EGITO - CURIOSIDADES



O pitoresco lado do Cairo-Egito:

O TRÂNSITO:

1) Na Cidade do Cairo, uma das cinco maiores do mundo, não existem faróis (semáforos).  Os raríssimos que existem, vivem quebrados (por isso estão sempre verdes!).  As vias de trânsito são uma verdadeira piada, onde buzina-se muito e xinga-se à céu aberto o tempo todo.  Para conseguir passagem nos cruzamentos....tem que ir entrando!  Um caos...

2) Os táxis, são geralmente carros russos, muito velhos e batidos em todos os lados.  Tem as cores preto e branco.  Lotam o centro.  Parece que na cidade só existe táxis. A sensação que se tem, é que também não são lavados internamente, desde que saíram da fábrica.  Quando você contempla a cidade de dentro do táxi, parece que está assistindo a um filme de Indiana Jones através dos vidros.  Existe poesia no ar... um sabor de aventura, que você vive 'ao vivo'.   Quando desce do táxi, percebe:  "é real".  Isso tudo realmente existe.

3) Os taxímetros não funcionam.  Para se ir a algum ponto da Cidade do Cairo, você chama um táxi e "antes de entrar no carro" combina o preço para onde vai.  Tem que ter "barganha".  Acostume-se sempre a baixar pelo menos 30% o valor que o motorista pede.  Todos eles, querem ser seu guia e solicitam que você os contrate por dia.  Prometem mostrar o país inteiro.  Até distâncias que levam horas de avião. A história do dia-a-dia do Egito, você vivencia dentro dos táxis.  Eles tem contato com todo mundo e uma filosofia toda própria.

4) Os guardas se vestem de branco e guiam o trânsito com um pequeno bastão nas mãos.  Gritam e xingam os motoristas.  É normalíssimo.  Por incrível que pareça, também tem muito motorista de táxi que "passa por cima" dos guardas de trânsito, sem se importar com multas. 

5) As ruas são longas, com grandes "minhocões" e entroncamentos daquele tipo "redondinho", onde quem entra no rodamoinho, tem que ter sangue-frio, principalmente nas horas do rush.  Vale gritar, buzinar de forma neurótica e xingar todo mundo... em árabe, claro!

6) Os ônibus, são em sua maioria lotações.  Entram quantos derem.  Todos muito antigos, carcomidos e... batidos em todos os lados. As portas e os vidros caindo e podrinhos...

7) O calor é intenso durante o dia.  Sol quente e seco.  Você não sua de molhar a camisa, apenas transpira.  É escaldante e não andar com uma proteção sobre a cabeça, pode lhe causar uma desidratação brava.  Dentro dos carros, ... sauna total.

8) Carroças puxadas por burricos e charretes são comuns no meio do trânsito caótico.  Normalmente carregam hortifrutigranjeiros.  Seus condutores são camponeses, vestidos de galabias escuras com turbantes brancos na cabeça.  Aparentemente são todos "surdos", pois nem piscam no meio da gritaria.

9) Nos bairros mais periféricos, camelos carregam hortaliças e brecam os ônibus de turismo que circulam levando turistas.  Tudo muito engraçado.  Não dá para levar a sério... você ficaria louco bem rápido.

A CIDADE DO CAIRO:

1) Numa visão panorâmica, o Cairo é bege.  As casas, os prédios e as construções fundem-se todos nesta única cor.  Não se pintam os imóveis com cores berrantes, nem claras.  A Cidade inteira está em construção.  Muitos prédios que ficaram abalados e comprometidos com o terremoto de 1994 (mais de 1000), estão visivelmente abandonados e parece que houve uma guerra há pouco tempo.  As paredes tem camadas de pó... e não tem hora nem prazo para mudar de cor.  Propagandas em "outdoors", espalhados por toda parte, no meio da destruição completa.  Nas fotos, aparecem artistas com o mais largo sorriso, contentes e aquele ar de bem sucedidos.  Que paisagem...!

2) O que mais chama a atenção no Cairo, é o contraste gritante por todo lado onde você olha.  Você vê os dois lados da moeda juntos. Aproximadamente 20% da população é  milionária.  Ostenta Mercedes do ano, BMW e leva um padrão de vida de reis.  Aliás, Mercedes é um dos carros mais comuns na cidade.  Mercedes e táxis velhos.  O restante da população vive em condições bastante precárias.  Você vai até um bairro paupérrimo e encontra todas as casas semi-acabadas, ou bem destruídas, camponeses indo e vindo e no meio de tudo, uma joalheria enorme, com ar condicionado, tudo de fazer inveja ao primeiro mundo.

3) A Cidade tem cheiro de especiarias por toda parte.  Quando você sentir, nunca mais irá esquecer.  Faz parte de todo esse contexto mágico.

