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HISTÓRIA DA KHAN EL KHALILI |

1) Aconteceu numa sugestão de um casal de amigos egípcios, Sr. Adel e Sra. Salua Ashmawi, no final de semana que antecedia o primeiro aniversário da Khan el Khalili. Numa visita ao seu apartamento, sugeriram: "Por que você não faz uma noite egípcia, com dança do ventre?" Mas... quem faz dança do ventre nesta cidade? Ninguém. Umas 5 ou 6 mulheres apenas. Ótimo... é por aí o caminho! Tudo o que é difícil ... eu tento.
2) Começou a maratona. Não havia estrutura (som, luzes, músicas, bailarinas, conhecimento da dança...e muito mais... faltava tudo). Tinha que começar do zero. A assim o fizemos. Tivemos as primeiras apresentações... que foram um fiasco, pela falta de conhecimento. A música, para se ter uma idéia, tocava naquelas caixinhas acústicas de "som ambiente". Mas aconteceram, e, tudo que um dia é amador, acaba se tornando profissional com o tempo. Chegamos cedo, a conclusão que teríamos que ensinar aos brasileiros, desde o início, "como assistir a um espetáculo de dança do ventre, e vê-lo como arte". Mesmo que levasse anos para acontecer. Como fazer isso? Por onde começar? Onde era afinal, a ponta do novelo de lã? Confesso que de pensar em tudo que teria que estruturar, me deu um certo desânimo.
3) A dança acontecia a cada três meses na casa, mas não deslanchava. Andava a passos lentos e eu começava a acreditar que andaria naquela marcha, por anos e anos de lentidão. Foi nessa época que conheci Lulu. Curiosa, foi assistir dança e apaixonou-se. Disse que queria aprender. Foi fazer aulas com uma senhora chamada Shahrazade. Mais do que tudo, ela queria muito que a dança desse certo para ela. Gostava do que fazia! E assim foi...
4) Seu desenvolvimento com a dança foi absurdo. Sua professora, estava realmente orgulhosa da pupila. A dança na casa ganhou uma nova dinâmica. Passou a ser mensal, logo em seguida, quinzenal, e por fim todos os finais de semana, inclusive aos domingos. Muitos clientes começaram a falar, uns para os outros. A mídia começou a procurá-la para entrevistas, alguns repórteres foram conferir com seus próprios olhos, e mencionavam "Nejmeh et Leil (era seu nome inicial...), como um fenômeno de dança do ventre no Brasil. O Comando da Madrugada, dirigido por Goulart de Andrade, na época era na Rede Globo, e, fez uma entrevista que deu retorno durante anos. Muita gente ligava e perguntava: "Quando vai dançar a bailarina Nejmeh?". E era Nejmeh para cá, Nejmeh para lá... e muitas famílias árabes falavam em Nejmeh. Diziam que ela era uma bailarina que "dançava com o coração"... e para árabes, isso faz "muita" diferença. Eles reconhecem de longe, quando uma bailarina dança de forma "mecânica". Nos casamos em Janeiro de 1985 até 2005.
Acho que dispensa aqui, quaisquer comentários do que Lulu representa para a dança árabe em nosso país.
Jorge Sabongi - Julho 2001
(atualizado em Abr 2008)