EGITO - CURIOSIDADES



O II Festival de Dança do Cairo-Egito:

O SONHO:

Quem nunca sonhou em passear pelo Egito?  E dançar então?  Se aqui no Brasil, para fazer uma apresentação para um pequeno grupo de brasileiros, o friozinho na barriga acontece para muitas, imagine na terra natal da dança, diante de um público que convive com isso desde que nasceu, com grande orquestra e aprendizes do mundo inteiro...!

O "sonho" de muitas... finalmente tornou-se realidade!

1)  Se você quer um lugar para ter uma "overdose" saudável de dança do ventre... este é o lugar.  Para aquelas que tem tem sede em aprender dança árabe, foi o "point definitivo".  Nenhuma bailarina pode deixar de estar num festival desses, seja ela aluna ou profissional.  Em países do mundo inteiro ocorrem eventos de dança do ventre, mas este é imperdível!  Uma oportunidade única, que vale cem vezes mais do que qualquer curso que você possa ter feito.  O motivo principal, em minha opinião, é o contato próximo e genuíno com o folclore egípcio.  Sem ele, a dança de qualquer bailarina parece simples e ingênua, dificilmente deixando de ter aquelas tradicionais seqüências acadêmicas, 1,2,3,4.... 

Não quero dizer com isso que a dança apresentada no Brasil é pobre.  Pelo contrário!  A técnica aqui ensinada deixa longe, e para trás, muitas bailarinas de outros países, como pude constatar pessoalmente.  Nossas bailarinas avançam a passos largos no aprendizado, mas muitas ainda negligenciam um fator fundamental na dança árabe: o folclore.  É hora de encarar de frente que o período da superficialidade acabou.  Falando no nosso popular: "chega de arroz com feijão".  Temos condições de melhorar esta culinária em dança se houver mais empenho, dedicação e compromisso.  Hoje em dia, a maioria das brasileiras até arrisca uns passinhos de dança do ventre.  E isso vai aumentar cada vez mais ...  Não adianta, quem realmente dança profissionalmente, tem que passar muitas vezes pelo Egito.

2)  Acredito que nenhum país do Oriente Médio, onde a dança é permitida, existe tamanha gama de variedades e possibilidades em dança.  Existe uma riqueza ilimitada de movimentos no que se refere à "shows" que personificam a vida cotidiana egípcia no palco.  Em outras palavras... você vê o dia-a-dia do Egito nas danças.  As danças de aldeia, os camponeses com seus costumes intocados pela vida moderna, a arte servida e brindada com a alegria e frescor, "diretamente da fonte".   

Chego a conclusão que nossos 20 anos de estudos sobre esta arte, são apenas um arranhão na superfície de algo bem mais profundo do que imaginamos.  Nada se compara à estar lá... presente!

3)  O local não poderia ser outro.  Um dos hotéis cinco estrelas do Cairo.  Foi lá que aconteceu, durante uma semana, a maior parafernália de shows que pude vislumbrar em minha vida.  Foram dezenas deles, diariamente.  Chegávamos a não ter mais saúde para ficar até o final.  Ia sempre até altas madrugadas.  E quando pensávamos que era a última bailarina que subia ao palco... havia mais uma orquestra e mais outra ainda que iriam se apresentar, principalmente na abertura e no encerramento.

4) As aulas transcorreram normalmente, é claro que não poderia deixar de haver aquela tradicionalzinha "fogueira de vaidades", como acontece em tudo que envolve beleza e estética. Aquele bairrismo tão peculiar.  Chego a conclusão que faz parte do "inconsciente coletivo" onde envolve mulheres.   Mesmo assim, no balanço final, o resultado foi bastante positivo para todas.  Muitas arranhavam o inglês e na questão prática as aulas transcorreram bem.  Mas ninguém pode negar: uma gama de professores tão renomados só poderia acontecer no Egito.  Dina, a top do momento (aquela que todas egípcias atuais procuram imitar...) também deu sua aula num dos dias da semana.  Sala lotada....

Preciosidade também nas aulas de Raqia Hassam, Ibraim Akef, Mahmoud Reda, Dr. Mo Guedawi e também Farida Fahmi...

E principalmente Souheir Zaki, senhora e deusa da dança no país, com mais de 60 anos, mas que não aparenta nada disso....

5) A recepção no saguão de entrada do Sheraton, na abertura do festival, ninguém vai esquecer. Um grupo folclórico que apresentou dança sufi.  Forte percussão, de fazer nosso coração bater acelerado mesmo, todos com olhos rasos d'água e uma emoção difícil de descrever...

era tudo real... e estava acontecendo, diante de nossos olhos.

6)  Shows e mais shows de dança....

Dina... um espanto...

 

Homenagens...

Desfiles...

e "derviches"...

Não poderiam faltar as fotos nas noites de gala....


O Egito é sem dúvida o berço da dança.  Não resta dúvida que em diversificação está a milênios de outras nações árabes.

Agora, o II Festival é só história.  Boa para se contar... inesquecível para ter na lembrança.  Na verdade, não vemos a hora de voltar... o que parecia tão difícil, tão longe... virou realidade!


Jorge Sabongi - Julho/2001

   Retornar ao site Khan el Khalili