4) A atração do Cairo é o mercado Khan el Khalili, que tem mais de 1000 anos.  Um absurdo de ruelas, com centenas de lojinhas, cheias de produtos e souvenirs de todo gênero, um gigantesco bazar onde você encontra de tudo.  Em sua maioria, os produtos são cópia de algum original (piratinhas!), vendidos a preços populares.  Mas há verdadeiras jóias no Khan el Khalili.  Procurando você vai achar produtos que sempre sonhou.  Detalhe: para todos os gostos e todos os bolsos.  Um mesmo produto, você encontra em plástico, madeira, cristal, marfim ou ouro.  Resta encontrar o preço que você está disposto a pagar.  O mais curioso entretanto, é que você "vê de tudo" no mercado, inclusive cabras e marrecos.  Se você for todos os dias, vai ver sempre coisas novas e pessoas extremamente pitorescas... é demaaaiisss!!!

5) São quase 1000 mesquitas no Cairo.  Por cada rua que você passa, tem mesquita.  De todos os tamanhos, mas sempre com aquelas torres góticas de 100 a 150 metros de altura.  Num determinado momento do dia, todas elas chamam os fiéis por alto-falantes para a reza, que acontece nas ruas, e pára tudo, inclusive o comércio.  O domingo dos muçulmanos é na 6a. feira nossa.  Portanto, dia de reza.  Filas e mais filas de homens, alinhados, pisando descalços num tapete que as lojas colocam na calçada. Tudo paralisado por alguns instantes, inclusive os carros no meio da rua... e vão rezar.

6) Uma semana antes de chegarmos ao Cairo, houve uma tempestade de areia na cidade.  Veio do Sahara e cobriu tudo de pó.  Não se enxergava nada nas ruas.  Tudo teve que ser fechado.  Conta-se que ao fechar a boca, você mastigava grãos de areia entre os dentes.  Se já existia pó na Cidade, agora ficou tudo certo.  A tempestade é a culpada do bege que cobre todos os prédios.

7) No aeroporto, ao chegar, não tem botão para "dar vermelho" quando você passa na alfândega.  Se cismarem com você, eles começam a gritar feito loucos e "viram bichos", revistando suas bagagens.  Mas... é do nada que acontece!  Você vai passar... e de repente, começa a gritaria em árabe. Vale para homem e mulher.   Fique calmo(a), e abra com tranqüilidade.  Deixe o pânico com eles.  Uma de nossas meninas, ficou nervosa para abrir a mala, não achava a chave, enroscou o dedo na trava... aí os guardas enfureceram completamente.  Felizmente, passou!

8) No caminho para as Pirâmides (a 15 kms. do centro do Cairo), um detalhe extremamente curioso... a estrada para chegar lá,... do lado direito é uma floresta (isso mesmo, tudo verdinho)... do esquerdo, deserto totaaall, areia e pedra: começo do Sahara.  O asfalto passa bem no meio e divide os dois espaços, completamente antagônicos.

9) Por onde passam as águas do Nilo, existe uma agricultura extremamente saudável.  Fizeram muitos canais de irrigação pela cidade, afim de que ele fertilizasse o solo.  São considerados os solos mais ricos do planeta para a agricultura.  Tudo que lá é plantado, é muito viçoso.

10) Existem profissões por lá, que já estão extintas no ocidente há muito tempo.  Você vê nas ruas...lojas de sapateiro, por exemplo... engraxates, lojas de ferragens para carroças, charreteiros, curtumes...e por aí vai...ainda vive-se muito do trabalho artesanal.

11) Tem também bicicletas, que você não vai acreditar:  amarrado no guidão, um imenso radião, com caixas acústicas.  Som altíssimo, tocando músicas de Hakim e Ihab Taufik por toda a cidade.  E eles pedalam felizes... cantando junto.  Aliás... Ihab Taufik toca em qualquer lugar que você entra... e em "todas" as rádios o tempo todo.  Chego a pensar que é "em rede", como a Hora do Brasil.

12) A TV a cabo lá, só tem canais árabes (90%).  Um moooonte deles.  Tem canais da Arábia Saudita, Jordânia, Líbano, Síria, Kuwait, alguns do Egito(claro!)....Todos com entrevistas e programas religiosos.  Filmes antigos (preto e branco) e novelas são normais também.   Mas por incrível que pareça, nenhum canal com dança.  A dança só aparece em trechos de filmes antigos.  Dependendo do horário, um ou outro, mostra um cantor com conjunto, num determinado show ou evento.

13) Um dos sanduiches mais populares no país é o "falafel".  Forte barbaridade, pois eles não dissolvem o tahine (molho de gergelim).  Colocam puro mesmo... e com limão.  Até os McDonalds de lá, tem o "McFalafel".  Acredite...vende mais que BigMac.

14) O karkadeh (chá de hibiscos) servido no Cairo é tão forte que parece tinta.  Dá para pintar a parede com ele,... e não precisa dar segunda mão...

