EGITO - A Viagem de 2005
(17 dias)
Parte 7 -
CAIRO 1



CAIRO:  OS PASSEIOS ESPECIAIS E SHOWS

A CIDADE DO CAIRO

Com tantas atividades, uma semana no Cairo pareceu um mês. Nem sei como conseguimos cumprir um cronograma tão extenso nesses poucos dias.

Como já mencionei, o Egito é um país de contrastes que não se resumem à cultura, às pessoas, significa também que TUDO pode ir de um extremo a outro sem qualquer aviso-prévio.

Cairo e suas imediações possuem infindáveis atrações (há de se dar o devido desconto a várias dessas "atrações").  Muitas são pitorescas, outras históricas, e algumas se revelam uma verdadeira caixinha de surpresas.  Valem a visita. Convém relembrar que, em alguns casos, será necessária uma dose extra de paciência, principalmente com os motoristas de táxis (pilotando insanamente seus carros que nunca foram lavados (exceto quando saíram da fábrica), além de modificarem deliberadamente o preço previamente combinado - lá não existe taxímetro!) e os vendedores das lojas (sujeitos insistentes, galanteadores ao extremo e inconvenientes com as mulheres. Seu lema é "tudo por uma venda").

O pior de tudo é perceber que a maioria das coisas, simplesmente, não funciona ou é preparada/conduzida de forma improvisada.  Egípcios são peritos em improviso.  Imagine um lugar por onde passa muita gente: todo mundo quebrando um pouco e ninguém consertando (ou limpando) nada. Melhor, limpam e consertam até o limite.  Lá tudo é "provisório para sempre".

Para auxiliar na compreensão, usarei um exemplo muito praticado no Brasil: "amarrar o pára-choque da Kombi com um pedaço de fio de telefone" enquanto não dá para arrumar (e este "enquanto" perdura por anos).  Pois bem, eles utilizam esse tipo de mecanismo em todas as ocasiões. Tudo o que quebra é remendado com o que se tem à mão.

Assim, é bom lembrar que aqueles botões que poderiam lhe garantir algum conforto costumam estar quebrados (esqueça o significado da palavra "manutenção"). É nessas horas que sua paciência será duramente testada.

Por ser uma grande metrópole, o Cairo apresenta os diversos problemas de uma "big city" (falta de saneamento nas ruas, trânsito caótico, pobreza).  Apesar de ser maior que São Paulo e possuir 21 milhões de habitantes, não conta com a quantidade (e a qualidade) de edifícios encontrados aqui.  Lá tudo é mais disperso.  Nela, observa-se, em todos os setores, a convivência entre o extremamente simples e o sofisticadíssimo.  E, como não poderia deixar de ser, tudo o que é um pouco mais sofisticado é reservado ao turista e/ou aos egípcios mais abastados.  O restante da população vive precariamente.

Uma das coisas que mais chama a atenção é que o Cairo não pára (se você acha que São Paulo não pára, é porque ainda não viu a vida noturna daquela cidade).  Todo mundo vai para as ruas: homens, mulheres, crianças, turistas. Às 4 horas da manhã as ruas estão lotadas, principalmente no verão.  Tudo flui normalmente, como se fosse dia: lojas, ambulantes, comércio em geral. 

Todo mundo grita o tempo todo, discutem entre eles.  Em meio ao "caos" das ruas, os animais domésticos (do gato ao camelo) passeiam, outros (patos e galinhas) aguardam, impacientes em suas gaiolas, um comprador.  É um burburinho só!

Consegue ter uma idéia do que é isso?

Dia e noite, seus moradores vivem sob calor intenso e extrema secura (as chuvas são raras por lá). Mas o "caos principal" é, sem dúvida, o trânsito. Para apressar o passo, tocam-se as buzinas numa sinfonia disforme (ninguém anda de carro sem ter as mãos coladas nesse irritante dispositivo). 

O trânsito é tão caótico que não vale a pena ter carro novo.  Pode apostar que ele vai durar pouco, pois as batidas são uma certeza. Além da buzina, outro recurso automobilístico muito usado é o freio. Não é uma freada branda, é brusca, muito brusca (os poucos faróis que existem não são respeitados).  Os pedestres atravessam entre os carros e não têm o menor receio de atropelamento. O destemor de motoristas e pedestres é cultural, convivem com isso desde a infância, aprendem cedo a lidar com esta situação. Pode parecer um exagero, mas corre-se risco de morte ao fazer uma corrida (literalmente falando) de táxi.

A foto acima é de uma espécie de Rodoanel do Cairo.  Todo mundo anda a 120/140 por hora.  Do nada, viram a direita e cortam a frente dos outros.  E... "que virada foi essa?"  Um verdadeiro video-game ao vivo, onde você está dentro do carrinho.  Pronto... já entramos em outra avenida.  Se vamos chegar vivos?  "Inchalah" (Se Deus quiser!).  É o que todos dizem!

No Cairo tudo depende de Deus!  Tudo é "inchalah".

Esta página está dividida em três momentos, pois são dezenas de fotos e situações para serem comentadas:
 

CAIRO 1 CAIRO 2 CAIRO 3 CAIRO 4
- A Cidade do Cairo
- Khan el Khalili
- Naguib Mafouz
  (o Restaurante)
- Piramides & Esfinge
- Camelos & Cameleiros
- Menphis & Saqqara
- Parisiana
- Passeio de Feluca
- Barry's Restaurante
- Festival de Dança
- Nosso Hotel
- Museu do Cairo
- Mesquita de Saladino
- Tanoura na Mesquita
- Bairro Copto

KHAN EL KHALILI

A grande atração comercial (...e extremamente pitoresca) é o Mercado Khan el Khalili.  São dezenas
de quarteirões, com ruelas que se estendem num labirinto (dá para se perder!), milhares de lojas
vendendo todos os tipos de mercadoria. Pessoas do mundo todo circulam em busca de artesanato e peças de ouro, prata, latão e pedras diversas (não tem como mencionar tudo o que há de diferente no Khan el
Khalili, basta dizer que o que você procurar por lá... tem!)

