicionado ligado, tudo estava ótimo. Ao chegar ao nosso bloco de apartamentos, tínhamos que andar uns 50 metros até chegar ao nosso quarto. Realmente cansava. Dois dias em Sharm el Sheikh pareceram uma semana, tamanho o esforço para cobrir as distâncias.

Havia no hotel uma piscina enorme e convidativa. Quando, na
tarde livre e naquele sol escaldante, resolvi dar um simples mergulho, descobri
que nem sempre o simples é realmente simples. Centenas de pessoas tomavam quase
todos os espaços disponíveis, dentro e fora d'água. Não havia cadeiras
suficientes. Todos falando alto. Muitas européias de topless,
fazendo a alegria dos egípcios que trabalhavam no hotel (a maioria dos
visitantes eram europeus ou americanos).
A foto ao lado é uma ilusão... a piscina está vazia. Na realidade, não é bem assim (a foto não é minha, mas sim do site do Sonesta Club).
Por falar nisso, um dos grandes problemas desses lugares é a mão-de-obra. Os funcionários que atendiam no restaurante e nas imediações da piscina, não davam a menor atenção a ninguém. No restaurante, nenhum deles olhava para você, trabalhavam na correria, a toque de caixa. Mesmo quando falávamos com algum deles, não recebíamos qualquer tipo de resposta. Nenhuma palavra em qualquer língua que fosse! Nenhum sorriso! Todos desesperados unicamente em atender e "colocar as bebidas nas mesas" (detalhe: essas bebidas são cobradas por fora)!
Era tanta gente hospedada, que as refeições eram pagas de imediato. O "risco" de marcar a comanda do quarto do hóspede é enorme em função da intensa rotatividade. Assim, nesse imenso hotel, diversos inconvenientes podiam acontecer: a estrutura de restaurante requeria muito mais gente trabalhando (afinal eram três a quatro refeições ao dia para cada hóspede). Sem a quantidade suficiente de garçons e atendentes, o tratamento era completamente impessoal. Os alimentos necessitavam um sabor mais equilibrado (simplesmente não tinham gosto, nem temperos). Não tem jeito, reparo muito nestas coisas aonde quer que eu vá.
Se fôssemos a pé à praia, andaríamos uns 15 minutos naquele sol. Mas tinha uma van que transportava os hóspedes à praia do Sonesta (levava uns 5 minutos).
Naquela tarde em que chegamos e após o devido alojamento, fomos conhecer a praia. O contraste das roupas é gritante. Mulheres completamente vestidas de preto, apenas com os olhos de fora, com européias de biquini ou topless. Que mundo estranho!
Numa espécie de via principal, observam-se dezenas de hotéis. Um maior que o outro! Todos cheios de ônibus chegando e saindo.
Las Vegas é uma cidade construída no meio do deserto.
Uma planície. A atração é o jogo. Da mesma forma, Sharm el Sheikh é um
conglomerado de hotéis, construídos no meio do deserto. Também é uma planície.
Neste caso a atração é a beleza do Mar Vermelho.
Há um centro comercial no centro da cidade.
Bem
arrumadinho! Era um mini-mercado Khan el Khalili, só que bem organizado. Cada
loja tinha seu espaço e estavam sempre abarrotadas de mercadoria. Você encontra
de tudo... tudo muuuito caro!
Os táxis andam de 130 a 140 km/hora em média.
Detalhe... não são carros novos (são os pintados de azul e branco, na foto acima).

Uma das atrações noturnas era fumar shisha no centro da cidade. Tomar um bom chá, num bar ao ar livre que tocava músicas de Om Kaltooum. À noite, a temperatura era agradável. (Lembrando que tudo isso é construído no meio do deserto.)
A grande atração de Sharm el Sheikh realmente é a beleza das praias e da fauna marinha. Isso salva e vale todo o esforço.






Veja você... esta praia toda arrumadinha e organizada!
Pagar para ir à praia não é uma das atividades mais agradáveis. A extensão de cada praia particular é de 50 a 100 metros. Tudo loteado, com guarda-sóis e cadeiras de descanso.
Ao ir à praia, você vê milhares de peixinhos coloridos, de diversos tamanhos, nadando a seus pés. Alguns em cardume outros em dupla. Tem alguns bem interessantes e solitários também.
Dentro da água, vê tudo cristalino ao fundo, pois é pedra calcária (para não machucar os pés, use chinelo e ande bem devagar).

Muitas
águas-vivas do tamanho da sua mão. Não machucam. Elas tocam a palma da mão.
Uma textura macia e viva.
Ficamos fascinados com tantos peixes diferentes tão próximos à praia. Melhor dizendo, assim que você pisa na praia eles já estão brincando aos seus pés.
Poderíamos ficar o dia todo ali. Sempre apareceria um peixe diferente.
Além da beleza natural, ainda há banana-boat, jet-ski, paraglider, esquis... enfim um lugar totalmente voltado para o turista e sempre cheio de gente. Muito cheio.


Vamos ao que realmente interessa: o passeio de mar.


Existem barcos de passeio e mergulho diários para grupos de, no
mínimo, 20 pessoas. Você pode levar o
seu equipamento ou alugar um.
No nosso caso, o barco fornecia as nadadeiras e máscaras com
snorkel (já
incluídos no pacote). Um almoço dentro do barco
também estava no preço: refrigerantes e água mineral à vontade.
No hotel, tomamos a van que nos levaria até o barco. Uma bagunça com música árabe e todo mundo com excelente astral, rindo de tudo e fazendo piadas do dia anterior.
Que
passeio foi aquele? Batucávamos no próprio painel, acompanhados do instrutor,
que era um derbackista nato. Todo mundo dançou durante o trajeto.

Divertimo-nos a valer. Neste momento, o grupo já estava todo se sentindo em casa. Todo mundo conhecia todo mundo e parecia que já tínhamos uma amizade de anos.
Chegou a hora de pular n'água. Que sensação maravilhosa! Num calor daqueles e aquela água geladinha. Pusemos as máscaras e saltamos do barco.
Não preciso dizer mais nada: o paraíso é aqui!


O instrutor ia à frente e todos nós o acompanhávamos. Um espetáculo solitário e silencioso, só ouvíamos nossa respiração pelo snorkel. Cores, muitas cores... e plantas, muitas plantas.

Após o mergulho, dá vontade de comer muito, mas resolvi que comeria pouco, bem pouco. Afinal, já sentia meu estômago fragilizado e qualquer comida poderia me fazer mal em pouco tempo.
Precisaria tomar ANTINAL. Os marinheiros do barco fizeram a comida. Limitei-me a um prato de marinheiro bem equilibrado, apenas o suficiente para não sentir fome. E foi a melhor coisa. Quem comeu muito, passou mal!
A lembrança de toda beleza vista neste dia de mar será algo difícil de esquecer.




No final da tarde, estaríamos todos de volta ao ônibus para retornar ao Cairo. Uma viagem de 8 horas pelo Deserto do Sinai.
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Veja a parte 6
Jorge Sabongi - Julho/2005
(correção ortográfica: Andrea Loli -
Brasília-DF)
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