15) E para encerrar este bloco, uma catarse: nos jantares dos shows, onde é self-service, a partir do momento que é dado o sinal de que está servido, todo mundo corre, pega um prato, fura fila um na frente do outro, e faz uma montanha de comida, independente de classe social, em cinco minutos esvaziam tudo, inclusive pães e até todas as sobremesas.  É comum, senhoras muito bem vestidas, empurrando, pisando no seu pé e entrando na frente de todo mundo, sem pedir licença.  Se tem um conjunto tocando, fica sozinho no palco.  Êxodo total.  É loucura mesmo.  Todo mundo fica com medo de ficar sem comida.  Chega a ser engraçado, ver 600 pessoas desesperadas, umas atropelando as outras.  Numa das noites de shows, meu saldo na batalha foi somente uma pequena fatia de bolo.  O que se vê ao final, parece um campo de guerra... depois dos canhões...

16) Pensei que no jantar do passeio de barco fosse diferente, mas pobre de mim.  O filme é igual em todos os eventos.  Vagando sobre o Nilo, parecia que o pessoal tinha mais fome ainda.... Da próxima vez.... já aprendi o ritmo.

A SEGURANÇA NO CAIRO

1) Policiais do exército povoam "todos" os quarteirões da Cidade, com uniforme branco e boina preta, armados com metralhadoras.  São milhares deles.  Geralmente ficam 2 ou 3 juntos.  A proteção para o turista é total.  O Egito é hoje considerado o segundo país mais seguro do planeta.  Em primeiro lugar vem a Arábia Saudita.

2) Qualquer lugar onde haja aglomeração de pessoas, tem um detector de metais, com seguranças a porta para revista (hotéis, shows, museus, grandes magazines...).  Ao entrar, suas bolsas, pacotes e pertences são todos minuciosamente revistados.  Se você volta até o táxi para pegar algo, tem que passar de novo pelo detector e pela revista.  Isso é tão normal, que onde você vai, acontece.  Acaba fazendo parte do dia-a-dia.

3) Em frente ao Museu do Cairo, um verdadeiro exército é montado.  Na entrada, tecnologia de primeiro mundo para revista.  São mais de 160.000 peças para você ver.  No segundo andar, o tesouro de Tutâncamon: um assombro de ostentação para toda a humanidade.  Algo emocionante e divino, com mais de 3500 anos.  Difícil dizer a sensação de emoção que te incorpora ao visitar a gigantesca sala.  Tem uma sala, climatizada, que guarda o sarcófago e a máscara mortuária, juntamente com os pertences que ele utilizava.  Dezenas de kilos de ouro maciço.  Num cantinho, escondidinho, claro... um soldado com uma metralhadora.

4) E por falar em ouro, você pode andar com quanto ouro desejar pendurado pelo corpo no Cairo, a qualquer hora da noite ou do dia.  É perfeitamente seguro.  A lei é muito rígida nesse sentido.  Você não ouve falar de casos de roubo à transeuntes.  Geralmente a polícia faz batidas nos mercados procurando traficantes de drogas.  Tivemos a oportunidade de ver alguns carros de presos próximos ao mercado:  são caminhões-baú, com grades de ferro, onde o preso é "acorrentado", como escravo.

5) Se alguém ofende um turista, pode ser preso por alguns dias.  Em caso de reincidência, a pena sobe para 3 anos.  Se houver nova reincidência vai para o tribunal para ser julgado quanto tempo terá de pena. 

AS MULHERES EGÍPCIAS:

1) 90% da população do Egito é de religião muçulmana.  Por isso, metade do Cairo chama-se Mohamed (em homenagem ao profeta).  Os restantes 10% da população são cristãos.  Portanto, as mulheres em sua maioria, usam o véu, cobrindo a cabeça.  As partes do corpo são totalmente cobertas.  Não toleram ser fotografadas.

2) Se você é mulher, não use decotes nem exponha as pernas ou ombros no Egito.  Os homens vão confundir você.  E as mulheres... ah as mulheres, vão te xingar e praguejar até suas próximas gerações, gritando em plena rua.

3) Elas olham com ar de curiosidade para as ocidentais.  Tem momentos que parecem que estão vendo um E.T., comentam entre si, riem, parecendo meio incrédulas.

4) Assistem aos shows com moderação, e geralmente, sem esboçar nenhum sentimento.  Quando muito, batem palmas, ao ritmo da música.  Preferem uma atitude contemplativa.

O ATO DE COMPRAR NO CAIRO:

1) Jamais compre um produto sem barganhar.  Faz parte da negociação no Khan el Khalili.  Se você perguntar o preço e pagar o que pedem, depois vai comer os dedos de raiva ao cruzar a esquina e ver seu produto, por menos da metade do preço.