Khan el Khalili também é um lugar de aromas e observações ilimitadas. Quando menciono "aromas",
quero dizer "um odor pronunciado de especiarias diversas" (centenas delas misturadas).  Também há
cheiros desagradáveis, em função da falta de higiene.

Comprar é outra aventura.  Às vezes, você perde horas numa loja, pechinchando até chegar no preço que deseja pagar.  Inicialmente pode parecer engraçado, depois de alguns dias se torna cansativo, mas é indispensável proceder dessa maneira.  Se a mercadoria custa $ 100, a pechincha deve durar até o preço chegar em, no máximo $ 20 (acredite, ainda com essa redução, o produto estará bem pago e o vendedor estará tendo bom lucro).

Principalmente produtos "genéricos".  A impressão que se tem é que alguém cria uma peça bem feita... e todo mundo copia milhares mal feitas.  E essas peças estão espalhadas na grande maioria das lojas.  Praticamente 80 a 90% das lojas do Khan el Khalili vendem mercadorias de qualidade duvidosa.  É necessário pesquisar antes, mesmo que a vontade seja comprar por impulso.

Quando você se acostumar com a qualidade dos produtos de lá e exigir isso sempre, com certeza vai perceber imediatamente.  Tem lojas em que praticamente tudo é cópia... e eles te vendem como se você  estivesse comprando artigo de "ouro 24 quilates".  Contam estórias do produto, apertam de todos os lados, mostram outras cópias piores ainda (o que faz a cópia deles parecer ótima!)... e empurram por 10 vezes o preço para você.  E o pior: você leva!

Tem uma coisa que acho difícil explicar: por ser abastecido pela represa de Assuan, o Cairo não passa
por problemas como falta de água. Apesar dessa abundância, as pessoas não utilizam a água para
limpeza de ruas e construções, o que dá um aspecto de sujeira (tudo muito empoeirado, parece que o pó é acumulado por décadas!).

Há ainda as figuras engraçadas que circulam pela cidade.  Este senhor com uma melancia na cabeça
(literalmente!), anda para chamar a atenção e ganhar "bakhchich" com fotografias dos turistas.

 

Você se perde de tanto olhar para os lados.  Não vale nem a pena tentar explicar as imagens: elas falam por si só.  A máquina fotográfica não dá conta de todas as curiosidades locais.

Nas ruas, os ambulantes vendem chás gelados em imensas bombas de vidro. Não espere copos descartáveis.  Não existem.

E como pensam as pessoas dessa cidade! Pensam o dia todo! Pensam e fumam... como fumam!

Cairo vive basicamente do turismo. Todas as vezes que a confiança no turismo é abalada (por algum atentado terrorista ou acontecimento semelhante), o desemprego aumenta.  E a recuperação não se dá em curto prazo.

Muitos ficam pelas ruas, fumando shisha (arguiles) nos bares, sentados na calçada ou mesmo na frente das lojas.

Muitos homens ostentam uma marca na testa oriunda daquelas batidas no chão na hora da reza. Socialmente e para eles mesmos essa é uma forma de expressar o quanto respeitam e prezam sua religião.

NAGUIB MAFOUZ RESTAURANTE

O primeiro lugar a se visitar no Mercado Khan el Khalili (e uma de suas grandes atrações) é um
restaurante centenário chamado Maguib Mafouz.  Localizado numa das ruas principais, oferece aos
clientes um atendimento britânico:  extremamente formal (muito cortês e elegante), comida de primeira
qualidade (sempre feita na hora. São daquelas iguarias que deixam saudade no dia seguinte). Contam também com uma decoração de exímio bom gosto, no melhor estilo árabe. 


Foto do teto do restaurante Maguib Mafouz

É o primeiro lugar que deve ser visitado, principalmente depois de qualquer viagem (nada como encontrar uma excelente refeição em meio ao caos).  O preço é compatível e justo.

O pão é um dos principais itens em toda refeição da comida árabe.

Em várias ruas do Cairo, encontra-se pão à venda, em barraquinhas estendidas sobre as calçadas. Mesmo sem a higiene adequada (as vendedoras colocam apenas um pano ou papel sobre a gaiola onde são transportados), as pessoas mais simples os compram.

Os pães não são uma exclusividade das ruas, alguns restaurantes, como o Cristos (na Giza), têm sua
própria "panificadora".  Nestas bandejas de madeira (vide foto abaixo), existe uma farinha que parece
areia.  Ríamos muito ao falar que queríamos "pão passado na terra".  Na verdade, era uma delícia.  Saía
quentinho, na hora e acompanhava as refeições.

Na Giza é onde se encontram muitas atrações, principalmente as noturnas: bares e restaurantes,
casas de shows. Mas o chamariz é a única das Sete Maravilhas do Mundo que ainda está de pé: As
Pirâmides. 

Pode-se avistá-las de diversos pontos da cidade. Parecem próximas umas às outras (vide foto
abaixo), mas a distância é grande (aproximadamente 500 metros).

Vamos à próxima página para podermos abordar melhor essas maravilhas.  São muitas fotos das Pirâmides, Esfinge e dos cameleiros.

Lembre-se sempre: "Los cameleros son mafiosos! No dê dinero para ellos!".

CONTINUA - CAIRO - PARTE 2

Jorge Sabongi - Agosto/2005
(correção ortográfica:  Andrea Loli - Brasília-DF)

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