O "RITUAL ORIENTAL"

A Cerimônia do Chá para os povos orientais faz parte do dia-a-dia.

Na verdade, o chá nos países árabes, não é tão popular quanto o café árabe.  É mais popular realmente, nos países da Tunísia, Algéria e Marrocos, os quais foram colonizados por povos franceses, pois tinham interêsses econômicos na cultura do chá.

O chá de hortelã (menta), particularmente apreciado hoje pelos marroquinos, data do período em que o Marrocos era colônia da França.

No Egito, diversos chás são degustados, entre eles o alcaçuz, o hortelã, o chá preto tradicional da India e principalmente a bebida nativa, o karkadêh.

O chá das cinco é tradicionalíssimo na Grã-Bretanha.  Nos países onde imperou o colonialismo britânico, também ocorreu uma certa assimilação por parte dos povos.  Seria um happy-hour

No Brasil, acreditamos que não aconteça este costume por diversos motivos: 1) horário de trabalho normalmente encerra as 18h; 2) não é um traço cultural, trazido por nossos pais; 3) por ser um país tropical (6 meses práticamente de muito calor pronunciado), acredita-se que o chá só é tomado em épocas com temperaturas baixas (outono/inverno); 4) principalmente, pelo motivo de em nosso país, o lazer pessoal ser secundário em função do poder aquisitivo, sempre corroído ao longo dos anos.

Mesmo assim, acreditamos que ao longo de duas décadas tivemos resultados bastante positivos, se levarmos em consideração que práticamente chás importados e diferenciados (frutados, ervas exóticas....), eram completamente desconhecidos por aqui.  Criamos um serviço que agradou ao paladar brasileiro.

Chamamos de Ritual Oriental o Serviço completo de chá servido na Khan el Khalili.  É práticamente uma refeição completa.

Acabou tornando-se tradicional da casa ao longo dos anos, juntamente com a dança do ventre.  Hoje em dia, todos já pedem naturalmente o serviço Ritual Oriental como se ele fosse cultural.

Fizemos uma composição aos chás da região e adequamos diversos alimentos que combinam, em doses homeopáticas (porções pequenas e tudo em tamanho coquetel), para que todos pudessem apreciar de tudo um pouco.  Pela diversidade que é oferecido, fica difícil degustar tudo numa única visita à casa.

Inclui uma cesta completa de pães (diversas variedades, entre eles, pão libanes, pão de pizza, pão de flores, o tradicional pão folha e outros), cinco variedades de patês (homus, ervas, ricota, zatar e uma geléia natural de banana), sorvete de yogurt (servidos em copinhos), quindim, bolos e doces árabes (aprox. sete variedades).  Tudo isso acompanha bule de chá nacional servido à vontade.

O ato de uma pessoa sentar-se em um almofadão, num ambiente totalmente característico árabe, com música típica ao fundo, e destinar para si e sua companhia alguns instantes de degustação e deleite, longe dos problemas da vida cotidiana, compreende um certo ritual.

Quando é servido o ritual oriental, ele não vem todo à mesa, mas sim, aos poucos.  A idéia aqui, não é a pressa, mas sim o relaxamento, o exercicío do dedicar um tempo à si próprio.

O Ritual Oriental da KK foi desenvolvido ao longo dos anos.  Diversos produtos foram inseridos e excluídos até encontrar exatamente o que agradava ao gosto brasileiro (98% dos frequentadores da casa).

Após tanto tempo tentando, chegamos a conclusão que não seria possível inserir um serviço totalmente com sabor egípcio.  Nem todos gostam de provar "tudo" diferente.  Somente uma pequena minoria.

Para agradar a maioria do público portanto, chegamos a conclusão que o ideal seria um ritual composto de 50% de iguarias nacionais, e os outros 50% de novidades árabes.

O resultado foi uma aceitação geral, muito embora existam clientes que ainda clamem iguarias 100% egípcias.

Os alimentos egípcios são bem condimentados.  Levam especiarias que muitos dos brasileiros nunca ouviram falar e de difícil aquisição no mercado. Nem todos agradam a maioria dos paladares.  Por outro lado, pelo fato de muitos deles serem raros no Ocidente, seu preço inviabiliza um consumo em larga escala.

A idéia da Khan el Khalili é oferecer um produto característico, porém que seja da aceitação geral do grande público, afinal é ele quem mantém e define se o negócio é viável ou não.