2) Se for comprar por atacado, faça o preço "você".  Não pergunte quanto custa.  Diga: "Quero pagar "x" por "tantas" peças deste produto.  Vamos fazer negócio?".  Pise firme no seu preço e flexibilize o mínimo possível e só no final, quando chegar a exaustão.  Se achar que ainda tem "gás" para poder levar a discussão adiante, peça uma cadeira e mande trazer uma Coca-Cola.  É comum, quando você está fazendo uma transação.  Significa: "vamos chegar num acordo".  Se te oferecerem karkadeh nas lojas, evite beber, pois a água não é confiável (e você não é filho da terra, não arrisque!).  Não beba nada que tem pedras de gelo (pois são feitas de água da torneira).  Acredite, para nós, ocidentais... faz um maaal..

3) Câmera no pescoço, o preço quadruplica.

4) É comum e faz parte do dia-a-dia barganhar no Egito.  Acredite, você vai ficar "seco" de tanto pechinchar.  Após 10 dias, precisará de um descanso mental, ou vai acabar pagando o que pedirem, pois vai chegar ao seu limite.  Realmente, cansa.  Por onde você anda, tem uma banca de produtos em gesso, pedra, cerâmica ou alabastro.  Quando você pergunta o preço e recusa-se a pagar o valor pedido, eles perguntam: "Quanto quer pagar?".  Você diz o que acha que vale.  Eles não pensam duas vezes.  Colocam na sua mão.  "Mais vale um pássaro na mão...

5) Os motoristas de táxi sempre tem um lugar para lhe levar para fazer compras.  Normalmente ganham uma comissão dos lojistas.  O convite para você ir é sempre sedutor.  "Lá onde eu leva você, melhor breço que Khan el Khalili".  A sugestão é que "você" pesquise pessoalmente.  Evite cair em conversas.  Todos eles tem uma forma e mil motivos para você acompanhá-los onde querem.

O SEGREDO DA BARGANHA:

1) Nunca compre na primeira vez que você visita o mercado; você sentirá cócegas nos bolsos, mas resista.  Seu consumismo terá que esperar até a segunda visita.  Acredite... é para seu bem.

2) Se um produto custa $ 100, sabendo barganhar, você poderá levá-lo até por $ 10.  Não pergunte o preço se você ainda não achou o produto certo.  Se você perguntar, dificilmente sairá da loja sem levar e poderá se arrepender de ter comprado algo que não queria, logo em seguida.  Eles dão um jeito de você levar.  Para eles. "não quero", significa "quero comprar agora".

3) O assédio dos vendedores é estupendo e a sedução para você comprar acontece a cada passo que você dá.  Todo mundo quer lhe vender algo.  Falam diversos idiomas: inglês, francês, italiano, japonês, espanhol, alemão e o que der para tentar, tudo para lhe chamar a atenção.

4) Pense no preço que você quer pagar e abaixe um pouco o valor. 

     Por exemplo: Custa 80. 
    Você acha que vale $ 20. 
    Ofereça 15. Encerre a negociação entre R$ 18 ou 20.
    Se não quiserem fechar no seu preço, diga: "volto amanhã".
    Comece a andar como quem vai indo embora, 
    Ande com passos lentos....
    Eles te chamam e fecham no seu preço.

5) Mulheres bonitas são um problema nas ruas do Khan el Khalili.  Por onde andam, existe uma piada ou uma cantada (geralmente bem ingênuas).  Costumam receber propostas de casamento em troca de camelos ou alguma jóia.  Tem casos em que os vendedores dão a mercadoria em troca de um beijo. 

6)  Se você não quiser ou já estiver cansada dos assédios, o ideal é colocar um lenço sobre a cabeça, cobrindo completamente os cabelos.  Diminui quase que por completo, em virtude da religião.

7) Evite comprar em dólar.  A moeda do Egito é a "libra egípcia".  Lá é conhecido como "pound" ou "guinéu" ("guiné", popularmente falando).  Um dólar compra quatro pounds, em média.   Portanto, se um produto custa $ 80 pounds, seu preço em dólar é US$ 20 aproximadamente.  Quando te perguntarem como você quer o preço, diga: "em libra egípcia".

8) A título de curiosidade, fiquei numa loja no Khan el Khalili, por três horas, barganhando com o dono, Sr. Ali.  Sentado, feito um paxá, numa cadeira da loja, num ponto estratégico da entrada. Dava ordens aos berros para todo mundo (seus filhos), em árabe, enquanto eles vendiam.  Num determinado momento, parecia que íamos nos pegar à tapas.  Não entravamos em acordo no preço das mercadorias.  Sentei, pedi "traz Coca-Cola, e vamos começar do zero..." ao final de três horas, chegamos a um preço que ambos achamos ideal para os produtos.  Detalhe: ele é pai de 18 filhos (wow...) que trabalham também no mercado do Khan el Khalili.  A medida que íamos fechando os preços, saia um filho para ir buscar a mercadoria em outra loja.  Ao final, ele me abraçou e disse que adorou fazer negócios comigo.  Meu Deus... cheguei exausto ao hotel;  parecia que todo meu fosfato havia ido embora.

A DANÇA DO VENTRE NO EGITO HOJE:

1) Parece incrível, mas mesmo sabendo o quanto é admirada no restante do mundo, os egípcios mais ortodoxos, abominam a dança do ventre profissional em seu país.  Se a bailarina não é famosa, provavelmente irá carregar um estigma pesado consigo, até chegar lá.  As danças só acontecem, em pontos turísticos (grandes hotéis cinco estrelas e barcos que transitam pelo Nilo).  Fora isso, só nas zonas consideradas "impróprias".

2) Toda mulher egípcia dança por natureza.  Está no sangue.  Tem uma graça peculiar e charmosa.  Mas não se apresentam em público, fora de festas particulares.  Os hábitos não permitem que uma mulher casada se apresente, mostrando o corpo para o grande público.  Mesmo assim, não deixam de admirar grandes bailarinas e aplaudem com gosto uma bela apresentação.  Somente os maridos podem ver suas esposas por baixo dos véus.  Algumas só tem os olhos de fora. Você só vê panos por todos os lados.  Aí você vai perguntar, "como existem mulheres que não usam o véu?".  Ocorre que muitas mulheres no Egito já aboliram o véu e aderiram a prática das vestimentas européias.  A grande maioria no entanto, mantém as tradições muçulmanas.  

3)  A bailarina do momento no Egito é "Dina".  Faz grandes shows com orquestra de 25 músicos no palco.  Possui movimentos precisos e de grande impacto.   Tem um show preparado e bem marcado, com grandes músicas onde ela executa cada movimento, dentro de cada toque da orquestra.  Não se pode negar que "é um show".  Causa furor na platéia.  Seus trajes são um escândalo, até para nós ocidentais.  Segundo os egípcios, é a única que permitem que use trajes sumários ao dançar, pois eles a consideram uma deusa.  Dentro deste conceito, ela usa e abusa de seus atributos, levando a platéia ao delírio com seus grandes encerramentos e giros finais.

4) Em sua grande maioria, os egípcios preferem bailarinas antigas.  O estilo clássico é a preferência nacional.  Souher Zaki é uma rainha, reverenciada em todo o país.  Mesmo os grandes professores a respeitam como uma imortal. 

5) Adoram Tahia Carioca (já falecida), já Fifi Abdo é uma figura polêmica, alguns adoram, outros odeiam.  Todos os motoristas de táxi e vendedores das lojas falam delas.  Acham que no caso de Dina, existe um apelo sexual muito forte.   Muitos não gostam deste estilo moderno (até demais...).  Mencionam que a religião não permite algo assim.  Mas todo mundo lá, já foi assistir...

6) Repórteres de revistas e TVs do mundo todo estiveram no Cairo, entrevistando professoras, alunas e participantes sobre o Festival de Dança.  Nosso pessoal, chegou a dar diversas entrevistas.  Havia uma atenção muito grande por parte da mídia, quando dançavam bailarinas brasileiras.  O grupo de quase 60 pessoas realmente ficou muito conhecido por sua beleza e exuberância.  Por onde passava, causava espanto.  Existia um encanto especial, que não passou despercebido pelos repórteres. 

7) Existem barcos que cruzam o Nilo todas as noites.  Neles há apresentações de bailarinas.  Não são grandes apresentações, apenas um entretenimento enquanto o pessoal faz seu jantar no cruzeiro, que geralmente dura duas horas.  Ocorre também, um show com um dervixe e um conjunto com um cantor e três ou quatro músicos.  Nada excepcional, mesmo para os mais leigos.  Vale mesmo o passeio e a brisa da noite vislumbrando o Cairo a noite... que é maravilhoso e inesquecível.

8) Não poderia deixar de mencionar sobre o padrão ou modelo de beleza do Egito.  A mulher "mais cheinha" faz muito sucesso por lá.  A maioria das bailarinas egípcias, e também as européias, não encontram-se no peso ideal, normalmente exigidos pelos padrões Latinos e Americanos. O conceito de beleza é outro, completamente diferente dos nossos.  Outro fator interessante: as brasileiras são muito mais vaidosas e principalmente, cuidadosas com sua aparência.  Se produzem mais, e são impecáveis visualmente.

OS SHOWS:

1) Os shows acontecem em momentos e ocasiões especiais nos hotéis cinco estrelas do Cairo. O que enriquece de forma absurda todas as apresentações de bailarinas, é sem dúvida, a riqueza do folclore egípcio.  Instrumentos de percussão entram forte no meio da música e dão alento, revigorando o show, no meio do caminho.  O resultado é que nossos corações imediatamente começam a pulsar mais forte.  Revitalizam qualquer dança.

2) Alguns shows que merecem destaque são dos sufis, que apresentam seus dervixes (homens com roupas de saia rodada, muito coloridas), que giram, giram, giram durante quarenta minutos seguidos, fazendo evoluções impressionantes. 

3) A dança ghawazee também é um atrativo muito alegre e divertido.  Uma espécie de bailado de camponesas ciganas egípcias, com vestidos compridos e coloridos, cheios de pastilhas e lenços de moedas amarrados a cabeça.  São muito graciosas e risonhas.  Contagiam todos a seu redor.

 4) O tahtib, que é uma dança com bastões masculina, aparentando uma luta, ao som de tambores (derback, tabel, mazhar, deholla, bendir...), e guiado através de mizmar (aquela flauta que parece uma cornetinha de madeira) e o som inebriante do rabeb.

5) As orquestras proliferam no Egito.  Existem milhares de músicos no Cairo.  Para se ter uma idéia, cada bailarina tem sua banda, geralmente de 15 à 25 músicos.  Numa única noite, vimos 5 orquestras.  Sobem e descem do palco, como trocamos de roupa.  Muito rápidos na afinação dos instrumentos, para a mesa de som, antes de iniciar o show.  Extremamente profissionais.  Em cinco minutos, trocou todo mundo, e já tem outra orquestra tocando.

6) Os derbackistas egípcios são um assombro.  São uma atração à parte.  Participam de cada movimento e seguem a bailarina como uma sombra.  Visivelmente se deliciam quando estão tocando.  Eles dão o andamento na orquestra e traduzem os encerramentos para que todos terminem num só acorde.  E por incrível que pareça, todos terminam juntinhos.  Você não ouve ninguém atrasado ou perdidinho no último toque.

7) Uma orquestra geralmente tem uma gama de instrumentos bem variada; todos harmônicos, ninguém aparecendo mais do que ninguém.  Tudo num só conjunto em sintonia perfeita, partes de um todo.  Formam essa grandiosidade com: teclado, kanoun (harpa), nay (flauta) acordeom, rich (o popular daff - pandeiro), snujs, três a quatro violinos, violoncelo, bateria, coral de três a quatro vozes, e o cantor do momento.  Na percussão, mazhar (um pandeiro gigante com snujs gigantes e que dá os agudos), dois ou três bendir (aquele pandeirão sem os snujs), deholla (um derback maior para os graves) e derback.   No meio do show, entram um ou dois tabels (bumbos) tocando a todo vapor, os mizmar, com agudo estridente e o popular rabeb.  Tudo dando um ar camponês à apresentação (pois entram todos vestidos de galabias baladi coloridas e turbantes brancos).  Seus pelinhos dos braços vão se levantar com certeza!!!!

OS PASSEIOS:

1) Estar no Cairo sugere que você não durma.  Apesar de a partir das 22hs, acontecer um recolher generalizado, é nos hotéis cinco estrelas que tudo acontece.  Grandes shows, com os artistas do momento fazem a alegria da alta sociedade egípcia.  Os night-clubs também lotam, com dezenas de Mercedes e BMW as portas.  São muitos hotéis na Cidade e todos tem suas atrações noturnas.

 2) Os monumentos são uma atração forte para pessoas sensíveis.  Imagine você tocar em algo que tem mais de 5000 anos de existência.  Quantas centenas gerações aquelas pedras ou estátuas já viram passar à sua frente.

3) O Museu do Cairo é imperdível.  Você levaria pelo menos um mês para passar em revista rápida todas as peças.  Perca-se no segundo andar, diante do tesouro de Tutancamom.  Vai valer pro resto de sua vida.

4) A Pirâmide de Saqara, a primeira de todas, construída em camadas, pelo arquiteto da época Inhotep, corroída pela erosão, mas inteira ainda.  É história viva.  Com certeza esconde tesouros imensos em baixo de suas areias, que é fechada e cuidada pelo Governo Egípcio.

5) As Pirâmides de Gizah e a Esfinge dispensam comentários.  Você as avista de muitos pontos da Cidade, das mais variadas distâncias.  Cada vez que olha para elas, um arrepio toma conta.  Difícil de explicar.  Imensas... pedras sobre pedras, gigantescas.  Todos os egípcios tem sua teoria para a construção das pirâmides.  Abominam a hipótese de Hollywood sobre seres extra-terrestres.  Dizem que as Pirâmides foram sofrendo evoluções na arquitetura, desde a construção da Pirâmide de Saqara, quando perceberam que não era o melhor método construir pirâmides em camadas, mas sim com ângulos retos.  Foram séculos para chegarem ao modelo ideal de Queops, Quefrem e Miquerinos.  Existem hoje no Egito, 97 pirâmides inteiras.  Olhando de longe, ou vistas de cima, as três pirâmides e a esfinge parecem próximas umas das outras.  Mas é longe para ir a pé.  O ônibus que leva os turistas, vai dando várias paradas para acontecerem as visitas, em uma, em outra... e na esfinge.  

Arriscar a ir andando, naquele sol, de um lugar ao outro, além de tirar todas suas energias, poderá lhe dar uma séria desidratação.  Sem contar o mormaço que baixa a pressão.  Em uma delas, você paga para entrar ($10 pounds) num túnel de 60 metros, com pouca altura, sem ventilação, e que vai dar numa câmara fechada, e sem nada.  Sauna dentro ... e fora.  O que fica de bom em tudo isso, é tentar imaginar quanta história existe por trás de tudo aquilo... e quantos tesouros existem por baixo também.  Calcula-se que a Esfinge tenha mais de cinco milênios. 

6) Os monumentos encontram-se todos guardados pelo Governo Egípcio com sua polícia e exército, fardados de branco; seu acesso é restrito, mesmo assim, você pode contemplar bem de perto muito desse museu vivo.  E não perde nada... claro que aquela aventurazinha de entrar num túnel secreto e chegar a uma tumba riquíssima, tem que ficar na sua imaginação.

7) Cada cidade do Egito tem monumentos para serem visitados.  É um país para voltar sempre, muitas vezes, pois a saudade chega cedo quando você vem embora.  Dá vontade de voltar...

8) Tem uma vila chamada Vila Faraônica, que conta 'ao vivo' como os egípcios viviam, e você vivencia tudo isso de um barco, que passa por um campo de papiros.  Também nesta Vila Faraônica, tem um galpão que mostra a forma e a disposição em que foi encontrado o Tesouro de Tutâncamon em suas respectivas câmaras (quatro).  O difícil é quando você já passou pelo museu e já viu o verdadeiro.  A réplica é bem feita, mas nada se compara ao original.  De qualquer forma é muito legal para você entender como estava disposto dentro da tumba.

9) Andar de camelo é uma experiência e tanto.  O subir e o descer, você "jamais" vai esquecer.  Depois que você está em cima, não quer sair nunca mais.  Dá vontade de entrar Sahara adentro e tchaaaau....

10) É cômico demais a situação dos camelos.  Merece uma menção.  Para andar no camelo custa 10 pounds.  Acontece que os "cameleiros" cobram 10 pounds para subir.  Se quizer descer, tem que pagar mais 10 pounds.  Se quizer dar uma voltinha no Sahara, de 50 metros (25 de ida, e 25 de volta), custa mais 10 pounds.  Você chega para perguntar quanto custa a volta e o "cameleiro" arranca a câmera da sua mão, e pendura no pescoço dele.  Diz que vai tirar uma foto sua.  Detalhe: custa mais 10 pounds se ele tirar uma foto sua no camelo.  Se ele sair na foto, tem que dar mais 10 pounds também.  Enfim... sai mais barato dar uma voltinha num Mercedes...  A palavra chave para eles pararem com essa cobrança infernal é: POLICE! (Pertinho dali, tem policiais do exército, todos com metralhadora... e muito, mas muito bravos!)

O COMPORTAMENTO DO EGÍPCIO:

1) O egípcio tem muito do comportamento do brasileiro.  São bem parecidos, para falar a verdade.  Se fosse traçar um paralelo sobre o comportamento do povo egípcio em relação ao nosso, diria que em nosso país, convive-se com diversos brasis.  Isso mesmo!  Sabemos que no Brasil, em cada região, existe um tipo de comportamento que  identifica as pessoas, além do sotaque.  Na região sul, as pessoas são de um tipo; no sudeste de outro, no nordeste outro... e por aí vai.  O nosso "baiano", por exemplo, é um povo totalmente despachado.  Fala o que acha, doa a quem doer, ri de tudo, caçoa dos problemas, é debochado com a sexualidade, "não é lá muito chegado num trabalho pesado, nããão", adora um "descansozinho" numa rede... mas tem um coração imenso: se deixar, eles te dão o céu.  É exatamente assim que se assemelha o comportamento do povo egípcio.  Eles são desse jeito!

Se você "dá corda", então!  Eles te contam a história do país... desde os últimos 5000 anos, fazem comentários engraçados, querem te mostrar tudo, te levar junto à algum lugar... riem alto e tem um bom humor à toda prova.  A religião sempre se faz presente: "Graças a Deus!", "Deus quer assim!", "Deus ajude à ele!", "Deus seja louvado!"... e uma infinidade de "Aláh, Aláh, Aláh..." em tudo que falam.  Aproximadamente 93% da população é muçulmana.  

Tem um detalhe que não pode deixar de ser mencionado:  fuma-se muito no Egito, a ponto de tornar o ar dos ambientes fechados insuportável.  Mesmo ao ar livre, muitas vezes, é difícil suportar.  Mas eles tem isso como normal.

A poluição sonora é absurdamente comum nas ruas.  Buzina-se tanto, tanto, tanto.  Em todos os cantos aparecem discussões aos brados.  Táxis batem a todo momento, em raspadinhas com seus pára-choques maravilhosos e inquebráveis.

2) Por todos os cantos vê-se homens vestidos com largas galabias, sentados no chão... "pensando na vida".  Isso mesmo, não dá pra dizer o que tanto pensam, mas fazem isso em todos os cantos da cidade, principalmente no mercado.  Mulheres também sentam com suas galabias no chão e contemplam todo mundo que passa.  Sempre silenciosamente.

3) O tradicional "churrasquinho turco" (aquele que fica rodando naquelas máquinas), tão mal falado em nosso país, lá é comum.  Tem em todas as ruas.  Tem também um tacho enorme, onde eles fritam lingüiça de carneiro e outras carnes, à céu aberto, no meio da poluição e dos mosquitinhos. 

4) É comum ver mulheres fazendo pão nas ruas.  É comum ver mulheres fazendo pão nas ruas.  Elas ficam em silencio, fazendo o pão com as mãos da forma mais artesanal possível.  Falam pouco.  Os fornos são de barro, bem ao estilo improvisados e elas fazem isso como uma atividade diária.  Como um camelô, que monta uma barraquinha no meio da rua...  Os pães, ficam no chão, em engradados de madeira velhos, que são como gaiolas.  Sinceramente, não dá coragem de comer...

5) Serve-se karkadeh (chá de hibiscos tradicional), em todos os cantos onde você vá.  Da lojinha do mercado à recepção do hotel cinco estrelas.  Nas ruas, vendedores ambulantes, com um recipiente interessante, também vendem karkadeh, chá preto e de hortelã para os transeuntes.  É curioso, mas não dá para beber!

6) São muito solícitos em todas as partes, quando você pede informação.  Se puderem, e se você deixar, largam o que estão fazendo e te levam até o local.  Claro, que esperam um "regalo"(gorjeta), ao final.  É um dos paises onde acredito, se dá mais gorjetas no mundo inteiro.  Para tudo tem que haver gorjeta.

7) Apesar das determinações do Governo Egípcio, proibindo a solicitação de gorjetas à turistas, isso ocorre em todos os cantos.  Eles tiram uma foto com você, felizes.  Daqui a pouco, mostram a palma da mão com uma nota de dinheiro dobradinha, bem disfarçada, para você fazer uma oferenda.  Não falam nada, pois se a polícia pegar, há repressão.  Mas fazem de uma forma silenciosa, como nos filmes.

8) Existem bares masculinos para fumar "shisha" (narguilé).  Neles, homens sentam-se e conversam enquanto fumam (geralmente o fumo é de frutas - maçã).  São escuros e deprimentes.  Não tem mulher lá.  Só homens.  Os balcões são velhos, mas muito velhos mesmo.  Tem-se a impressão que o bar foi do tataravô do velhinho que prepara as shishas para os clientes.  Mas eles sentam-se, e ficam perfeitamente à vontade bebendo seu copo de chá, com uma folhinha de hortelã.  Conversam sobre a vida cotidiana e contemplam quem passa nas ruas.  Horas e horas...

9) As discussões são normais nas ruas entre eles.  No começo a gente estranha!  Falam alto, gesticulam, chegam o rosto perto um do outro, colocam o dedo em riste... se fosse no Brasil, a gente diria: "falta pouco...vão se matar!".  Depois de três dias, por onde você passa, já nem nota mais... é tão comum que passa a fazer parte do cotidiano.  

10) Todo mundo canta no país, o tempo todo.  As músicas de OM KALTHOUM (a cantora favorita dos egípcios), ecoa em todas as bocas, apesar d'ela haver morrido há décadas.  O sentimento fala alto quando cantam uma de suas canções.  São músicas que falam de amor, de muito sentimento, da dor de uma perda... E choram..., isso mesmo, você vê lágrimas nos olhos dos egípcios quando cantam músicas de OM KALTHOUM...

11) Os egípcios adoram brasileiros... de verdade.  Na verdade, o que dá para se perceber, é que temos muito em comum, no calor humano e no humor.  Eles todos também falam sobre isso.  Quando o assunto é mulher brasileira, todos eles querem na verdade, é encontrar um jeito de ....pedir alguma em casamento.  Apaixonam-se perdidamente... e muito rápido.

É claro que teria muito mais o que falar sobre essa civilização riquíssima, mas aqui ficam apenas algumas impressões peculiares da vida cotidiana.

Num resumo geral, o balanço é muito positivo e enriquecedor. 

O Cairo tem magia, poesia... e alma...

Jorge Sabongi - Junho/2001

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